sexta-feira, 30 de novembro de 2007

MARATONA


Maratona Óleo sobre tela (30X40)

Esta é uma tela de 1997, praticamente no início da minha carreira como pintor. Lembro-me da motivação que me levou a pintá-la.
Nos primeiros tempos, aproveitava todas as oportunidades, para visitar galerias, ir a museus e exposições, sem qualquer espécie de critério ou selecção de pintores, estilos ou épocas...
Certo domingo, numa dessas minhas peregrinações às galerias de arte, recordo-me de ver uma grande tela representando uma multidão imensa, que a enchia por completo. Disse para comigo, que nunca faria uma obra daquelas por causa do tempo necessário para pintar cada uma daquelas figuras. À medida que me aproximava da tela a minha boca abria-se de espanto, com a compreensão do trabalho do pintor: só as figuras em primeiro e segundo plano estavam realmente pintadas com os pormenores necessários para a identificação de uma pessoa. Todos os outros planos, até ao infinito, eram pinceladas de cor, cada vez mais pequenas e menos intensas que, à distância, davam a sensação daquela multidão imensa. Saí da exposição com a ideia de experimentar fazer uma tela com aquelas características.
Nem de propósito, nesse domingo realizava-se a grande maratona de Lisboa. No dia seguinte todos os jornais traziam fotografias da enorme multidão que sempre participa nessa prova. Escolhi uma, com as pessoas a prepararem-se para iniciar a competição.
O resultado aí está.
Se algum dos participantes dessa maratona olhar para esta tela, poderá reconhecer-se no primeiro plano. Duvido é que alguém se atreva a dizer: Aquele, ali atrás sou eu!
Moral da história: “Tudo, antes de ser fácil, é difícil”

13 comentários:

Anne M. Moor disse...

António: a primeiríssima impressão que tive ao abrir o teu blog agora foi a de profundidade mais uma vez... :-) As caras começam e vãoooooooooooooooooooooooooooooo a uma fundura... E tudo isso me trouxe uma paz imensa... Não me perguntes pq... Mas as tuas pinturas todas têm essa profundidade que parece que nos engolem...
Boa noite...
Abraço

tino cassi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A.Tapadinhas disse...

Que essa paz se possa transmitir como um vírus por todo o mundo...
Bjo. António

A.Tapadinhas disse...

É verdade amigo, todas as grandes caminhadas começam com um pequeno passo...
Abraço.
António

gorrión disse...

...Antonio, querido amigo , al parecer esta obra tuya ya vaticinaba que toda esa multitud serían los amigos que te acompañarían en el día a día, llenos de admiración por tu trabajo, pero sobre todo de un inmenso cariño y afecto por tu sabia persona.La obra me encantó...una obra sin duda visionaria! ;-)
Muchos abrazosabrazos desde la dificultad que dá estar en la última fila de la maratón que se quiere acercar a tí.

Jorge disse...

Me parece una obra logradisima. Recoges no solo la sensacion de multitud, sino tambien la alegria de los corredores populares.
Ademas, domina el azul (jeje)
Sigue guiando mis ojos, al final aprendere

NOCTURNA disse...

AMIGO SABIO:
Tu obra remite a un poema de Lao-Tsé


"Proyecta lo difícil
partiendo de donde aún es fácil.

Realiza lo grande
partiendo de donde aún es pequeño.

Todo lo difícil
comienza siempre fácil.

Todo lo grande
comienza siempre pequeño.

Por eso el sabio
nunca hace nada grande
y realiza lo grande, sin embargo.

El árbol de ancho tronco
está ya en el primer brote.

Un edificio
se basa en una capa de tierra.

El viaje hacia lo eterno
comienza ante tus pies."


LAO-TSÉ

A.Tapadinhas disse...

Gorrión,
Agora, que olhei com mais atenção, consigo reconhecer-te lá atrás, longe no quadro, mas perto do coração...
Abraço.
António

A.Tapadinhas disse...

Jorge,
Se eu alguma vez tiver pretensões de ser professor, irei buscar-te como exemplo das minhas capacidades, permites? :)
Abraço.
António

A.Tapadinhas disse...

Nocturna,
Envergonhas-me quando me chamas sábio e apresentas esse poema tão belo, de alguém que apesar de todo o Mal crê na bondade, na grandeza da alma humana... Vou guardar este hino/poema comigo.
Beijo.
António

Sibyla disse...

Qué buena lección nos das Antonio!!
Nunca debemos subestimar nuestros recursos y aptitudes escondidas.
En tu caso, querer fue poder.
La pintura que nos muestras, da la sensación de multitud, aún siendo como dices, salvo los rostros cercanos, manchas de pinturas colocadas estratégicamente, formando
esa mezcla de humanidad en la lejanía.
Eres todo un maestro!!!
Gracias por compartirlo con los amigos.
Abrazos.

A.Tapadinhas disse...

É verdade, Sibyla, a lição que todos temos de recordar, é que as nossas capacidades são sempre maiores do que pensamos...
Abraço grande.
António

gorrión disse...

....qué preciosos amigos que dedican palabras tan hermosas a un precioso artista!
....qué preciosas personas que admiran y quieren a un sabio y preciosa persona!
anne..tino..jorge..sibyla...nocturna...incluso Lao Tse!