quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

SÉRIE VILAS HISTÓRICAS - ÓBIDOS


Óbidos - Muralhas Óleo sobre tela 60x100cm

Esta obra foi a prenda de casamento que eu referi na primeira entrada de Vilas Históricas.
Não a apresentei na sequência, como tinha planeado, porque quis aproveitar a descrição tão fiel, poética e palpitante de vida, da minha amiga Irene.
Para mim, na execução de qualquer paisagem, o procedimento ideal, é ir para o local armado de cavalete, tintas e restante equipamento. Numa paisagem urbana, é quase sempre impraticável. Na falta do equipamento pesado utilizo a fisga: a máquina fotográfica e um pequeno bloco de folhas brancas. Agora com as máquinas digitais é uma brincadeira tirar fotografias. Não estamos condicionados aos rolos, nem preocupados com a fortuna que vamos gastar em passá-las para papel, nem com o tempo que o laboratório leva a fazer o trabalho...
Então, para que serve o bloco de notas? A minha experiência diz-me que as fotografias deixam dúvidas sobre pequenos pormenores, que podemos querer ou não mostrar no quadro, tais como, números, palavras, símbolos ou cores. Às vezes está em primeiro plano um elemento que queremos eliminar porque o que está oculto é mais importante: não devemos ficar presos às nossas capacidades miméticas. Nessas ocasiões, é indispensável o caderno de esboços, para traçar algum pormenor que quero destacar, ou descrever a cor que estou a ver, ou seja, as cores que, combinadas, dão como resultado a cor daquele momento. Porque a luz do sol é muito traiçoeira: muda as cores e as sombras, de instante para instante. Para indicação futura, deixo sempre no papel bem marcada a direcção da luz.
No estúdio, depois de seleccionar a fotografia que vai servir de base ao quadro que vou executar, escolho o elemento central, donde irá irradiar todo o conjunto. Em qualquer das obras há um elemento comum colocado na Secção de Ouro, ou Divina Proporção, como lhe chamou Leonardo da Vinci, no seu Tratado de Pintura: um cipreste. Não desloquei a árvore :) mas “plantei-a” no sítio que me interessava para guiar o olhar do espectador. Dediquei muita atenção a essa árvore: posso garantir que tem todas as cores utilizadas na peça, para dar harmonia ao conjunto. Os telhados, não só pela sua distribuição no espaço, mas também pela infinidade de cores que os compõem, são outro elemento muito importante nestas obras. Não parece, mas está lá uma infinidade de tons, para as telhas pintadas vibrarem como se tivessem o sol a inundá-las de luz.
Depois de ter toda a tela coberta de cor, preciso de voltar ao mesmo sítio, de preferência com o cavalete, tela e todo o restante material. Estar com o cavalete montado a corrigir os erros que se detectam in loco, a tirar as dúvidas de que fui tomando nota na execução da obra, a vê-la crescer à medida que vou dando as pinceladas definitivas, é um prazer indescritível. Em determinados locais não é possível. O caderno de esboços é, mais uma vez a solução do problema. Vejo e revejo todas as dúvidas apontadas, até ter a certeza que está claro no meu espírito, a resposta para cada uma delas. Regresso rápido ao estúdio, para pintar, de olhos fechados, aquilo que, mal ou bem, gravei na minha memória, como um tesouro precioso.

37 comentários:

Anne M. Moor disse...

Tesouro é a palavra certa... No outro quadro o que me chamou a atenção foram as janelas (talvez por causa do meu estado de espírito naquele momento), se bem que adoro 'janelas'. Neste meu olho, António, não foi primeiramente na árvore :-), foi nos telhados. Telhados esses que devem contar inúmeras histórias. A cor dá um quê de abraço... Lindo, lindo, lindo...
Beijos coloridos

São disse...

Como eu gostaria de também pintar...
Saudações!

mi despertar disse...

fascinante blog, te sigo

Carlos Barros disse...

é difícil ficar indiferente.
não se pode mesmo...
abraço

Isabel disse...

Me encanta visitar tu blog, me fascinan tus pinturas, tienen una luz que impresiona. Lo que dices de las cosas que se captan o no con las fotografías es cierto... lo que el ojo define, sobre todo el ojo certero de un artista, no queda igual reflejado en una fotografía.
Son los matices los que delimitan el arte. Un beso.
Visítame en Senderos Intricados, que los otros blogs son de la escuela ;) http://senderosintrincados.blogspot.com

A.Tapadinhas disse...

Anne: Pelos vistos, o teu espírito felino, surge em qualquer momento... Nas árvores, nos telhados... :)
Beijo sem arranhões.
António

A.Tapadinhas disse...

São: É muito fácil. A palavra chave: começar!
Dei uma espreitadela no seu blogue e vi que é do Barreiro. Somos vizinhos. Depois, passarei por lá... pelo blogue, claro. :)
Beijo.
António

A.Tapadinhas disse...

Mi despertar: Obrigado, menina! Já nos conhecemos, não é verdade? Depois vou confirmar. Entretanto,
un saludo cariñoso.
António

A.Tapadinhas disse...

Carlos Barros: Hoje tive algumas visitas inesperadas, entre quais a tua: o famoso autor de "Como Matei o Ministro", não é verdade? :)
Depois passo por tua casa. Entretanto,
Um abraço.
António

A.Tapadinhas disse...

Isabel: É verdade, são mesmo "senderos intricados", tanto que me perdi... Obrigado pela visita e até logo.
António

ANA disse...

Ayyyyyyyyyyyyyy, Dios!
si pudiésemos corregir los errores tan sólo con ese gesto de volver al lugar,
dar marcha atrás y
retomar los pinceles y los óleos,
y abrazar las telas,
con todo el amor que no se dió a la primera, poner donde no se puso, quitar lo que sobra...
Un abrazo Antonio,
ana.

Pena disse...

Brilhante e Estimado Amigo António:
A forma como disserta sobre a Arte, a verdadeira Arte, a sua Arte, fascina de encanto e maravilha.
As imprescidíveis sensações de luz/Cor, os indispensáveis esboços talentosos, a verificação dos pormenores desejados de se poderem destacar, a harmonia do conjunto a caracterizar e evidenciar na tela.
É um Ser Humano que deslumbra, que concebe uma arte peculiar e magnífica.
Apetece-ma fechar os olhos e pintar também. Creio que sairia desencanto, instabilidade e um conjunto desarticulado no meio ou espaço escolhido indevidamente e pretensiosamente. Um espaço que é seu, sensacional e belo de concepção artística e de um sentimento maravilhoso que se ajusta à perfeição de si e do seu grandioso talento.
Olhe, amigo, fico só a contemplar a sua deslumbrante obra magnífica e encantadora, acredite?
Rendo-me com sinceridade ao seu magestoso Ser e Sentir.
Parabéns, amigo.

Abraço forte de estima sincera

pena

Anne M. Moor disse...

António: Cat on a hot tin roof!
Beijos ronronados :-)

Anne M. Moor disse...

"They say that life is a highway and its milestones are the years,
And now and then there's a toll-gate where you buy your way with tears.
It's a rough road and a steep road and it stretches broad and far,
But at last it leads to a golden Town where golden Houses are."

A.Tapadinhas disse...

Ana: Não, a vida não nos deixa corrigir os erros como a pintura numa tela... Nem é um CD, em que se não gostarmos do que lá está, podemos apagar e voltar a gravar...
A vida não tem um botão para "erase". É injusto, não é?
Beijo.
António

Fermina Daza disse...

Querido Antonio, cuando contemplamos un cuadro no imaginamos el trabajo que hay detrás del mismo, nos quedamos con la obra terminada y la admiramos, pero no somos conscientes de que esa obra empezó mucho atrás con una idea, con la elección de un paisaje como es el caso, de una perspectiva, de una lucha contrarreloj con la luz, con unos bocetos como hilvanes donde pones y quitas con trazos maestros, con miradas que guardan el paisaje en tu memoria, y todo ello bajo un estado de inspiración único. Después viene el reto, es decir, ese lienzo en blanco en el que has de depositar toda la belleza que tus ojos han contemplado. Me imagino que empezarás manchando la tela, imprimiendo en ella a grandes trazos los colores que más tarde empezarás a matizar de atrás hacia delante para que la obra adquiera volumen y relieve.

Si ver tu cuadro terminado es un espectáculo, poder ver todo el proceso creativo tiene que ser otro igual de emocionante.

Un beso enorme

Irene

A.Tapadinhas disse...

Amigo Pena:
Acredito que a sua grande sensibilidade possa criar, ainda que apenas na sua imaginação, quadros de maravilha, apenas sonhados... Garanto-lhe que é essa a ferramenta principal para ser um criador... O resto é "apenas" técnica.
Um abraço... e parabéns!
António

A.Tapadinhas disse...

Anne: Nunca pensei numa gata, mesmo que em telhado de zinco quente... Pensei mais numa pantera...
The road is wide and the stars are out/ and the breath of the night is sweet...
Kisses with grrrss!!! :)
António

A.Tapadinhas disse...

Irene: Qualquer pintor que leia o texto que escreveste, não poderá deixar de pensar que foi escrito por alguém que já pintou. Mais uma vez consegues descrever a concepção e execução de uma obra, como se a tivesses feito na realidade... Tens uma grande imaginação, a que se soma uma sensibilidade ímpar, aliada a um enorme poder descritivo. É um prazer ler os teus comentários.
Beijo emocionado.
António

mi despertar disse...

gracias por tus palabras bello tu idioma

A.Tapadinhas disse...

mi despertar: O espanhol é a segunda língua mais falada no mundo ocidental e o português a quarta. Estes idiomas têm a mesma raiz, também por isso, somos irmãos.
Beijo fraternal.
António

elsa disse...

Olá Pai!
Acho que nunca te tinha dito mas aproveito para o fazer agora: este estilo é, sem duvida, para mim, o teu estilo! Simplesmente...adoro!!!!!!
Não me posso esquecer de uma outra série que fizeste da qual nunca mais me esqueci: os camponeses a descansar sobre a palha, julgo que inspirado em "Botero"... MARAVILHOSO!!!!!
Beijinhos dos dois.
P.S.: Ainda não experimentei a reacção do Rafael aos teus quadros. Será cedo?

A.Tapadinhas disse...

Olá filha!
O certificado de qualidade do meu estilo, és tu, minha querida!
Suponho que é a primeira vez que Rafael é falado nos meios audiovisuais. Palpita-me que, a partir de agora, vai ser difícil conter a natural curiosidade dos amigos e das revistas cor-de-rosa... :)
Lembras-te que fiz "sestas" (salvo seja!) de todos os grandes pintores: Almada Negreiros, Botero, Fattori, Van Gogh... Essa "Sesta" foi executada a partir do desenho de um "pintorzeco" chamado Picasso. Apesar de planeada, ainda não fiz a minha "Sesta"... :-)
Não acho que seja cedo, mas tens de ter cuidado com um pormenor: tal como nas roupas que são para determinadas idades, há certos temas que tens de reservá-los para mais tarde... :)
Um grande beijo... para os dois!

el altillo de reina zulma disse...

Querido Antonio:Te escribo para contarte que, a partir de ahora, realizaré una devolución acerca de tus esperados y amados comentarios en mi blog (idea que me gustó de tu blog y del blog de nuestros/as queridos/as Gorrión,She,etc.). Cuando tomé la decisión de realizar "El altillo..." nunca pensé que iba a ser tan enriquecedor y que me iba a conectar con seres tan maravillosos como vos.
Te confieso algo...a veces pienso qué bueno sería que pudiéramos reunirnos y conocernos , conversar y darnos un abrazo personalmente con Gorrión ,She, Sibyla, Pedro,etc etc...
Te aprecio y valoro mucho, mucho..

tino cassi disse...

tejados cálidos,nobles
que abrigan historias
por suceder

que callan a través
de la noche

consejeros nocturnos
caminos rojizos entre la niebla...

Antonio:
son motivos de absorción
me gustan los tejados
y la verdad,los pintaste muy bien

te dejo un abrazo
:)

Desabafos escritos disse...

António, só para lhe (te) dizer que fico muito contente com este sucesso todo, inteiramente merecido... tantos amigos... eu continuo a espreitá-lo (ar-te)... Beijinhos
Laura

A.Tapadinhas disse...

Zulma: Não tinhas razão quando pensaste que tudo continuaria na mesma. Às vezes, é bom estar enganada... Não te enganas, quando dizes que seria bom abraçar pessoalmente as pessoas que estão por detrás dos nomes que tão bem conhecemos: sinto o mesmo...
Beijo.
António

A.Tapadinhas disse...

Tino Cassi:
Os telhados
não precisam de violinos,
para serem motivo de interesse para um pintor,
ou para um poeta,
ou para um gato!

Abraço.
António

A.Tapadinhas disse...

Laura:
É bom ter-te em minha casa...
Tenho os braços bem abertos para te receber! Vês?
Beijo.
António

bettips disse...

Prender os olhos.
E o coração, na vila que mais linda fica nos teus quadros. Vivaz!
Obg pelas tuas palavras, a arte de olhar junta-nos... só que a tua arte é ainda "revelar" à tua maneira.
Abçs

Gi disse...

Deixas-nos entrar na tua vida de artista e que delícia é acompanhar-te nesse passeio pelo meios das cores , das formas , da tua sensibilidade, das tuas escolhas . Para este género de pintura há necessidade imperiosa de se ser metódico coisa que eu, na pintura, não sou de todo. Seria incapaz de dar vida a uma obra assim por muita imaginação que tenha, ou técnica (que é pouca também :) )


Beijinho. Obrigada por mais esta partilha. Tenho a certeza , absoluta, que o Rafael vai gostar :) (muito)

A.Tapadinhas disse...

Bettips:
Dei um salto ao teu blogue para confirmar a minha impressão e foi uma viagem bastante útil: vou incluir-te nos meus favoritos, para não me esquecer de te visitar!
Desde que comecei a pintar olho para as coisas de maneira diferente: estou sempre a fazer mentalmente, com cores imaginárias, os tons que me rodeiam...
Abraço de tons quentes.
António

A.Tapadinhas disse...

Gi: Para este género de pinturas há uma única fase que não me agrada e onde, talvez por isso, perco muito tempo: escolher o que vou fazer, de que ângulo, com que luz... Não começo, sem ter a certeza, que é a melhor hipótese... e às vezes não é!
Espero de todo o coração que o Rafael goste! Como eu gosto de ti!
António

Ernesto Dias Jr. disse...

Meu caro:

Uma lição de pintura!
Meu pequeno cavalete me olha, canto de olho, junto aos tubos de aquarelas e os pincéis que dormem o sono dos injustiçados.
Mas, tanto quanto você, fiz meus votos e, neles, as palavras vem antes das parcas telas.
Mas que tenho vontade, tenho. Preciso voltar a conspurcar o Canson e o Fabriani.
--
Tenho andado pouco por seu blog. Falha minha. É muito bonito, principalmente quando mostra seu trabalho e você fala dele.
E depois, é uma verdadeira delícia ler o Português de Portugal.
Rever os elegantes pês mudos das excepções, e apreciar vocês despedindo-se com entretantos em vez de enquanto issos.

Abraços transoceânicos.

A.Tapadinhas disse...

Ernesto Dias Jr.
Só agora acabei de ler as suas palavras, quando fui consultar meu correio no gmail. Fui eu que perdi com a demora: o meu sorriso prazenteiro já podia ter pousado no meu rosto há mais tempo!
Vou colocar na minha postagem de hoje, mais uma referência ao seu comentário, por causa da minha demora a responder-lhe. Aceite as minhas desculpas!
Um abraço.
António

freefun0616 disse...

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