Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

MOINHOS SEM DOM QUIXOTE II


Moinhos no Horizonte (Ars Interim)
Acrílico sobre Tela 30x40cm

Nesta fase do trabalho já se distinguem os pormenores (clic sobre a imagem) da paisagem a que eu me referi: os moinhos (sem Dom Quixote!), as casas, algum arvoredo...
Infelizmente, as fadas e as ninfas ainda não deram sinal de si...
Apelo à vossa imaginação...

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

MOINHOS SEM DOM QUIXOTE


Moinhos no Horizonte (Ars Interim)
Acrílico sobre Tela 30x40cm

Tinha planeado executar quatro pequenas telas, com as mesmas dimensões, o mesmo tema e a mesma gama de cor. Este trabalho é o quarto da série.
A fotografia mostra o desenho inicial efectuado no local e as cores base que seleccionei, para a execução desta tela.
A pequena foto que tenho colada no cavalete serve de indicação para os pormenores que, apesar da distância, eu quero salientar, para individualizar o local e torná-lo facilmente reconhecível. Quero que seja identificado por quem o conhece.
Hoje à tarde vou ver as dimensões do espaço onde vai estar patente a exposição…

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

ESTAÇÃO DO SUL E SUESTE II


Moinho e Estação Sul e Sueste
Acrílico sobre Tela 40x30cm


Conforme disse, com o entusiasmo, pouco deixei para fazer até à conclusão deste trabalho.
Quando começamos uma obra, temos uma determinada imagem do que pretendemos. Muitas das vezes, fazemos esboços, testes de cores, para tirarmos todas as dúvidas. Não foi este o caso! Eu queria, utilizando a imponência, a majestade do moinho, transmitir uma sensação de paz de perenidade, de segurança… Desde o início senti que estava a conseguir o meu objectivo…
Foi com esse sentimento que recomecei o trabalho, para não perder o que já tinha conseguido.
Nesta sessão, intensifiquei algumas sombras, dei mais luz aos ramos das árvores, defini com maior precisão alguns pormenores do céu e da água.
Quando perguntei à mulher disfarçada por entre as nuvens e à ninfa que está a tomar banhos nas águas quentes do Tejo, se já estavam prontas, elas responderam em coro que sim.
E eu acreditei! Arrumei tão depressa os instrumentos que, só agora, me apercebi que nem sequer tenho o trabalho assinado!
Vai ficar assim na fotografia, mas o quadro vai ser assinado, prometo!

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

ESTAÇÃO DO SUL E SUESTE


Moinho e Estação do Sul e Sueste (Ars Interim)
Acrílico sobre Tela 40x30cm

Durante algum tempo discuti com Ernesto quais seriam as melhores palavras para indicar que uma obra ainda não estava acabada. Tínhamos chegado a um consenso que seria Opus Interim. Agora, que chegava a altura de a aplicar, procurei no Google e lá estava uma empresa com esse nome. A razão porque tínhamos posto de lado Ars Interim (AI) era a sua possível confusão com algum robot e eu, entre um robot e uma companhia, prefiro o robot...
Mais uma vez os moinhos!
Este moinho é o que estava em perigo de derrocada, conforme um comentário anterior. Neste momento está em obras. O Sem Margens congratula-se com esta acção. E eu, muito mais: Vou continuar a ter tema para os quadros do Barreiro!
Neste quadro, o moinho tem ao seu lado direito a Estação do Sul e Sueste, um monumento classificado pelo IPA, que deixou de ter utilidade como estação fluvial e terminal ferroviário… Será o abandono?
Nos quadros anteriores, o ângulo de visão é o que se obtém junto da estação. Desta vez, dei a volta à Caldeira do Moinho Pequeno, para mostrar uma perspectiva diferente, que inclui os dois monumentos.
Com o entusiasmo nem me apercebi que o quadro estava quase concluído!

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

VOAR...


Voo Óleo sobre Tela 46x38cm

Numa das primeiras exposições que fiz, esta pintura foi “vendida” logo no primeiro dia, a um apreciador de pintura, muito afável, simpático e conversador.
Disse deste quadro, aquilo que eu pensava dele:
Obra de grande expressividade, textura agressiva e uma harmonia dinâmica transmitida pelas cores fortes e contrastantes, em que a ave, com o metafórico bater das suas asas, afasta o frio da floresta para entrar na clara e quente luz do sol…
Pois, pois!
Só que o senhor apreciador talvez tivesse problemas de fundos de maneio: reservou-a mas nunca a foi levantar.
Até hoje!
Por isso, agora tenho em casa uma caturra que me assobia canções, para eu não a deixar, e um papagaio que não se cansa de me olhar a convidar-me para voar com ele…

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

ENTARDECER NOS MOINHOS II


Pôr-do-Sol em Alburrica Acrílico sobre Tela 30x40cm

A luz do sol não varia com a hora dos nossos dias. A nossa atmosfera serve de filtro a essa luz que nós vemos que, por uma questão de comodidade, se costuma dividir em seis cores, por ordem de frequência crescente: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta.
Neste quadro, foram estas três primeiras cores que privilegiei, tornando coerente a sua luz/cor visível. Não utilizei o processo científico que estimula a conversão de energia numa porção de luz, como se diz em inglês “light amplification by stimulated emission of radiation” ou, para simplificar, fazendo o acrónimo com as iniciais destas palavras – laser…
Utilizei “apenas” a visão dos humanos: A nossa capacidade de distinguir cores e tons não tem limites definidos…


...E a nossa capacidade de amar também não: ontem passei o dia com o meu neto, Rafael, que completou o seu primeiro ano de vida…

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

ENTARDECER NOS MOINHOS


Pôr-do-sol em Alburrica (em construção)


Pôr-do-sol em Alburrica (em construção)

Para a segunda apresentação da exposição “Tejo Cintilante”, na Galeria da Câmara Municipal do Barreiro, entre 29 de Julho e 27 de Agosto, vou mostrar, conforme prometi, um quadro dos moinhos com a luz do pôr-do-sol.
Se na interpretação do amanhecer, não me esqueci dos azuis para sugerir o fresco da manhã, neste, procuro transmitir o calor do Sol inclemente, que se mantém nos areais, nas árvores e nas construções…
O desenho simples com o marcador pode ver-se sob os amarelos, laranjas, vermelhos e rosas, que cobrem toda a tela, como um fogo purificador…
O nosso cérebro está treinado para ver na água a cor azul e a fresquidão que ela sugere. Com essa informação, eu sei que não preciso pintar a água de azul porque o cérebro irá corrigir automaticamente a minha interpretação da realidade…
Se no céu anterior foi vista uma mulher-anjo (não são todas?), neste, espero que descubram o homem-demónio, que vai ficar por lá escondido nas nuvens de fogo…

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

AMANHECER NOS MOINHOS II


Amanhecer em Alburrica Acrílico sobre Tela 30x40cm
(Clic sobre a imagem para ver em pormenor)

O passo seguinte é definir as formas que quero salientar, sem esquecer o ambiente (em inglês, mood define melhor o que pretendo dizer) que devo manter na etapa final. Satisfeito com o realce que dei aos moinhos que, qual sentinelas, obrigam o observador a percorrer toda a tela, procurei dar a força suficiente aos telhados das casas, ao centro, para o olhar se deter nessa zona tão importante do quadro.
Acrescentei alguns detalhes, onde os considerei necessários. Temos de corrigir a tendência para o excesso de pormenores que, algumas vezes, tiram vigor e espontaneidade aos trabalhos.
Olhando com atenção ainda se distinguem as cores e texturas da pintura inicial. Espero que ainda se veja a mulher (anjo?) a espreguiçar-se por entre as nuvens…
Há um outro pormenor interessante: O céu e a água são formas abstractas; por isso, podemos dizer que mais de noventa por cento do quadro é abstracto…

P.S. Um amigo perguntou-me quanto custa o quadro. A resposta vale para todos: Este (Amanhecer em Alburrica) e o próximo que tem o mesmo formato (Pôr-do-sol em Alburrica) serão postos à venda na Galeria por 300€ cada um. Se alguém os quiser comprar agora, ficarão expostos com indicação do seu proprietário, e só depois serão entregues. Valeu?

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

AMANHECER NOS MOINHOS


Amanhecer em Alburrica (em construção) Acrílico sobre Tela


Amanhecer em Alburrica Marcador sobre Tela


Já está confirmada a segunda apresentação da exposição "Tejo Cintilante". Será na cidade do Barreiro, na galeria da Câmara Municipal, a partir do dia 29 de Julho e até 27 de Agosto.
Como algumas obras já foram vendidas, estou a preparar novas.
Tenho constatado o interesse dos meus amigos na concepção e execução das telas. Atendendo a esse interesse, vou dedicar as minhas as próximas entradas aos novos trabalhos que irei apresentar.
No Barreiro, os moinhos são o ex-líbris da cidade. Tenho feito trabalhos sobre eles, de todos os ângulos e com todos os formatos, mas sempre com o esplendor da luz do sol. Então, para variar, lembrei-me de fazer dois trabalhos: um com a luz da manhã e outro com a do pôr-do-sol.
Os moinhos são bem conhecidos, por isso, pensei dar maior realce ao seu enquadramento natural. O céu e o rio vão ser os protagonistas.
Para evitar surpresas desagradáveis, desenhei com um marcador à prova de água a língua de terra onde estão os moinhos. Para dar maior vigor às cores, devemos trabalhar a tela branca com as tintas que darão a temperatura que desejamos para pintura final. As cores são diluídas com médium transparente, que deixa ver o desenho, por entre as pinceladas expressivas que procurei dar.
Não me esqueci dos azuis, que vão servir para se sentir o frio da manhã…

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

ATLÂNTIDA


Cerrados - Açores Óleo sobre Tela 100x100cm

O Arquipélago dos Açores é constituído por nove ilhas, situadas em pleno Oceano Atlântico, que dizem ser vestígios da lendária Atlântida. Olhando os contrastes das costas, os rochedos vertiginosos a mergulharem no oceano, as montanhas e os vales, com a sua exuberante vegetação, as lagoas nas crateras de vulcões extintos, os géisers, as nascentes de água quente, tendo ao lado, outra com água gélida, não custa a acreditar na lenda do mítico continente.
Sendo o contraste uma regra, até os campos carinhosamente cultivados, estão divididos em pequenos cerrados feitos com as rochas vulcânicas vitrificadas que a população chama de bagacinas, com o toque de beleza que é a inveja dos continentais: as hortênsias azuis.
Uma estadia no continente e as belas flores vão mudando de cor e passam para um cor-de-rosa choque…
Tem a ver com a acidez ou alcalinidade das terras, dizem os especialistas.
O engraçado é que nós invejamos o azul dos Açores e eles invejam o nosso cor-de-rosa…

Sábado, 30 de Maio de 2009

ENCONTRO DE IRMÃOS - PARTE II


Tão bom como "O Genial", só "O Génio",
no café "A Brasileira" do Chiado


Poucas pessoas podem gabar-se de ter a felicidade de imaginar momentos empolgantes e depois, no real, eles superarem as nossas melhores expectativas.
Confesso que sentia um certo receio que passássemos aquelas horas juntos e pouco tempo depois, não tivéssemos mais do que falar. Aconteceu exactamente o contrário: as horas voaram e, quando nos despedimos, sentimos que ficaram muitas coisas por dizer… Foi uma conversa de amigos de longa data que será retomada na próxima vez que nos encontrarmos, no próximo mês, no próximo ano, recomeçada no exacto momento em que foi interrompida… É assim com os amigos!
Todos aqueles que me foram dizendo que estavam cheios de inveja, digo-lhes uma coisa: tinham razão! Ao conhecer o Flavio, fiquei a conhecer melhor cada um de vós. Foram momentos muito bons!
Daqui a pouco, vou estar em Coimbra com a Companhia de Artilharia, 1409, com o pelotão que comandei, como Alferes Ranger, na guerra colonial de Portugal contra Angola. Cada vez somos menos o que estamos nesta comemoração anual…
Quantas emoções!
Espero sobreviver a este fim-de-semana!

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

ENCONTRO DE IRMÃOS


Regata no Tejo (estudo), 1997
Acrílico sobre Platex, 11x21cm

No passado dia 6 de Maio, ilustrei a minha postagem, “Festas no Tejo”, com o quadro, “Regata”, óleo sobre tela, 85x120cm.
Essa postagem, suscitou 74 comentários, o último dos quais, foi assinado por Flavio Ferrari. Dizia:

Esse é um de seus quadros mais lindos (dentre os que já publicou). Não conheço a mulher do seu parente, mas talvez ele tenha mesmo feito um bom negócio.
Mas não venha com ideias para o meu lado que a Ti eu não troco nem por dois quadros...


A este texto, respondi, quatro dias depois:

Só agora, por mero acaso, li o seu comentário na minha postagem, "Festas no Tejo".
Entendi a mensagem!
Há jóias que não têm preço... eu sei...


Está confirmado que no próximo dia 29, eu e Flavio vamos encontrar-nos em Lisboa.
É a primeira vez (há uma primeira vez para tudo!) que me acontece: vou abraçar alguém, que não conheço pessoalmente, mas com quem tenho contactado quase diariamente. Algo que não posso dizer de muito bons amigos…
No abraço que lhe vou dar, estão todos os amigos que me têm culminado de gentilezas, durante estes quase dois anos de convívio com a blogaldeia.
Tenho uma prenda para ele: o estudo que serviu de base ao quadro que ele tanto admirou.
Juro que não é nenhuma prestação ou sinal, para qualquer troca…

Sábado, 16 de Maio de 2009

A TERCEIRA PONTE


Barcos na Praia - Barreiro Óleo sobre Tela 100x100cm

Tenho escrito tanto a propósito do Barreiro, das suas antigas indústrias, da sua zona ribeirinha, dos seus moinhos de Alburrica, que acho só falta escrever sobre a construção da terceira ponte sobre o Tejo, entre Chelas e Barreiro, que deverá ficar concluída em 2013.
A construção desta ponte vai obrigar à dragagem de lodos fortemente contaminados devido às antigas indústrias do Barreiro, com níveis muito elevados de mercúrio, arsénio, chumbo…
Deixo as doutas considerações sobre os Estudos de Impacto Ambiental e sobre a malha viária da cidade de Lisboa, para as entidades competentes, mas estou preocupado:
Um tabuleiro rodoviário e ferroviário, mais os acessos, vão modificar toda esta paisagem, em nome do progresso, esse deus conhecido em que, ao contrário das personagens do livro de John Steinbeck, A um Deus Desconhecido, o amor pela terra e pela liberdade, já sabemos, nem sempre são salvaguardados.
Em 2014, saberemos se tenho razão nos meus receios.

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

PALAFITAS NO SADO


Carrasqueira - Cais Óleo sobre Tela 90x100cm

Quando falei sobre a saga dos avieiros, mencionei que os “ciganos do rio”, como lhes chamou Alves Redol, procuraram o seu sustento no Vale do Tejo e no estuário do Sado.
Há uma aldeia ribeirinha em plena Reserva Natural do Estuário do Sado, que conserva algumas construções construídas em madeira, cobertas de caniço – os palheiros.
Nesta aldeia, continua a ser utilizado um cais construído em estacas de madeira (palafitas), que se prolonga por centenas de metros sobre os esteiros lodosos do rio.
Foi um processo iniciado por dois pescadores que criaram um acesso para chegarem aos seus barcos, sem se enterrarem no lodo, aos quais se foram juntando outros, até se chegar ao emaranhado de estacas que tornaram este local um dos mais visitados do concelho.
Os habitantes desta aldeia continuam a ganhar o seu sustento, conforme as épocas do ano, com a agricultura e a pesca.
Não sei se são agricultores-pescadores ou pescadores-agricultores. O que sei é que o peixe é uma delícia e, não resisto, tenho um pequeno segredo para lhes contar…
Gostam de batata-doce? Eu também!
Aquele lugar é o seu paraíso. Tem um nome: Carrasqueira.

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

FESTAS NO TEJO


Regata Óleo sobre Tela 85x120cm

Dentro em breve, todas as vilas da zona ribeirinha do Tejo vão fazer as suas festas populares, com a mesma receita de sempre; já está tão testada que não é preciso inventar nada, para que sejam um êxito!
Os barcos engalanados, cheios de bandeiras coloridas, vão apresentar-se pintados de fresco e lavados, perante a santa padroeira, que os abençoará, depois de levada em procissão até ao cais. Quando era miúdo, sempre achei que era a mesma santa que fazia o passeio, embora cada vila lhe desse um nome diferente...
Neste caso, em Alhos Vedros, o seu nome é Nossa Senhora dos Anjos.
Esta obra foi comprada por um familiar que adora barcos e passeios todo-o-terreno. Pouco tempo depois da aquisição, divorciou-se. Contou-me ele, que um dos pontos mais críticos foi o acordo de partilhas, porque ambos queriam esta tela.
O meu primo não ficou com a mulher, mas ficou com a obra. Valente!

Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

O DIA DO TRABALHADOR


A Sesta ( Segundo Picasso) Óleo sobre Tela 62x98cm


Julgava já ter feito referência à minha mania de copiar quadros dos grandes artistas que retrataram a “Sesta”… Dei uma vista de olhos, pelas minhas postagens e não encontrei. Poderá ter sido para algum artigo de jornal ou entrevista, ou num comentário a alguma postagem do tema. Lembro uma recente, de Anne, no seu Life… Living…
Todos estes quadros foram vendidos. Por ter feito esta série no início da minha vida de pintor, não tenho fotografias da minha interpretação do tema, conforme Van Gogh, Almada Negreiros, Manet… Mas tenho, a partir de um desenho de Picasso, “Camponeses Dormindo”, 1919, Têmpera, aguarela e lápis, 31,1x48,9, The Museum of Modern Art, Nova Iorque.
Por contraste, hoje que é dia do trabalhador, ofereço uma boa proposta de descanso, com a colaboração de um génio do século XX: Pablo Picasso, 1881-1973.
Bom fim-de-semana!

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

À PROCURA DE ROBIN DOS BOSQUES


Bosque de Bétulas
Técnica mista sobre tela colada em contraplacado 30x20cm

Comemorou-se recentemente o “Dia Mundial da Árvore”, que teve lugar pela primeira vez no estado norte-americano do Nebraska, em 1872, por iniciativa de John Stirling Morton, que conseguiu convencer toda a população a dedicar um dia no ano à plantação de árvores.
Quando fiz a postagem de “Floresta Maravilhosa”, lembrei-me desse dia e também deste bosque que, até agora, nunca mais cresceu.
No ano em que vi os quadros de paisagens de Klimt, resolvi iniciar uma série com florestas. Antes da sua execução em grande formato, pensei fazer uma experiência sobre um suporte rígido, para evitar o indesejado craclé. Por isso, este quadro foi pintado a óleo sobre tela colada em contraplacado. Para criar diversos tipos de texturas, adicionei areia à tinta e colei pequenos ramos de árvores, para melhorar o efeito tridimensional.
Só falhou um pequeno pormenor: ainda não encontrei o produto certo para fazer crescer este bosque…

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

DIA DO AMOR


Sérgio Godinho, uma voz de Abril


Dia da Liberdade Acrílico sobre papel Canson 400g
Ilustração publicada no jornal "O Rio"

A Câmara de Santa Comba Dão, terra onde nasceu o ditador António Salazar, cujo regime foi derrubado em 25 de Abril de 1974, inclui nas suas festas de comemoração da data, uma inauguração especial: a do Largo Salazar.
Um autarca, João Lourenço de seu nome, rejeita qualquer ideia de provocação e declarou: "Nunca me passou pela cabeça tal coisa. Só há três dias, alertado por um presidente de junta do PSD, é que me apercebi da coincidência".
Um antifascista, António Vilharigues, disse: "Escolher as celebrações para inaugurar obras num largo que leva o nome do símbolo do regime fascista derrubado pelo 25 de Abril, é a mesma coisa que no dia da discriminação racial alguém se lembrar de fazer uma homenagem a Hitler ou a qualquer comandante dos campos de concentração de Auschwitz ou Treblinka".
Estas duas posições relatadas nos jornais demonstram que a Liberdade é uma conquista já consolidada.
Falta saber o que vamos fazer com ela: 35 anos ainda não chegaram!
Bom fim-de-semana, em Liberdade!

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

SERIAL KILLER


Sem Título Acrílico sobre Tela 65x54cm

Já devem ter notado que eu tenho uma infinidade de séries em que nunca faço a última obra e, outras, em que não passo da primeira. Como esta…
Este quadro foi cuidadosamente planeado, para ser a pedra de toque de uma série, que me entusiasmou na sua concepção.
Toda a tela foi coberta com diversas camadas de tinta, até ficar completamente lisa, para receber o desenho final. Em algumas zonas, passei com lixa de água para a sua superfície ficar sem qualquer irregularidade. Utilizei uma paleta muito limitada: Titanium White, Ivory Black, Ultramarine Blue, Winsor Violet e Permanent Rose. Depois de satisfeito com o tom base da pintura, em que foram utilizadas todas as cores que mencionei, operação indispensável para harmonizar o fundo com o desenho, comecei por distribuir a cor escura pela tela. Neste caso, não se pode dizer que comecei a pintar da sombra para a luz, ou do escuro para o claro, porque a cor é uniforme. Não pintei com preto puro: fiz uma ligeira mistura de Permanent Rose, para “aquecer” o Ivory Black. Utilizei seguidamente o Permanent Rose com uma pitada de Titanium White, apenas para reforçar o fraco poder de cobertura do cor-de-rosa.
Francamente gostei do resultado. Não me perguntem por que razão não continuou a série.
Ah! É verdade! Deixei sem título para não condicionar os comentários…

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

A FLORESTA MARAVILHOSA


Floresta Maravilhosa Acrílico sobre Tela 50x70 cm

Não sabia se estava a acordar para o sonho ou para a vida. Aquela escuridão das últimas longas horas (dias?) estava a transformar-se, lentamente, numa vereda de floresta com os tons laranja de um fogo distante que destruía o escuro e deixava adivinhar o caminho da luz. Penosamente, começou a mover-se na sua direcção. Na cabeça (ou na floresta?) ressoavam vozes que o chamavam na direcção oposta, com propósitos que não queria considerar. À medida que tomava consciência de que a luz estava cada vez mais próxima, os seus passos ganhavam maior vigor e sentia, melhor, sabia que o fim das suas provações era uma realidade. Esta certeza deixava-o com um sorriso de felicidade que queria conservar para o resto da sua vida…

Esta obra foi executada numa manhã em que acordei depois de um sonho de que retive esta imagem. Os pormenores da floresta estavam de tal maneira gravados no meu espírito que o pincel e as tintas pareciam ter vida própria…
Este quadro é de 1996. No dia 10 de Junho de 2008, descobri onde existia esta floresta e percorri a vereda representada no meu quadro, para chegar a uma quinta, onde ia comprar um vinho especial. Já estiveram pela primeira vez num local em que ficam com a sensação de o já ter visitado? Já? A mim também me aconteceu, mas nunca como naquele dia!
Aquele local, situado nas faldas da Serra da Arrábida, tem uma beleza impressionante. A pequena queda de água, a ponte e a sua vegetação luxuriante continuam a esperar por mim…
Esta Quinta está cheia de referências ao Marquês de Pombal, à Ordem de Santiago, às navegações e ao culto do Espírito Santo. A sua Capela tem um cruzeiro que apareceu nas praias de Manguellas, hoje Ajuda, vindo não se sabe de onde, com tão ricos lavores que, diz a lenda, só pode ter sido executado por Anjos…
O Cruzeiro pode não ter sido feito por Anjos, mas o resto não sei, não…

Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

PÁSCOA


Páscoa & Pascuas Técnica Mista sobre papel

Este ano é a primeira Páscoa que passo com o meu neto. Apesar da minha idade, espero ter o espírito suficientemente jovem para a gozar com a alegria que qualquer descoberta merece.
A todos os meus amigos desejo que inventem uma razão para encontrar a felicidade. Neste caso, não sejam muito exigentes, porque qualquer pretexto é bom!
A partir de hoje, façam-me o favor de serem felizes!
Eu vou fazer o mesmo!

Domingo, 5 de Abril de 2009

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Centro Histórico - Faro Óleo sobre Tela 65x90cm


Esta obra é muito semelhante à anterior, em toda a sua génese, por isso, apresento-a já, porque, francamente, não gosto especialmente do resultado que obtive.
Tenho sentido que, quando a história que acompanha a obra é muito interessante, os comentários tendem a centrar-se nas minhas palavras, em detrimento da obra propriamente dita. Não sei se é bom ou mau: é a constatação do evidente.
Esta tela não tem nada de especial a relatar. Foi uma encomenda. Alguém me pediu, por razões que não têm relevância para o caso, uma tela com o centro histórico de Faro, de preferência à noite. Contestei, dizendo que não tinha máquina fotográfica com a capacidade de fotografar esse espaço com a nitidez que necessitava para realizar tal obra. O meu amigo (quem me encomenda um quadro é meu amigo) disse-me que podia ficar alojado, o tempo que fosse necessário, num hotel para realizar a obra no local.
Achei o desafio interessante e o resultado está aqui.
Desta vez, não houve polícias a atrapalhar…
Só pessoas simpáticas…

Terça-feira, 31 de Março de 2009

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Igreja de Santa Cruz - Barreiro Óleo sobre Tela 70x100cm

Já falei muitas vezes do Barreiro. É uma cidade de contrastes. Foi um importante centro corticeiro, um pólo da indústria química e o principal eixo da ligação Norte-sul, por causa do Caminho de Ferro e da ligação entre as duas margens do Tejo. Em virtude desta ligação, já consumada com duas pontes, a 25 de Abril e a Vasco da Gama, o Barreiro vai continuar a ser notícia porque está para breve a adjudicação duma terceira ponte, que será (?) a verdadeira alternativa à Ponte 25 de Abril. Há muitas vozes discordantes por causa do impacto ambiental e paisagístico.
Por aquilo que tenho escrito, quem não conhece, poderá julgar que todos os locais do Barreiro, com interesse para um pintor ou fotógrafo, têm de incluir o rio Tejo. Esta igreja e este largo, estão aqui para desmentir essa opinião.
Como é minha prática habitual, para finalizar esta obra, passei algumas horas com a parafernália de pintor, no centro do largo, atraindo a natural curiosidade dos passantes pedestres ou motorizados.
Ainda não foi desta vez que aconteceu qualquer acidente rodoviário. Mas houve um acidente: um polícia perguntou-me se eu tinha licença para estar ali…
Fui salvo pelo padre!
Não, não foi o da estátua!

Sexta-feira, 27 de Março de 2009

PAPOILAS


Quatro Papoilas Óleo sobre Tela 100X80 CM

Este quadro esteve exposto juntamente com o da entrada anterior, com resultados diferentes: este foi vendido e o outro continua em meu poder.
Não sei quem o comprou. Tudo o que resta deste quadro é a sua fotografia.
Para ser franco, nem me lembro muito bem como o realizei. Também não consigo encontrar explicação para a sua venda, por comparação com “Flores Campestres”. Razões que a razão desconhece, ou não?
Alguma sugestão?

Segunda-feira, 23 de Março de 2009

EQUINÓCIO


Flores Campestres Óleo sobre Tela 60x100 cm

Quando apresentei os meus quadros inspirados em “As Quatro Estações” de Vivaldi, falei um pouco da celebração do ritual de fertilidade que festeja o equinócio da Primavera, o momento em que o dia e noite têm a mesma duração. Simboliza o despertar da vida na terra, depois da hibernação no Inverno. Esta celebração começou por ser um festival pagão, que foi aproveitado pela Igreja para exaltar a ressurreição de Cristo.
Neste quadro, quero mostrar as cores vibrantes das primeiras flores campestres, açoitadas pelo vento e iluminadas pelo tímido Sol, ainda pouco consciente da sua força telúrica.
Para isso, comecei por pintar toda a superfície da tela com o meu pincel de piaçaba carregado de Yellow Ochre e Burnt Sienna, em pinceladas curvas, com diversas direcções*, para servir de base às folhas das plantas e aos caules fustigados pelo fresco vento primaveril. Só depois de estar satisfeito com o movimento sugerido pelas texturas assim criadas, comecei a distribuir as papoilas e os malmequeres pela superfície, que ficou pouco povoada de flores, porque gostei do relevo do terreno em que nasceram…
Este quadro está aqui, pendurado na parede à minha frente, a olhar para mim, enquanto estou a escrever a sua história…
Tenho quase a certeza que uma das papoilas (provocadora!) me está a piscar o olho…

*Clicando sobre a imagem dá para ver a sua textura.

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

COSTA NOVA


Palheiros da Costa Nova Óleo sobre Tela 60x100cm

Se há uma Costa Nova... Por causa da abertura da barra de Aveiro, em 1808, os pescadores de Ílhavo foram obrigados a deslocar-se da “costa velha”, mais para sul, em frente à Gafanha da Gramata, onde continuaram a praticar a arte da xávega. Isto de arte, por ser de xávega, tem direito à abertura de uns parênteses.
Esta arte é um tipo de pesca de arrasto cujas redes têm um cabo preso em terra puxado por bois que, com o progresso tecnológico, paulatinamente, foram sendo substituídos por tractores. Agora, não há bois nem tractores: toda a costa foi conquistada por outras maneiras de pescar… Toda? Não! Uma vila povoada por portugueses irredutíveis resistiu e continua a resistir à inovação: Nazaré, o único local onde ainda se pesca assim.
Estes pescadores, para guardar as alfaias da apanha das algas, redes e todos os apetrechos para a pesca, faziam com tábuas de madeira sobrepostas construções que se chamavam palheiros, por estarem revestidas com caniços. A pouco e pouco, estes palheiros transformaram-se em habitações para as famílias dos pescadores e, mais tarde, começaram a fazer melhoramentos para as alugarem ao crescente número de famílias de Vagos, Ílhavo ou Aveiro que procuravam aquela zona para férias.
Assim nasceram as casas com riscas verticais ou horizontais das mais variadas cores, num cenário improvável de surpreendente colorido.
Este quadro, que mostra o extremo oriental da Costa Nova, esteve exposto breves dias na Galeria. Foi comprado por um jovem casal que passou a sua lua-de-mel na casinha azul às riscas…
Acho que era a cor do pijama que ele despiu nessa noite…

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

ENTENDAM-SE!


Preia-mar na Baía Óleo sobre Tela 80x100cm

No quadro anterior, coloquei um pequeno bote azul, em destaque num imenso areal a ser invadido pela enchente. Agora, a água já subiu o máximo, estamos na preia-mar, e o rio já reclamou o que lhe pertence. O dono do bote já saiu com ele para a faina diária de apanha de peixe e marisco.
É neste local que existe uma história de falta de entendimento que já tem 40 anos.
Seixal e o Barreiro já estiveram ligados. A distância entre os dois concelhos é de quinhentos metros, se for feita uma pequena ponte que atravesse o esteiro de Coina. A ligação rodoviária actual obriga a percorrer, sem necessidade, mais dezassete quilómetros, por estradas com muito trânsito e diversos pontos críticos. É evidente, que esta ligação beneficiava a qualidade de vida, contribuía para melhorar o ambiente e poupava combustível.
O dono do bote faz o percurso a remos entre o Seixal e o Barreiro no tempo que levam a ver esta postagem. Na região vivem trezentas mil pessoas.
Antes que alguém me roube a ideia, vou montar um estaleiro para fazer botes…

Sábado, 14 de Março de 2009

DESCANSO DO GUERREIRO


Baixa-mar na Baía Óleo sobre Tela 90x105 cm

Já falei do varino “Boa Viagem”, recuperado pela Câmara da Moita para passeios no Tejo. A Câmara do Seixal fez algo de semelhante com o bote-de-fragata “Baía do Seixal”. Este tipo de embarcação, bojuda e pesada, com 20 a 25 metros de comprimento, arma estai e vela grande de carangueja junto ao mastro que tem uma marcada inclinação para a ré. Rebocava um pequeno bote que servia para levar a fragata à força de remos nos momentos em que faltava o vento.
Este quadro mostra a minha fascinação pelas tonalidades subtis da areia molhada (sem os seixos que deram o nome à cidade), e o contraste com a água a deslizar pelos carreiros, reflectindo aqui e ali a luz do sol…

Quarta-feira, 11 de Março de 2009

CIDADE SONHADA


Fronteira dos Sonhos
Técnica mista sobre cartolina 28,2x34,1cm


Já o tinha afirmado e este desafio serviu apenas para confirmar: tenho resolvida a tarefa de dar títulos às minhas obras! As sugestões foram muitas e de qualidade.
Quase todos identificaram uma cidade junto ao mar, na tela apresentada, mas Xana viu a sua cidade: Lisboa. Ao meu amigo OUTONO, que foi o culpado do desafio, só lhe faltou identificar a cidade.
Mais uma vez, Erik e Anne sugeriram o título que eu vou dar à obra. “Cidade dos Sonhos”, de Anne é um título que eu já utilizei noutra ocasião, por isso, aproveitei “Cidade Sonhada” de Erik.
Ficaram títulos como “Fronteira”, de Jorge, “Tesouro Escondido”, “Desafio” , “Klimt Revisitado”, ou “Mundo Intenso” de She, e muitos outro igualmente apelativos.
Deixo-vos o poema que descreve a tela:

La Ciudad Soñada
La cigüeña cruzó el Óceano,
y esto es lo que vió…
Todos se habían acercado
demasiado al límite de la Tierra...
Habían ido llenando de color
todos los caminos que llevaban al Mar...
Pintores de colores vivos,
Escritores que van del Azúl al Verde...
Dejando los Naranjas
Y Amarillos a los nostálgicos.

A todos, queridos amigos, o meu muito obrigado!

Domingo, 8 de Março de 2009

DESAFIO


O que é isto?
Acrílico sobre Tela 70x50cm

Numa entrada anterior, pedi aos meus amigos e visitantes, a sugestão do título para uma obra de que eu fazia a descrição, enquadramento e técnica usada. Como seria de esperar, as colaborações foram muitas e de grande qualidade.
Um amigo, OUTONO, deixou-me o seguinte comentário:

Deixo-te um desafio. Correndo apenas o senão...de não ser do teu agrado.

Nem que seja um mero exercício. Apresenta uma tela tua, com título, e sem a descrição ou brilhante narrativa como fazes.
Deixa ser o teu visitante, a descobrir (a interrogar) a sensibilidade da tua criatividade. Depois... BUM! Descoberta do facto.


Pois bem! O desafio foi aceite, mas com um pormenor diferente: o quadro não tem título para não cercear a criatividade a ninguém.
A tela está aí: é toda vossa!

Quarta-feira, 4 de Março de 2009

TRADIÇÃO


Entrada Óleo sobre Tela 100x100cm

Na minha postagem de 11 de Novembro, apresentei um quadro “Cozinha Alentejana”, que mostra o interior de uma habitação. A entrada para esse local de delícias tem também uma beleza especial, que só as coisas simples conseguem transmitir.
Na execução desta tela, misturei areia na tinta de óleo, para salientar as rugosidades e textura das paredes caiadas. O ponto focal desta pintura é a porta de entrada. Tendo em atenção este princípio, escureci um pouco a porta de madeira de carvalho, para, sem perder força, a distanciar da buganvília e da parede iluminada pelo sol, ganhando profundidade. Do lado direito, coloquei um vaso de sardinheiras que tem a função de atrair o olhar para esse ponto do quadro. Os troncos rústicos dão uma maravilhosa cobertura a todo o conjunto.
A porta deve estar aberta para não afastar o observador. Neste caso, garanto que está apenas encostada!
Podem entrar! Sejam bem-vindos!

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Palácio da Vila Óleo sobre Tela 60x100cm

Em 29 de Junho, mostrei o meu quadro que dava uma interpretação do significado do Convento dos Capuchos, em Sintra. Pela sua semelhança, com "Convento da Arrábida", lembrei-me desta obra, “Palácio da Vila”, de 1996.
Sintra é, desde 1995, Património Mundial, no âmbito da categoria Paisagem Cultural da UNESCO. O nome, com contornos místicos, deriva de cynthia, símbolo da lua na mitologia céltica, que fica muito a propósito com a neblina característica da Serra, que envolve os seus diversos monumentos.
Este Palácio, cuja traça original é de autor desconhecido, consiste num conjunto de volumes, aparentemente separados, mas articulados entre si, por corredores e galerias, por escadas e pátios…
É mais um quadro de que perdi o rasto: na altura em que foi comprado, ainda não tinha registos das minhas obras. Ter uma fotografia dele, já é qualquer coisa de especial.
Se o seu possuidor passar por aqui, terei muito prazer em cumprimentá-lo!

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

ARRÁBIDA MEETINGS


Convento da Arrábida Óleo sobre Tela 60x100cm

O Convento da Arrábida foi fundado em 1542 por Frei Martinho de Santa Maria, a quem foram cedidas as encostas da Serra, pelo primeiro duque de Aveiro, D. João de Lencastre (1501-1571).
Os primeiros quatro frades arrábidos – Martinho de Santa Maria, Diogo de Lisboa, Francisco Pedraita, São Pedro de Alcântara – viveram dois anos em celas escavadas na rocha, num local de culto a que se chama Convento Velho.
Este conjunto está situado numa zona de rara beleza, propícia para a reflexão e o recolhimento de acordo com o estilo de vida dos franciscanos.
Depois da extinção das ordens religiosas (1834), todo o conjunto sofreu várias pilhagens e estragos causados pelo seu completo abandono. Em 1990, a Casa de Palmela, vendeu o Convento e a área envolvente à Fundação do Oriente, e a partir daí, a sua recuperação patrimonial e cultural tem sido uma realidade. Por exemplo, os Arrábida Meetings, fórum internacional dedicado à análise de temas políticos, sociais, científicos, históricos e artísticos, tanto a nível nacional como internacional.
Tenho pena, mas desta vez sinto mais do que em qualquer outra altura, que a realidade é muito mais atraente do que a minha pintura. Quem conhece o Convento e a Serra sabe que é verdade. Quem não conhece, aproveite a primeira oportunidade e não se arrependerá.
Palavra de Pintor!

Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

AMIGOS PARA SEMPRE!


Rafael 8 meses

Este fim-de-semana foi passado no Algarve com alguém de quem dei notícias em 18 de Junho: o meu neto Rafael.
Volto agora a dar notícias dele, sem dizer que é o mais lindo e o mais esperto, por causa das discussões que poderia levantar com outros avós… Também não é para lhes contar os seus progressos na pintura… Quero só dar notícia duma combinação que fizemos.
Fomos dar um passeio pela marginal da Praia da Rocha, a gozar a temperatura e luminosidade dos dias fantásticos de um Inverno sem crise. Depois da minha desistência por KO, no transporte às cavalitas dos seus 9 irrequietos quilos, fomos almoçar…
E foi ali, no restaurante, eu com uma bem merecida caneca de cerveja, e ele a morder o seu primeiro Gressino, que selámos um pacto para o resto da nossa vida:
- Amigos para sempre! Hurra! Hurra! Hurra!
Ele ainda não sabe, mas os pactos entre avô e neto são sempre assim!

Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

PORTUGAL PROFUNDO


Golegã Óleo sobre Tela 80x100cm
Por motivos pessoais, deslocava-me com muita frequência ao Entroncamento. Fazia uma paragem, quase obrigatória na vila da Golegã, mais conhecida pela Feira Nacional do Cavalo Lusitano, que se realiza desde o século XVI, não sei se já nessa data por altura das festas do São Martinho.
A lezíria, sempre deslumbrante, é atravessada pelos Rios Tejo e Almonda, que servem de abrigo natural à maior colónia de garças da Península Ibérica. Mas não é só a natureza que é apelativa: para os amantes da arte, podem ser visitados a Casa-Estúdio Carlos Relvas, ou o museu Martins Correia, com uma valiosa colecção de arte moderna.
Foi por essa altura que pintei este quadro, em que procurei dar relevo às casas tradicionais, com um belo espaço de terra, ideal para que os miúdos joguem à bola sem chocarem com automóveis, digo eu! Dirão outros: belo espaço para construir apartamentos… Inevitavelmente com uma cereja no topo: um centro comercial!
Fico triste, mesmo arriscando que me digam: É o progresso, estúpido!

Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

PINTOR DE FIM-DE-SEMANA (2)


Represa Óleo sobre Tela 30x40cm
Agora, deixemos o alto, e a sua paisagem deslumbrante de verde salpicado com o azul do rio Alva. Vamos descer aquele estreito carreiro e sentarmo-nos confortavelmente, junto ao rio. Deixemos que os sons que nos circundam nos encham os ouvidos: o marulhar das águas na represa, a conversa das folhas das árvores com a ligeira brisa, o gorjeio dos pássaros…
O paraíso deve ser já ali!

Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

PINTOR DE FIM-DE-SEMANA


Sarzedo Óleo sobre Tela 100x80cm

Há uns anos, um casal amigo a residir em Setúbal, pediu-me para lhe fazer um quadro da sua terra natal, Sarzedo. Convidaram-me para passar lá um fim-de-semana, para conhecer o local, que diziam ser idílico. Confesso que a razão que me levou a aceitar o convite foi a sua proximidade da aldeia histórica de Piódão. Não foi necessário muito tempo para reconhecer quão estava enganado. A aldeia está situada na Beira Serra, entre a serra da Moita (mesmo nome da terra onde vivo) e o rio Alva, afluente do rio Mondego, no concelho de Arganil. A dificuldade foi escolher, tantas as hipóteses de paisagens verdejantes que a zona proporciona. Este quadro está na sala dos meus amigos, para manterem viva a lembrança das suas origens. Tenho um apontamento tirado no local, junto à represa, que mostrarei na próxima entrada, porque considero que transmite com fidelidade a exuberante beleza do local.

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

O NOME DAS COISAS (3)


Marcador sobre papel


Tenho resolvido o problema de dar títulos às minhas obras: peço aos meus amigos e o problema passa a ser o inverso, porque a dificuldade passa a ser escolher entre tantas e criativas sugestões. Ora vejam:
Para a primeira peça tive “Azul y Rojo”, “Alma Aflita”, “Caminhos”, “Camadas”, “Entre a Terra…”, “Embarcação”, “Paralelas”, e o que eu escolhi foi:
“Despertar en la Orilla”, de €riK,
“Despertar na Margem”.

Na segunda peça, as sugestões foram igualmente de autênticos mestres: “Olhares”, “Filosofia de Vida”, “Sentimento Dissolvido”, “Azul, Azul”, “Retalhos do Mar” e a última que me chegou “Azul de Mar”.
Escolhi “Movimento Marinho”. A sua autoria é de três amigas: uma começou o movimento, outra secundou-o e outra completou o título. Para a história fica o nome das suas autoras: Anne, Ariana e Sibyla.
Tanto na primeira tela como na segunda, chegaram-me sugestões de irmãos do outro lado do Atlântico, que eu deixei para o fim, por serem, além de criativas, comestíveis. Foram elas: “Sanduíche” e “Prego”.
As minhas obras são um alimento espiritual para mim…
Desejo que possam servir de conforto (não me atrevo a dizer de alimento) aos amigos, porque assim já terão cumprido parte da sua missão!

Sábado, 31 de Janeiro de 2009

O NOME DAS COISAS (2)


Sem Título 2 Óleo sobre Tela 100x100cm

Decidi não manifestar a minha opinião sobre as criativas sugestões apresentadas, para não influenciar quem quiser dar um título a este quadro.
Ao contrário do que infelizmente acontece na vida real demasiadas vezes, aqui há uma segunda oportunidade para todos.
Vamos aproveitá-la?!

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

O NOME DAS COISAS


Sem Título 1 Óleo sobre Tela 100x100cm

Cada vez dou mais importância ao título das minhas obras. Nesta série que tenho estado a mostrar, como nunca foram formalmente expostas, ainda não pensei seriamente nos títulos que lhes devia dar. Se um nome influencia a vida duma pessoa, acho que ainda será mais evidente a sua importância para uma obra de arte.
As duas peças que irei apresentar, ainda não têm título. São pormenores de embarcações no estaleiro, com sinais de corrosão, que estão a ser preparadas para calafetagem e pintura.
Vamos experimentar? Qual o título adequado para esta?
Aguardo sugestões...

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

AMARRAS



Cabos
Óleo sobre Tela 60x100 cm


Continuando a dar notícia da minha expedição fotográfica de que resultou a série que tenho estado a apresentar, chegou a altura de mostrar os elementos que mantêm a unidade entre a terra firme e o elemento líquido: os cabos. Neste caso, apresentam as mazelas naturais de uma vida de trabalho com o salário baixo (para ser mais verdadeiro, sem salário), sem benefícios sociais, mas com uma força que resistiu a todas as provas, embora sejam nítidos os sinais dessa vida de trabalho: diríamos rugas, se os cabos tivessem qualquer coisa de humano. O quadro mostra o casco do navio, corroído pelo sal e intempéries, apesar de levar tintas especiais contra a corrosão, com os cabos em primeiro plano balançando ao sabor da brisa.
Para ser verdadeiro, não me lembro se havia brisa e não sei sequer se ela conseguiria mexer os cabos. Considerem a frase uma liberdade poética…

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

CEMITÉRIO OU TALHO?


Gonzos Óleo sobre Tela 100x100cm

Da viagem que descrevi ao cemitério, melhor, ao talho dos navios, porque lá se esquartejam os seus cadáveres, sobraram mais algumas fotografias que transformei em telas, sem grande êxito em termos de reconhecimento da sua qualidade artística ou outra, por exemplo, comercial: não vendi nenhuma! O interessante nesta, quando a estava a pintar, é que o sol entrou pela janela do meu estúdio, projectando a sombra dos caixilhos e fazendo reflexos que me indignaram, ao princípio. Olhando melhor, gostei do que estava a ver e pintei os reflexos da minha janela nos pedaços de ferro corroído daquele navio. Não sei quem disse aquela coisa horrível de “se não puderes vencer os teus inimigos, junta-te a eles”, mas foi o que eu fiz! Só que, neste caso, o meu inimigo era o Sol!
Este inimigo, junto-o aos meus melhores amigos!

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

VIGIA


Vigia Óleo sobre Tela 100x100

Perto de minha casa há uma unidade industrial de desmantelamento de navios de grande porte. De vez em quando, passava por lá para tirar umas fotografias a pormenores dos gigantes prestes a serem trucidados. As tintas degradadas que deixavam ver os primários aplicados, as chapas corroídas pela água e pelo sal, ofereciam cambiantes que me deixavam com inveja dos elementos naturais que os transformavam em objectos de arte. Na fotografia não se distingue muito bem, mas procurei com a grande quantidade de tinta aplicada, dar a textura da chapa corroída. Fiz uma série de pinturas com estes elementos que foi interrompida, quando um dos seguranças da empresa me ameaçou com uma tareia (maneira suave de dizer que me partia os cornos), por andar a fotografar e a espiar um local privado. Apesar dos meus tímidos protestos: "Eu sou um pintor, não sou um espião ao serviço de qualquer potência estrangeira", acho que ele não acreditou. Quem acreditou nas suas ameaças fui eu: ele tinha na mão um ferro mais duro que a minha cabeça. Julguei eu, na altura... e continuo a julgar, porque nunca mais lá voltei!

Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

OUTONO




Outono Acrílico sobre Tela 100x100 cm

O Outono, estação da queda das folhas, é um concerto em fá maior para violino, cordas e cravo. Tem os três andamentos dos outros concertos e pela mesma ordem : “Vindima”, allegro, a bebedeira causada pelo vinho (adágio molto) e no último, o trepidante ritmo da caça, obviamente allegro menos para o veado que é morto!
Nesta tela, os elementos novos são, na parte superior, a sugestão das folhas de árvores e, na parte inferior, uma terra lavrada, algo incaracterística, porque talvez esteja lavada pelas chuvas e preparada para receber as folhas que lhe irão dar o húmus necessário para uma boa sementeira e uma farta colheita. Esta terra pintada com ocre amarelo (yellow ochre) e amarelo de Nápoles (Naples Yellow), é realmente terra porque adicionei areia para lhe dar a textura pretendida. É como as outras obras desta série, julgo, uma tela muito directa, descritiva na sua simplicidade, como julgo ser a música de Vivaldi, que me serviu de inspiração. Vivaldi manteve a estrutura dos quatro concertos, com três andamentos, sempre pela mesma ordem. As minhas obras também têm essa característica: há em todas elas uma linha amarela que as divide em três partes. Se no “Inverno” ainda se poderá pensar num raio que a partiu (não resisti, desculpem!), nas outras porquê o amarelo? O espectro visível contém um número de cores sem limites definidos mas que, para simplificar, dividimos por ordem de frequência crescente em vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta. O comprimento de onda do amarelo, de 5900 a 5600 angstrons, está no meio da escala, por isso, o utilizei como elemento aglutinador, capaz de dar unidade às minhas quatro estações. E depois, dizem, no meio está a virtude…

Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009




Verão Acrílico sobre tela 100x100 cm

Sob a dura estação, pelo Sol incendiada, (Sotto dura Staggion dal Sole accesa), é assim que começa o poema que inspirou a composição musical. Este concerto, tal como o das outras estações, tem três andamentos: dois rápidos e um lento. Vivaldi escreveu para ele próprio ser o violinista solista, dando melodias mais ternas e suaves aos andamentos lentos, e grande vivacidade aos andamentos rápidos. Nigel Kennedy, o solista, deste III Presto, é o vulcão visível deste Verão de Vivaldi.
Espero que possam descobrir um vulcão invisível na aparente tranquilidade do meu Verão!

Sábado, 3 de Janeiro de 2009

PRIMAVERA




Primavera Acrílico sobre Tela 100x100cm

Antonio Vivaldi descreve a chegada da Primavera como uma festa da natureza. Nos solos dos violinistas, está reproduzido o canto dos pássaros e o murmúrio dos riachos afagados pela brisa suave e fresca. Podemos imaginar a dança das ninfas e dos pastores, sob o brilho do sol primaveril, depois do rugido dos trovões e da luz lívida dos relâmpagos iluminando o manto negro das nuvens características do Inverno.
Esta foi a imagem sonora de Antonio Vivaldi que podem ouvir no vídeo. Esqueçam os produtos que esta música já vendeu – se puderem…
A imagem visual da Primavera, de António Tapadinhas, está logo a seguir. Esta ainda não vendeu nada…

Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

ANO NOVO



Inverno Acrílico sobre tela 100x100cm

Foi a ouvir o concerto para violino e orquestra, “As Quatro Estações”, de Vivaldi, que encontrei a inspiração para executar este quadro. Logo no início, os acordes dissonantes da orquestra lembram os gélidos ventos e a queda de neve, com o violino em escalas descendentes e harpejos, imitando o canto dos pássaros ávidos do calor do sol. Curiosamente, quando procurei a ilustração para esta postagem, surgiu-me esta encenação do concerto em que as cores dos fatos dos personagens são iguais às que utilizei no meu quadro.
Esta obra foi feita por mim com as mãos a tremer de frio, a ser atingido pelos ventos cortantes que, apesar das portas e janelas fechadas, entram pelas frinchas do meu estúdio…
Mas é com o coração quente que desejo a todos os amigos um Feliz Ano Novo!

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

FELIZ NATAL


Tomar Rio Nabão Óleo sobre Tela 90x105cm

Tomar é uma cidade de que eu guardo gratas recordações. Passei lá um período muito importante da minha vida, à sombra do Convento da Ordem de Cristo e do Castelo Templário fundado em 1160 por D. Gualdim Pais, Mestre Provincial da Ordem do Templo. Quando os Templários começaram a ser perseguidos em França por Filipe, o Belo, Portugal recebeu os membros da Ordem, em reconhecimento dos serviços prestados, nomeadamente nas guerras de Reconquista que expulsaram os mouros da Península Ibérica. O Infante Dom Henrique, grão-mestre da Ordem, soube utilizar os recursos e os vastos conhecimentos de que dispunham sobre navegação, para o êxito dos descobrimentos portugueses. O seu poder, diz-se, resultou directamente de documentos e tesouros encontrados na sua sede, situada no Templo de Salomão, em Jerusalém, nomeadamente o Santo Graal, o cálice onde foi recolhido o sangue de Jesus Cristo e que foi usado na última ceia.
Convoco o misticismo desta cidade, do seu rio, e dos Cavaleiros do Templo para desejar a todos os meus amigos Feliz Natal e um Ano Novo cheio de paz, saúde, amor e grandes realizações artísticas.

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

O OLHO DE ULISSES


Olho de Ulisses Óleo sobre Tela 120x120cm

Há uns anos, resolvi fazer uma série com pormenores de embarcações da região, utilizando as suas formas elegantes e funcionais e os elementos decorativos pintados no seu casco, nomeadamente flores, as santas padroeiras, das quais a Nossa Senhora da Boa Viagem é um exemplo, e os olhos pintados na proa de alguns barcos que, ao contrário do que se poderia pensar, não serve apenas para ornamento. Já na antiga Grécia, desenhar ou gravar olhos nos objectos servia de mágica protecção contra o mau-olhado para os defender e aos seus donos, das invisíveis forças do mal. Neste caso das embarcações, a sua origem é atribuída a Ulisses, o lendário guerreiro grego.
Não sei se tem algum efeito em termos de protecção, mas que são bonitos, lá isso, são!

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008


Invenção do Alfabeto Acrílico sobre Tela 100x100 cm

Na exposição que está a decorrer, estive a rever algumas fotografias de obras abstractas antigas, de entre as quais retive esta, que me lembrou a intenção que tinha de fazer uma série com as diversas invenções que transformaram o homem naquilo que é hoje, para o bem e para o mal. Nesta “Invenção do Alfabeto” de 2001, transformei a tela num terreno, pintando-a com tons terra, ocres e amarelo de Nápoles, para ser possível estudar neste “campo” as culturas e os modos de vida do passado, com os vestígios materiais que ia pintando. Cheguei até aos nossos dias, mostrando as estruturas de casas, arranha-céus incluídos, para deixar aos vindouros a possibilidade de compreenderem os valores culturais da nossa geração. Gostei tanto da já esquecida ideia que estou a considerar a hipótese de continuar a série.
O que acham?