sexta-feira, 19 de novembro de 2010

FAVELAS II


Favela 1511 Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre Tela 50x60cm
(clique sobre a imagen)

Na minha pesquisa para esta série, fiquei com diverso material numa espécie de manifestação do caos que, por definição, contém todas as formas e cores possíveis. Sendo assim, era simples; para executar a obra bastava deitar fora tudo o que não fosse necessário.
Depois de seleccionar a favela que serviria de base a este quadro, faltava pensar os meios que iria utilizar.
Pensar é aproveitar tudo o que sei para cumprir o meu objectivo: transmitir sensações. Pensar é dar forma ao caos, torná-lo credível para o observador, isto é, identificá-lo, mas, ao mesmo tempo, retirar-lhe a consistência, torná-lo virtual, porque faço por esquecer o que não me interessa, salientando, apenas, a sua beleza.
No desenho, apenas esboçado, de repente, começaram a surgir as janelas, as ruas, as pessoas, como notas musicais coloridas, numa pauta mágica.
E cumpriu-se o seu destino! Afinal, cor é magia!
Com esta conversa erudita, não sei se deu para perceber o mais importante:
Gosto mesmo muito desta obra!

26 comentários:

Ava disse...

Voce sempre me surpreende!

Difícil, nesse pouco tempo que te acompanho, dizer qual a obra mais bela que pintaste.

Há, em todos os teus trabalho, um que de magia. Seja nas cores fortes, como o seu azul, o vermelho, o verde, o amarelo... Seja na luminosidade que consegues com os jogos de cores, e há ainda aquelas delicadas nuances entre o rosa e azul que me fizeram recordar meu sonho colorido...
E sua conversa erudita perde toda a sisudez, recheada com a poesia de suas palavras...

António, em síntese, apenas uma certeza... Tua Favela realmente é resplandecente de energia...


BB cheio de magia...

Luna Sanchez disse...

Dos encantos da arte, do partir do concreto e criar o abstrato, deixando espaço para os diversos sentires. Missão lindamente cumprida, António, lindamente!

Um beijo, ótimo fds!

ℓυηα

Anne M. Moor disse...

António

Este caos de que falas na descrição, aliviou a (o)pressão espelhada na outra 'favela' pela concentração de cor e gente se acotovelando pelas ruelas.

Nesta 'favela', dizes bem quando falas em um ambiente musicado, há uma certa paz no caos e mais ar para respirar.

Êta pintor brilhante a nos levar em passeios pelas favelas da vida!

Parabéns! Adorei. Não sei qual gostei mais...

Beijão imaginativos :-)
Anne

Gonzo Sade disse...

As cores de tua "FAVELAS II" realmente são mágicas. Me remeteu aos sambas de Cartola, Chico Buarque e Jorge Ben. Posso sentir as canções vindo de tua tela, meu caro.

lolipop disse...

Esta obra, ampliei-a, olhei-a demoradamente. Tenho que confessar com sinceridade, que foi esta a sua obra de que mais gostei até agora. Não me entenda mal, não vim aqui dizer que gostava só porque sim. Não é isso, é apenas uma relação especial, a que sinto com esta tela.
E nem sequer leio nela uma favela,leio antes "bezidróglios", moradas de fantasmas, casas, palácios, partículas indeterminadas, quiosques, labirintos, murmúrios, multidões...
Espero que não se importe com esta leitura...
Carinhos
Gostei mesmo!

Wanderley Elian Lima disse...

Absolutamente fantástico. Transmite de forma subjetiva todo o seu olhar diferenciado para uma favela. Apenas o colorido, sem misérias e sem dor. Parabéns.
Grande abraço

piedadevieira disse...

Antonio,busquei sua resposta ao meu pensamento, mas não encontrei.
Vamos lá, outra vez, porque a arte aqui tanto na pintura quanto na palavra é arte.Consegui penetrar mais um pouquinho em cada pedacinho e visualizei o homem.
Magnífico!

FlorAlpina disse...

Olá António,
E que magia!
Arrumação no caos, beleza nas palavras de varias cores...

Bjs dos Alpes

Pena disse...

Precioso Amigo António:
Para lá de um génio sublime pictórico, escreve admiravel e fabulosamente.
"...Pensar é aproveitar tudo o que sei para cumprir o meu objectivo: transmitir sensações. Pensar é dar forma ao caos, torná-lo credível para o observador, isto é, identificá-lo, mas, ao mesmo tempo, retirar-lhe a consistência, torná-lo virtual, porque faço por esquecer o que não me interessa, salientando, apenas, a sua beleza..."

Extraordinário. Perfeito. Admirável.
Tem uma forma de estar "dentro" da Humanidade de uma beleza gigantesca em que acredito.
Parabéns sinceros. É um Ser Humano divinal.
Bem-Haja, pela amizade expressa no meu blogue. Fico-lhe grato.
Não se encantram pessoas como VOCÊ e o seu génio fabuloso em qualquer lado porque a sua atitude artísrica é sublime e divinal.
Abraço amigo de bem.
Com respeito e admiração constantes.
Sempre a estimá-lo imenso.

pena

MUITO OBRIGADO pela sua amizade.
É uma honra.
Fico-lhe grato.

A.Tapadinhas disse...

Tenho a impressão, para não dizer a certeza, que te estás a transformar numa perita em Arte!

Para mim, já eras uma perita devido à tua avassaladora (não resisti à palavra) sensibilidade!

BB com a energia do vermelho!
António

A.Tapadinhas disse...

Luna Sanchez: Julgo que todas as pinturas antes de serem abstractas, são muito concretas na mente do seu criador...

...ou vice-versa!
:)
Beijo,
António

A.Tapadinhas disse...

Anne: Não podemos estar sempre a procurar o que há de mal no mundo!

De vez em quando, o amor deve ter o seu espaço...

Beijo,
António

A.Tapadinhas disse...

Gonzo Sade: Óptimo! Pintura e música e samba...

...são imbatíveis!

Abraço,
António

A.Tapadinhas disse...

lolipop: Noutras postagens já chamei a atenção para a liberdade de leitura(s) de uma obra de arte. O seu criador, às vezes, é surpreendido porque um observador descobre-lhe novos significados...

É esta a magia da Arte...

Agradeço-lhe as suas gentis palavras!

Beijo,
António

A.Tapadinhas disse...

Wanderley... Descontando no seu entusiasmo aquilo que posso atribuir à sua amizade, ainda sobra muito...

Fico-lhe muito grato pelas suas palavras!

Abraço,
António

A.Tapadinhas disse...

piedadevieira: Estamos sempre a aprender!

É um bom motivo para nos sentirmos vivos...

Bem-haja pelas suas palavras!

Beijo,
António

A.Tapadinhas disse...

FlorAlpina: Que bonitas são as flores...

..e as suas palavras! Obrigado!

Beijo,
António

A.Tapadinhas disse...

Pena: As suas palavras são sempre um hino à amizade!

Bem-haja por elas, e pela sua sensibilidade, sempre à flor da pele!

Abraço,
António

Palavrácido disse...

Gosto da sua pintura também, da forma que fala de janelas e de pessoas, também começei a ver. São pinturas que parecem...que nos abraçam dentro de nós. Eu sempre me emociono com uma, quando vejo, porque consigo, misteriosamente, perceber e sentir o que o artista ali confeccionou. Parabéns pela sua obra, ela é digna de aplausos. Estou a lhe favoritar. Só tenho uma estranheza na pergunta que me indago...por que não gostou dos 60 anos anteriores? Desculpe-me a impertinência, apenas responsa-me se quiser. Adorei seu blog nobilissimo artista! Abraços,

Dan

A.Tapadinhas disse...

Palavrácido: Muito interessante a explicação da maneira como as sugestões dadas pelas cores e formas, activam a sua percepção do espaço representado.

Agradeço as suas palavras.

É uma maneira de dizer que eu estive, de alguma maneira, impedido de fazer aquilo que mais gostava: pintar! A minha profissão de Director de Marketing que proporcionava encontros com muitos artistas, mais me recordava aquilo que eu preferia...

Abraço,
António

as-nunes disse...

António

Já nada me surpreende, pelo contrário sinto-me cada vez mais receptivo, a tentar perceber todas as ideias dos outros, todas as suas manifestações artísticas, por mais imperceptíveis ao entendimento racional que pareçam. As cores, seja da fotografia, seja da pintura, a sua combinação, a forma como se transmite o pensamento...qualquer interrogação, constituem um ingrediente fabuloso para todo o tipo de demonstração do que pode emanar da mete do Homem.
Enfim...gosto, embeveço-me com a imagem e com a cor!

Um abraço
António (tantos Antónios!...)

jorge disse...

Llevo un rato mirando la imagen, prendido de su colorido.

Fijandome en los detalles (hasta encontre tu firma).

Veo caos y alegria.
Multitud y laberinto.

flor de jasmim disse...

Ampiei a imagem vi nela uma favela sem dor apenas cores lindas que se misturam com um tema muito sensivel.

Abraço

A.Tapadinhas disse...

as-nunes: É sinal de maturidade, aceitar as manifestações dos outros em qualquer tipo de arte. É sinal, como muito bem diz, que a sua mente está aberta para apreciar o que de melhor há em nós: os nossos sentimentos, traduzidos em cor e em imagem...

Os nossos nomes não acontecem por acaso!

Tenho um óptimo fim-de-semana!

Abraço,
António

A.Tapadinhas disse...

jorge: Ficas prisioneiro das cores, dos sentimentos, das sensações... Doces prisões que só revelam o quanto tu és livre...

Essa minha assinatura é para se perder entre os graffitis das casas...

Abraço,
António

A.Tapadinhas disse...

flor de jasmim: Neste momento estão a acontecer coisas terríveis que abalam a sensibilidade de todos...

Beijo,
António