sábado, 7 de agosto de 2010

QUIXOTESCO


D. Quixote - óleo sobre tela 80x100cm

Foi há quatrocentos e cinco anos que saiu a primeira edição do livro "El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha" – quatro séculos de influência na cultura do mundo moderno. Tanto tempo decorrido e continua a fazer falta o nosso herói : “Vou a castigar insolentes e a endireitar tortos”.
Com esta minha obra aconteceu um facto estranho.
No segundo dia da exposição, já perto da hora do fecho, passei pela galeria para saber das impressões do público. Qual não é o meu espanto quando vejo, no sítio onde devia estar o quadro, um letreiro a dizer vendido. Tinha dado instruções para que todas as obras ficassem em exposição, e só no final deveriam ser entregues aos eventuais compradores. Perguntei à encarregada da galeria o que se tinha passado. “Muito simples – disse ela – uma senhora nova, muito bonita e elegante (não são todas?), tinha de apanhar o avião para Buenos Aires e queria levar o quadro. Depois de pensar o que devia fazer, disse que o entregava mas exigi que me pagasse em dinheiro. Ela disse que sim, foi ao Banco ali ao lado e deu-me o dinheiro todo. Saiu toda contente”.
Quem não ficou muito feliz com a história fui eu. Até hoje não sei onde para esta obra. Refiro o caso porque (quem sabe?) pode dar-se a coincidência do meu blog ser visitado pela pessoa que o comprou e contactar-me. Seria uma grande alegria reencontrá-lo.
Disse Woody Allen: “Por que Deus não fala comigo? Se Ele pelo menos tossisse”.
Quixotesco, não acham?

22 comentários:

jorge disse...

El cuadro esta bien, pero la historia es sensacional.

Si encima te lee (pudiera interesarse por el autor de su obra) ya tiene el final perfecto.

No vendria mal una banda de quijotes en estos tiempos que corren.

Pedro Du Bois disse...

Caro António, se a obra foi comprada por uma argentina, jovem e bonita, que a levou para Buenos Aires, só lhe resta fazer: reproduza a imagem do mesmo centenas de vezes, embarque para lá, distribua as reproduções pela Florida, Palermo, Santelmo, Recoleta, Retiro, Caminito. Com certeza sua compradora aparecerá. Por enquanto, uma certeza, deve estar em boas mãos e em boa parede. Abraços, Pedro.

ps: grato pela companhia.

Confesso disse...

Essa senhora misteriosa simplesmente sabia o que queria...
Uma tela belíssima...



Beijos confessos...

Flavio Ferrari disse...

Compreensível, meu caro ... uma obra divina ... intenso !

Anne M. Moor disse...

E que obra linda António! Amei! Tua "filha" deve estar em boas mãos.

Beijos
Anne

Dóris disse...

Quixote e seus moinhos de vento...
Linda, vibrante, uma tela para se ter em casa para poder ficar admirando sua beleza expressiva.
Parabéns Antonio

A.Tapadinhas disse...

Jorge: As histórias de teus "protas" são um curso acelerado para inventar histórias, baseadas na realidade...

...que são as mais interessantes.

Como a pintura abstracta, lembras-te? Não há pintura abstracta; começa-se com a realidade e depois retiram-se os traços que a identificam...

D. Quixote não sobreviveria com a pressão dos media...

Abraço,
António

A.Tapadinhas disse...

Pedro: Uma sugestão que tem toda a aparência de dar certo na obtenção do objectivo. Vou guardá-la!

E farei outra coisa: convidá-lo-ei para ir comigo, porque deve conhecer muito bem a cidade!

Abraço,
António

A.Tapadinhas disse...

Confesso... Espero que tenha razão!

Beijo,
António

A.Tapadinhas disse...

Flavio: Divina, a obra? Talvez a compradora...

Abraço,
António

A.Tapadinhas disse...

Anne: Não tenho dúvidas que sim!

Beijo,
António

A.Tapadinhas disse...

Dóris: "Confesso" que tenho a esperança que tenha razão!

Beijo,
António

Regina Rozenbaum disse...

Antônio, amado!
Em 23/07 escrevi um post sobre "Objetos com Alma" e aqui reescrevo um trecho para ti:
"Artista é ser iluminado e "louco". Quando cria, sai de sua alma a brincadeira de criança-pureza, feitos inimagináveis para nós – pobres - normais. Sabe também que, aquela obra depois de pronta, não lhe pertence mais e por isso há que se desgarrar. São do mundo, esse fruto parido com alegria, dor e amor. Junto dele vai agarrado um pedacinho de sua alma..."
Beijuuss n.c.

www.toforatodentro.blogspot.com

A.Tapadinhas disse...

Rê: O sentimento do artista, quando uma obra sai da sua posse, é uma miscelânea de emoções, que se pode comparar com a saida de um filho da casa de seus pais...

As suas palavras retratam a situação com perfeição.

Beijo,
António

Ava disse...

Moço, não queira geleiras em sua vida, muito menos em seu coração...rs

Sei que por aí está um calor infernal, meu irmão estava aí a semana toda, embarcou para Paris ontem, está em lua de mel...rs
E nos falou do calor europeu...

Essa beleza de pintura, seja lá com quem estiver, com certeza está nas mãos de alguém que tem muito bom gosto.
É uma maravilha de trabalho, aliás, o óbvio ululante, como são todos os teus trabalho, já que sou fã de carterinha...rs

Esse em especial, chama a tenção a luz, a luminosida, o brilho que exala dele, como se tivesse impregnado de energia.

B.B. Energizados...rs

A.Tapadinhas disse...

Ava: Querida, não se preocupe que meu coração resiste a tudo, até a essa gracinha de me chamar moço! Rejuvenesceu-me!

...E o calor vai continuar!

Parabéns para seu irmão! É óptimo estar em Paris em qualquer altura! Mas, é melhor em Agosto: não tem franceses!
rsrsrs

Estou a ficar impaciente, porque não me apetece fazer nada, nem pintar!

Vou dar um mergulho!

BB fresquinhos,
António

Helô Müller disse...

Imagino que suas magníficas obras, sejam como filhos, que quando crescem, até admitimos soltá-los no mundo, mas sem perder contato jamais!! rs
Oxalá a felizarda que adquiriu tão grandiosa tela, emita sinais de fumaça! rs
Parabéns e obrigada pelo seu notório talento!
Bj
Helô

A.Tapadinhas disse...

Helô Muller: É preciso preparação psicológica para encarar da melhor maneira a separação do ninho confortável e protector...

Para mim, é prova de amor pelo artista e pela obra, quem é capaz de pagar para poder usufruir do prazer de a contemplar, sempre que quiser. Não tenho dúvida que esta estará bem entregue!

Obrigado pelas suas amáveis palavras!

Beijo,
António

Graça Pereira disse...

Meu Querido
Não acho nada de Quixotesco! A senhora deveria conhecer a obra literária...olhou a tela e pensou: Nem mais é isto que me convém!
E antes que fosse tarde demais...a senhora apressou-se! Quem o não faria...se tivesse possibilidades?
Até Cervantes...se já não estivesse a...dormir...Seria ele o primeiro candidato.
Parabens pelo sucesso!
Beijo
Graça

A.Tapadinhas disse...

Graça Pereira: É muito definidora da personalidade e sensibilidade de cada um, a maneira como reagimos ao que nos acontece.

Neste caso, a tua imaginação de escritora de estórias, já tem o perfil para a heroína da minha crónica.

Parabéns e obrigado!

Beijo,
António

caminhante disse...

esta é uma das favoritas, até agora... mas, ainda não explorei a galeria toda. pena que a "senhora nova, muito bonita e elegante" não tenha sido eu. adoraria ter esta magnífica tela na minha sala.

abraçinho...

Nilredloh disse...

O quadro é absolutamente espectacular. Divina a senhora... e o quadro!:)

Um grande abraço, António,

Jorge