segunda-feira, 17 de março de 2008

SÉRIE VILAS HISTÓRICAS - MOITA




Moita Junto ao Cais
Óleo sobre tela 50x70cm






Caldeira da Moita
Óleo sobre tela 45x55cm
(Ao fundo, por baixo do plátano mais à esquerda, estou eu a jogar xadrez com os meus amigos. Não liguem às cervejas em cima das mesas, porque o resultado dos jogos ali, ao ar livre, é o que menos interessa...)



Estas duas telas ilustram o local da Moita, que foi recentemente restituído à população com obras de fundo que visam reaproximar as populações ao seu rio Tejo.
Durante o período que permaneci no local para executar estas obras, aconteceram os normais contactos com os surpreendidos passeantes. Os mais interessantes resultaram dos alunos da escola próxima, que me interrogaram sobre diversos pormenores acerca das tintas e outros materiais utilizados. Um deles, com muita graça, perguntou-me se eu lhe dava uma ajuda para melhorar os seus trabalhos de Educação Visual.
Na minha entrada de 10 de Fevereiro, mostro as lamas e sapais onde as colónias de flamingos se alimentam dos macroinvertebrados (crustáceos, poliquetas, bivalves), durante a maré vazia.
Num passeio pela zona ribeirinha...

FLAMINGOS EM TERRA...
Já há muito tempo que não me acontecia: no dia 27 de Outubro, Domingo de mercado na Moita, tive um ataque de fúria.
Estava um dia lindo: um céu sem nuvens, um sol radioso com aquela temperatura e luminosidade, que só alguns dias de Outono, nos oferecem.
Resolvi ir ver pessoas e coisas ao mercado. Conduzi o automóvel para o amplo parque de estacionamento junto à Câmara da Moita. Chegaram dois arrumadores a discutir, com veemência, qual deles tinha direito à moeda virtual que eu possivelmente iria desembolsar. Nenhum deles tinha cartão e muito menos uma farda, que me permitisse resolver com justiça, tão acalorada demanda. Como não quis ser injusto paguei aos dois. Estava um dia lindo, lembram-se?
Enquanto caminhava lentamente pela marginal, admirava o batalhão de flamingos que, ao longo das margens do rio, filtravam os pequenos organismos que constituem a sua alimentação. A vida tem destas aparentes contradições: uma ave com formas tão elegantes, com cores tão belas, para se alimentar, passa o tempo com a cabeça mergulhada no lodo...
Cheguei à zona das primeiras tendas e bancas. O colorido habitual, mas sempre renovado para os meus olhos treinados a distinguir e registar novas combinações de cores, de luzes, de sombras...
De repente, a minha paz de espírito foi sacudida por um terramoto que abalou a minha comunhão com a Natureza, a minha confiança nos superiores destinos da Humanidade.
Frente ao lar “Abrigo do Tejo” está a escultura “Vento à Barra”, do artista banheirense Pedro Miranda da Silva, que homenageia a figura do marítimo na sua relação com o rio e com uma das suas mais belas e características embarcações – o Varino.
Nem o seu autor reconheceria a obra, submersa num mar de fios, cordas e cabos que a ligavam às tendas e árvores circundantes. Todas as reentrâncias, ângulos, protuberâncias e cavidades da escultura estavam preenchidos com mochilas, bonecos de plástico, cães de porcelana, roupas, canas de pesca.... A peanha do monumento estava atapetada (na verdadeira acepção da palavra), com tapetes e servia de bancada onde compradores e vendedores pousavam os couratos e as garrafas de cerveja, para apreciar os artigos expostos e concluir as suas transacções.
A Câmara da Moita dotou alguns espaços públicos com esculturas, num esforço louvável de aproximar a Arte das pessoas. Só que algumas dessas pessoas, na sua luta pela sobrevivência, na tentativa de obter resultados com o menor esforço, fazem como o flamingo: não vêem além do seu bico/nariz. Não temos nada com isso... desde que não impeçam outros de apreciar valores mais altos.
Mas, senhores... Então e os fiscais e as forças da ordem? Será que ficam a ver passar os flamingos?

21 comentários:

anamorgana disse...

Eu gostei das pinturas, elas sao hermosas. beijo
anamorgana

Miss Slim disse...

Lindas as pinturas :) Adorei

Agora o amigo tem ataques de furia, olha que fica com rugas, ehhhh

O tempeh sabe a soja :) ou seja parece mesmo carne :)

Bjoca muito doce e sem furia :)

ANA disse...

Un dia te contaré la escultura ´hizo un escultor de mi pueblo.
Bueno te la cuento hoy, ahora:
La escultura
es de una mujer de pescador de las que se dedican a vender lo que sus maridos pescan,
Como no le salía bien el brazo que llevan en alto, sujetando la cesta que reposa en la cabeza,
no se le ocurrió otra mejor idea que dejar a la mujer sin brazo, manca.
Así sigue manca, una cosa ridícula.
Un beso,
ana.

Isabel disse...

Así es, Antonio... no ven más allá de su nariz, no son capaces de ser sensibles a las obras, porque la supervivencia es demasiado dura, no se les puede acusar por ello, aunque da rabia, tienes razón. Besos. http://senderosintrincados.blogspot.com

Anne M. Moor disse...

Tu? António? tendo um ataque de fúria??? Não acredito... Como sempre, os teus quadros me emocionam e me dão o que pensar...
Enfiar a cabeça no lodo pra comer aparentemente parece um despropósito, mas será? Se o lodo esconde o alimento, há que se cavar para achá-lo... "Uma semana no paraíso" pode até ter um argumento assim... Acham-se pérolas no meio do lodo... :-)
Beijos pensantes...

A.Tapadinhas disse...

Anamorgana: ... e eu gostei muito de as fazer: são hermosas como tu...
Abrzo cariñoso.
António

A.Tapadinhas disse...

Miss: Só assim consigo assustar o seu admirador secreto... :)
Beijo de mansinho.
António

A.Tapadinhas disse...

Ana: Jajajaja! As coisas incríveis que acontecem!
Espero que não tenham cortado o braço à mulher do pescador... para ficar igual à estátua... :)
Beijo.
António

A.Tapadinhas disse...

Isabel: Quanto mais agradável for um espaço, mais gente irá visitá-lo, mais hipóteses de negócio... O recinto do mercado tem a dimensão de dois campos de futebol. Porquê tapar um ponto de interesse? Puro comodismo e falta de olho para o negócio...
Beijo.
Ana

Fermina Daza disse...

Querido António, no imaginas cuánto me gustan estas telas donde dejas toda la luz, todo el encanto y toda la calidez de las ciudades portuguesas. Pueblos blancos llenos de sol, tranquilos, donde la gente se conoce y se saluda; pueblos marineros con olor a sal y sonido de gaviotas al amanecer. Veo Moita y me dan ganas de entrar en el lienzo y atravesar su entramado para llegar a ese malecón desde donde, seguramente, se podrán divisar los barquitos faenando o volviendo de la pesca de bajura cargados de peces de plata. Quizá, en los bajos de alguna de esas casas hay un café con una terraza donde poder tomar un buen desayuno mientras te da el sol en la cara (y si no lo hay, no me lo digas, en mi imaginación no hay cabida para los inconvenientes). Aún recuerdo el pan con mantequilla que me ponían en Lisboa cada vez que me sentaba a la mesa de un restaurante, me sabía delicioso. Tengo que volver a Portugal, estoy segura de que después de ver tus pinturas voy a disfrutar de sus villas mucho más. Este verano, con muchas probabilidades, será mi destino turístico.

Beijo

Irene

A.Tapadinhas disse...

Anne: Como me conheces! Já há muito tempo que a fúria não me visita...
A escultura a que me refiro, "Vento à Barra", é do escultor Pedro Miranda da Silva, que eu entrevistei para o Jornal "O Rio", de 15 de Junho de 2001. É autor duma outra escultura "Salineiro". Ele disse-me, nessa altura: "A imagem do salineiro faz parte das minhas recordações de infância e para mim tem um significado ainda mais relevante, atendendo a que a figura que escolhi para modelo foi o meu pai." Numa manhã, telefonaram-lhe a dizer que a escultura estava destruída. A chorar, foi recolher os pedaços, reconstruiu-a e voltou a colocá-la no seu lugar. A estátua do "Salineiro" foi destroçada por pura maldade, "Vento à Barra" é destruída insidiosamente por pura ignorância. Se não tivesse tão viva no meu espírito a imagem do escultor destroçado juntamente com a sua estátua, talvez não ficasse tão escandalizado. Mas deixo a pergunta: Com qual destruição nos devemos indignar mais?
Não queria que o teu regresso tivesse estas questões tão profundas... É uma passagem directa do Paraíso para o Inferno...
Beijo.
António

Anne M. Moor disse...

António:
Por maldade ou por ignorância de certa maneira tem o mesmo peso, pois que a ignorância geralmente é causado por algum tipo de maldade... A destruição gratuita de qquer coisa e, em especial, da arte, que é vida, é resultado da ignorância dos sistemas educacionais que a reduz a uma mera disciplina sem sentido!!!! A Arte faz parte do aprender a ler o mundo, a si e ao outro - elementos essenciais para uma vida digna. Aiiiiiiiiiiiiiii que esse assunto faz-me fervilhar de indignação!!
Beijos indignados... Mas felizes de estar de volta and able to get my teeth into an instigating subject :-)

Sibyla disse...

Antonio, como siempre, disfrutando de tus cuadros, preciosas marinas.

Te dejo un abrazo!

Besos
Sibyla*

A.Tapadinhas disse...

Anne: Que força, garota! Fiquei cansado só de te ler!
Que bom essa capacidade de te indignares: é sinal da tua juventude...
Beijos joviais.
António

A.Tapadinhas disse...

Sibyla: Quem como eu, sempre esteve perto de um rio e a dois passos do Oceano, não teria desculpa se não soubesse apreciar a beleza das águas...
Beijo.
António

Edições Casa de Estudos de Alhos Vedros (CEAV) disse...

Está linda a vila histórica da Moita, mais o seu lindo Cais, onde o Tejo se vem deitar mais as águas do mar. Cheguei agora de Constância, terra onde permanece através dos tempos o nosso amado Luis de Camões, e onde as águas do Zêzere se misturam ao Tejo. Muito maravilhado fiquei ao revê-las de novo nas tuas doces cores e nalguns comentários que, tal como ele, vêm de Espanha e onde ainda se notam em suas águas o brilho de cúmplices olhares, apesar da distância. Gostava que houvesse um sítio por aqui, onde pudéssemos receber e albergar todas estas vozes amigas. Um dia lá chegaremos. Por agora, beijos e abraços somente.

A.Tapadinhas disse...

Irene: Não calcules quão feliz me deixaste com a as tuas últimas palavras. Faço questão que venhas ver, sentir na pele o sol, a brisa do fim de tarde, debaixo daquele plátano, vendo os homens na faina, os flamingos a preparar o seu voo, para as zonas onde pernoitam. E, peço-te, esquece por uns dias as dietas, porque vamos ter muitos petiscos para degustar. E claro, também temos as festas da N. Sr.ª da Boa Viagem, no mês de Setembro...
Traz o girassol, está bem?
Beijo.
António

A.Tapadinhas disse...

Edições... É verdade: cada vez mais sinto que não chega esta troca de mensagens. As maravilhosas pessoas que vamos conhecendo, merecem um pouco do nosso esforço, para selarmos como num notário, presencialmente, a amizade que vamos tecendo na Web...
Abraços.
António

ZULMA disse...

Antonio: M e ancanta la perspectiva que les has dado a estas pinturas.
Qué bueno e interesante es que puedas ofrecer tu saber a ese grupo de alumnos que están empezando un recorrido tan esencial como es VIVIR EL ARTE.
Besos

A.Tapadinhas disse...

Zulma: Gostava que a Arte fosse assim entendida como algo essencial para a Humanidade. Os nossos mais remotos antepassados, assim o pensaram, apesar da sua luta pela sobrevivência... Um exemplo que não seguimos!
Beijo.
António

freefun0616 disse...

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