sábado, 3 de janeiro de 2009

PRIMAVERA




Primavera Acrílico sobre Tela 100x100cm

Antonio Vivaldi descreve a chegada da Primavera como uma festa da natureza. Nos solos dos violinistas, está reproduzido o canto dos pássaros e o murmúrio dos riachos afagados pela brisa suave e fresca. Podemos imaginar a dança das ninfas e dos pastores, sob o brilho do sol primaveril, depois do rugido dos trovões e da luz lívida dos relâmpagos iluminando o manto negro das nuvens características do Inverno.
Esta foi a imagem sonora de Antonio Vivaldi que podem ouvir no vídeo. Esqueçam os produtos que esta música já vendeu – se puderem…
A imagem visual da Primavera, de António Tapadinhas, está logo a seguir. Esta ainda não vendeu nada…

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

ANO NOVO



Inverno Acrílico sobre tela 100x100cm

Foi a ouvir o concerto para violino e orquestra, “As Quatro Estações”, de Vivaldi, que encontrei a inspiração para executar este quadro. Logo no início, os acordes dissonantes da orquestra lembram os gélidos ventos e a queda de neve, com o violino em escalas descendentes e harpejos, imitando o canto dos pássaros ávidos do calor do sol. Curiosamente, quando procurei a ilustração para esta postagem, surgiu-me esta encenação do concerto em que as cores dos fatos dos personagens são iguais às que utilizei no meu quadro.
Esta obra foi feita por mim com as mãos a tremer de frio, a ser atingido pelos ventos cortantes que, apesar das portas e janelas fechadas, entram pelas frinchas do meu estúdio…
Mas é com o coração quente que desejo a todos os amigos um Feliz Ano Novo!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL


Tomar Rio Nabão Óleo sobre Tela 90x105cm

Tomar é uma cidade de que eu guardo gratas recordações. Passei lá um período muito importante da minha vida, à sombra do Convento da Ordem de Cristo e do Castelo Templário fundado em 1160 por D. Gualdim Pais, Mestre Provincial da Ordem do Templo. Quando os Templários começaram a ser perseguidos em França por Filipe, o Belo, Portugal recebeu os membros da Ordem, em reconhecimento dos serviços prestados, nomeadamente nas guerras de Reconquista que expulsaram os mouros da Península Ibérica. O Infante Dom Henrique, grão-mestre da Ordem, soube utilizar os recursos e os vastos conhecimentos de que dispunham sobre navegação, para o êxito dos descobrimentos portugueses. O seu poder, diz-se, resultou directamente de documentos e tesouros encontrados na sua sede, situada no Templo de Salomão, em Jerusalém, nomeadamente o Santo Graal, o cálice onde foi recolhido o sangue de Jesus Cristo e que foi usado na última ceia.
Convoco o misticismo desta cidade, do seu rio, e dos Cavaleiros do Templo para desejar a todos os meus amigos Feliz Natal e um Ano Novo cheio de paz, saúde, amor e grandes realizações artísticas.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O OLHO DE ULISSES


Olho de Ulisses Óleo sobre Tela 120x120cm

Há uns anos, resolvi fazer uma série com pormenores de embarcações da região, utilizando as suas formas elegantes e funcionais e os elementos decorativos pintados no seu casco, nomeadamente flores, as santas padroeiras, das quais a Nossa Senhora da Boa Viagem é um exemplo, e os olhos pintados na proa de alguns barcos que, ao contrário do que se poderia pensar, não serve apenas para ornamento. Já na antiga Grécia, desenhar ou gravar olhos nos objectos servia de mágica protecção contra o mau-olhado para os defender e aos seus donos, das invisíveis forças do mal. Neste caso das embarcações, a sua origem é atribuída a Ulisses, o lendário guerreiro grego.
Não sei se tem algum efeito em termos de protecção, mas que são bonitos, lá isso, são!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008


Invenção do Alfabeto Acrílico sobre Tela 100x100 cm

Na exposição que está a decorrer, estive a rever algumas fotografias de obras abstractas antigas, de entre as quais retive esta, que me lembrou a intenção que tinha de fazer uma série com as diversas invenções que transformaram o homem naquilo que é hoje, para o bem e para o mal. Nesta “Invenção do Alfabeto” de 2001, transformei a tela num terreno, pintando-a com tons terra, ocres e amarelo de Nápoles, para ser possível estudar neste “campo” as culturas e os modos de vida do passado, com os vestígios materiais que ia pintando. Cheguei até aos nossos dias, mostrando as estruturas de casas, arranha-céus incluídos, para deixar aos vindouros a possibilidade de compreenderem os valores culturais da nossa geração. Gostei tanto da já esquecida ideia que estou a considerar a hipótese de continuar a série.
O que acham?

sábado, 6 de dezembro de 2008

Entre 4 e 7 de Dezembro, realiza-se a 2.ª Mostra Internacional de Cinema Alternativo "Cão Amarelo", com um extenso programa, com várias sessões de cinema, perfomance, ateliers e uma Exposição de Pintura. Para mais informações www.caoamarel.blogspot.com

Exposição de pintura de António Tapadinhas
“O Mundo é um Caleidoscópio”

Nesta exposição, o artista pinhalnovense mostra uma vertente, talvez menos conhecida, da qualidade multifacetada da sua já extensa obra: a pintura abstracta.As peças foram especialmente escolhidas para um público que não se identifica (ou rejeita!) a arte figurativa por a considerar conservadora, ultrapassada. Nelas, pode descobrir-se facilmente um fio condutor que resulta da preparação cuidadosa, que não invalida, antes pressupõe, a criatividade natural e a espontaneidade.É uma exposição de emoções; sem elas estas obras não teriam certamente sido criadas.A exposição será inaugurada com a presença do artista. Ficará patente até dia 12 de Dezembro.

TAPADINHAS E 59ª POESIA


Um plano de conjunto da exposição

Foi pois na Quinta-feira 13 que se fez a inauguração da exposição de pintura de António Tapadinhas. A exposição conta com 19 obras, todas elas dentro do abstracto, abordando vários temas, como as quatro estações do ano, a música, a cidade e o cosmos. Para além da tertúlia que estas ocasiões naturalmente proporcionam, a noite foi também a 59ª sessão de poesias que, como não poderia deixar de ser, contou com a tribo do costume e também com a intervenção do artista com um poema de António Gedeão. Depois do poema infinito de Flankus, na fase final António Xavier escolheu um poema sobre o infinito. E foi a ouvir este poema que os presentes, contemplaram um quadro à sua escolha, numa experiência que depois valeu mais uma pequena tertúlia e se prolongou pela noite afora. A exposição estará patente até dia 12 de Dezembro.


António Tapadinhas à conversa com o público.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

CUBISMO


Olhão Óleo sobre tela 100x100cm

A cidade de Olhão situada no coração do Algarve, tem um aspecto panorâmico único no País, na Europa e talvez no Mundo, devido à estrutura das suas casas com a forma de cubos sobrepostos, que se encaixam por entre ruas estreitas, fazendo lembrar uma Medina. Os terraços (soteias ou açoteias) substituem com vantagem os telhados tradicionais, pois podem ter diversas funções, das quais, uma das mais evidentes, será a sua utilização como um espaço privado para apanhar o fresco das noites de Verão. Não serve, contudo, para recolher as águas da chuva para cisternas, como se poderá julgar por comparação com Marrocos: o nome da cidade deriva de sítio do olhão, rico em poços de água doce. A riqueza da pesca permitiu aos seus habitantes, no final do século XVIII, transformar os casebres de madeira em casas cúbicas de pedra e cal branca, com as suas chaminés rendilhadas e as açoteias em vez de telhados.
Sobre a execução da tela. Procurei tons de azul nas sombras para realçar a brancura das casas, com os mirantes, as torres e as chaminés tão características. Misturei areia à tinta de óleo para tornar natural a textura e os reflexos da luz. Criei a moldura com as mesmas tintas e textura da tela, para sugerir a continuidade do espaço da Cidade cubista antes de Picasso!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

BOCA DO VENTO


Guarita Óleo sobre tela 70x90cm

Já falei na beleza da travessia do Tejo numa daquelas embarcações a que chamamos cacilheiros porque fazem a viagem para Cacilhas. Julgo que pouca gente saberá donde deriva este nome. Conta a lenda, que no actual largo, estacionavam muitos burros esperando o desembarque dos passageiros interessados em fazer um passeio turístico por Almada. Quando angariava um cliente o dono do burro gritava ao seu ajudante “dá cá cilhas” para aparelhar o burro para o serviço. E assim nasceu o nome Cacilhas.
Esta tela é uma das que foi roubada no aeroporto de Barcelona, nas circunstâncias que relatei em postagem anterior.
Achei interessante o contraste entre a guarita abandonada e o elevador panorâmico da Boca do Vento (na altura em construção), que permite subir uma colina de 50 metros, sem nenhum esforço, para ver um soberbo panorama de Lisboa, a cidade das sete colinas. Era um dos locais onde eu ia à pesca antes das obras que transformaram o local numa zona ajardinada à flor da água, com restaurantes e esplanadas, para turistas.
Por falar em beleza: passei um fim-de-semana alargado no Algarve, para estar com a minha filha Elsa e o meu neto Rafael que fez cinco meses...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

COZINHA ALENTEJANA


Cozinha Tradicional Óleo sobre Tela 60x70 cm

Quando era criança, passei algumas férias do Natal e as chamadas férias grandes, numa aldeia do alto Alentejo, chamada Torre das Vargens, de que era natural meu pai. Passava uns dias alucinantes na casa da minha avó, numa região em que predominavam os montados de sobro, pertencentes à Casa do Marquês de Fronteira, com imponentes touros bravos que só não incomodavam as cegonhas, senhoras dos céus.
Na minha viagem à Grécia, fiz um cruzeiro maravilhoso às suas ilhas: Mykonos, Rodes, Patmos… Ao entrar nas casas dos seus simpáticos habitantes, ao ver os utensílios que usavam para cozinhar, lembrei-me da minha infância: parecia estar a entrar na velha cozinha da minha avó.
Com os mesmos utensílios, com ingredientes semelhantes, incluindo o azeite de oliveira (há outro?), não admira que a comida alentejana seja tão marcadamente mediterrânica. Faz-se com uma boa dose de simplicidade, temperada com as ervas que perfumam o campo, combinadas com imaginação, quanto baste: o suficiente para nos sentirmos felizes.
Bom apetite!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

TEJO CINTILANTE


Caldeira da Moita Acrílico sobre Tela 30x90cm

Este é o aspecto actual da Caldeira da Moita na preia-mar. Digo actual, porque estão projectadas obras que poderão alterar substancialmente esta visão. O formato panorâmico desta tela permite formar uma ideia da sua beleza.
A embarcação que se destaca neste quadro é o varino “Boa Viagem”, da Câmara Municipal da Moita, restaurado em 1981.
O seu nome teve origem nos "ovarinos", embarcações de Ovar. Barco típico do Tejo, servia para transportar carga, e tal como a fragata, também era de casco bojudo, mas mais elegante e sem quilha. O seu fundo liso permite-lhe singrar em águas pouco profundas, adequando-se perfeitamente à navegação nos esteiros do Tejo.
Aparelhava uma ou duas velas de estai substituindo o latino triangular por um quadrangular, num mastro inclinado para a ré. Tinha duas cobertas com anteparas, porão com paneiros e ainda bordas falsas para um melhor acondicionamento da carga.
É uma embarcação muito elegante, e simultaneamente muito robusta.
Os varinos vão continuar a sulcar o Tejo, não para transportar mercadorias, mas para navegar ao serviço de cidadãos interessados em ver o rio de um ângulo diferente. Condenados a apodrecer, esta é a segunda oportunidade dos varinos, recuperados e prontos para iniciar uma nova vida…
Quem não gostaria de ter uma segunda oportunidade?

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

TEJO CINTILANTE


Chegada a Lisboa Acrílico sobre Tela 54x65cm

Barreiro – Terreiro do Paço
Esta é uma das telas da exposição.
A imagem foi captada de barco, quando se faz a travessia de Barreiro para Lisboa, Terreiro do Paço.
Por causa da Sé, o edifício que domina a parte centro-esquerda (não é partido politico:) do quadro, todo o conjunto ficou com aquela tonalidade rosa suave que se pode encontrar em algumas gravuras antigas das cidades.
Confesso que gosto muito desta obra. Quem a vê, também gosta. Mas continua a ser uma das poucas que continua sem comprador... A razão não é o preço.
Terei de modificá-la? Dar mais textura à tela? Fortalecer as cores?
Eu, por mim, não a mudava... e não me importo de tê-la na minha casa!
O que acham?

domingo, 26 de outubro de 2008

PÁSSAROS DE FOGO


Flamingos no Rosário Acrílico sobre Tela 25x56cm

Este quadro é o número um da exposição “Tejo Cintilante”. Não houve nenhum motivo especial: simplesmente, aconteceu. No entanto, a minha filha Elsa que não esteve presente, quando me telefonou a desejar aquilo que uma filha querida deseja para o seu pai, pediu-me para lhe enviar uma fotografia da última obra que tinha feito para a mostra, porque alguém lhe tinha dito que era espectacularmente bela. Aconteceu também que esta foi adquirida, logo na abertura da exposição. Todos, sem excepção, achavam algo de especial nela. Chegaram ao ponto de dizer que seria um documento histórico, porque daqui a alguns anos, com a pressão urbana, os locais em que vivem os flamingos terão desaparecido, e o quadro seria um dos testemunhos vivos da sua presença na zona dos esteiros e sapais da Moita.
Depois de pensar um pouco sobre o assunto, quero confessar que, desta vez, foram os meus amigos que me ensinaram a ver a obra que eu tinha criado: manter o espírito aberto para aprender, é um sinal de humildade que eu gostaria de manter...
Sobre a execução da obra, foram os flamingos, pássaros-de-fogo, que me deram a inspiração para cobrir todo a tela com o meu mais profundo e afogueado laranja. Todas as outras cores nunca chegam a esconder a chama que está por baixo delas: vibra por entre as núvens, espreita nas águas do Tejo, fornece luz às casas e dá o tom róseo aos flamingos!
Aguardo, com interesse, a vossa opinião!
(clic sobre a imagem para a ver com maior dimensão)
Outro assunto.
Deixei cair no chão a minha máquina digital. Como resultado, todas as fotografias que tirei ou tiraram na exposição estão em local incerto (com a “Amelinha”, e sua protecção nada acontecia, não era, Ernesto?). Tirei algumas, com o meu telemóvel, mas não as vou publicar até ter a certeza que as outras estão perdidas, ou aproveitar alguma dos repórteres dos jornais.
Espero que não se importem com a troca: quero que as vedetas sejam as minhas obras!

E pronto! Ontem tive um dia cheio de emoções, em que revi amigos e conheci pessoas interessantes. Finalizei o dia, em minha casa, com familiares e amigos...
Conhecem melhor maneira de passar um dia especial?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

EXPOSIÇÃO "TEJO CINTILANTE"





(verso do convite)
António Tapadinhas, artista multifacetado, nascido no Pinhal Novo, em 1942, já foi distinguido com diversos galardões, em áreas tão diferentes como Pintura, Desenho, Artes Gráficas, Literatura, Xadrez, Bilhar…
Em Setembro deste ano, foi-lhe conferido o Título e Diploma de Académico Correspondente da Academia Metropolitana de Letras, Artes e Ciências, AMLAC, de São Paulo, Brasil.

António Tapadinhas, tem o prazer de convidar V.ª Ex.ª para a inauguração da Exposição de Pintura "TEJO CINTILANTE", que se realiza no dia 25 de Outubro de 2008, pelas 10.00 horas, na Sala de Exposições da Galeria Municipal do Posto de Turismo da Moita.

Vou estar presente durante todo o dia para receber os amigos que me derem a honra da sua visita.
Até lá!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008


Camarros Óleo sobre tela 100x100cm

Até ao século xv, Barreiro esteve integrado num concelho chamado Riba Tejo que abrangia a região entre Alcochete e a Ribeira de Coina. Foi em 1512 que D. Manuel I outorgou a Carta de Foral ao local que era uma povoação ligada à pesca, à salicultura, à moagem, à olaria, mas que esteve na génese da Expansão Marítima graças à construção naval e às fábricas de biscoitos para os marinheiros das naus. Foi elevada a cidade em 1984, mas os habitantes do Barreiro, barreirenses, continuam a sentir-se honrados com o seu primeiro nome, atribuído aos pescadores que utilizavam as terras barrentas para acolhimento e descanso: cama sobre o barro ou Camarro.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

AVIEIROS


Bateiras de Avieiros Acrílico sobre tela 50x50cm
(Tela que será apresentada na Exposição "Tejo Cintilante", a partir de 27 de Outubro, na Galeria de Arte, do Posto de Turismo da Moita).

Avieiros são os pescadores oriundos da região centro do país, principalmente de Vieira de Leiria, que procuraram o seu sustento no Vale do Tejo e no Estuário do Sado. O movimento migratório foi tão forte que ficaram conhecidos como os ciganos do rio. Inicialmente rejeitados pelos habitantes locais, viram-se obrigados a viver nos seus barcos, o que justificou assim a frase que considerava a sua embarcação como o berço, a câmara nupcial e a tumba.
As características mais evidentes da bateira do avieiro, são os dois bicos com a proa e a popa igualmente arredondadas para romper as ondas com facilidade e, também, as suas cores berrantes.
Com o decorrer do tempo, fixaram-se nestas zonas, onde construíram pequenas casas de madeira, que foram pintadas com as mesmas cores dos seus barcos. As casas destas aldeias foram edificadas sobre vigas para evitar as cheias do Tejo. A aldeia de Palhota é das poucas que mantém a originalidade da sua construção palafita e que alguns bem-intencionados procuram preservar, como um traço de união com o passado.
Mais uma vez, é a tentativa de sobrevivência de um tipo de vida em vias de extinção.

domingo, 5 de outubro de 2008

FRACTURA





Fractura Acrílico sobre tela 3x70x60cm

Este tríptico foi criado para uma sala de estar de dimensões generosas,
que tinha os seguintes elementos:
Um sofá Stark de tecido cinzento, com os pés em aço tubular, um cadeirão “Alessandra”, preto e branco, do designer Javier Mariscal, uma mesa e cadeiras de cor creme com tampo de vidro. A porta, que dava para uma ampla varanda, tinha uns cortinados de veludo vermelho.
Sabia que o jovem casal gostava de mudar a disposição dos móveis da sala. Como podem ver, cada um dos elementos (traços e cor) do tríptico tem a sua continuação, no elemento seguinte qualquer que seja a ordem por que sejam colocados. Podem inclusivamente ser separados, que cada um deles mantém a sua força. A assinatura na horizontal, com a data no sentido vertical, permite também, inverter a sua posição sem escandalizar quem apreciar a obra...
Ou o seu autor!

domingo, 28 de setembro de 2008

PREIA-MAR


Moinhos de Alburrica Óleo sobre tela 70x100cm

Quando apresentei um trabalho com os moinhos de Alburrica, falei do interesse para o património do Moinho Grande. Disse na altura:
Apesar da sua reconhecida importância histórica, por causa das modificações ambientais no estuário do Tejo, ou da ondulação provocada pelos catamarãs, ou pelo conjunto destes dois factores, pois como se sabe, um mal nunca vem só, se não forem tomadas medidas para evitar o ataque aos seus alicerces, estes três moinhos estão em risco de ruir, principalmente o Moinho Grande, único no país, segundo alguns historiadores.
Não estava muito visível nesse trabalho, o risco em que eles se encontravam por estar na baixa-mar. Nesta tela, dá para imaginar as ondas a retirar a areia dos alicerces dos moinhos de Alburrica.
Disse La Fontaine: Trabalhai, fazei alguma coisa: é o alicerce mais seguro.
Ele não se referia a moinhos: eu sim!

domingo, 21 de setembro de 2008

Entardecer em Moçambique


Regresso da Faina Óleo sobre tela 80x100cm

Esta tela foi feita a partir duma fotografia tirada por um grande amigo, que numa certa altura da sua vida, viajava pelo mundo, como auditor dum banco português. A calma, a paz que se traduz nas cores suaves do entardecer, fascinaram-me desde que a vi. Julgo ter transmitido com fidelidade esses sentimentos, para o quadro.
Passámos muitos anos, a ir à pesca, sempre que tínhamos oportunidade. Raro o fim-de-semana que, no Inverno ou no Verão, a nossa equipa não se deslocava para os diversos pesqueiros, de acordo com os estudos científicos (leia-se, palpites) efectuados, para determinar qual o local mais certo para apanhar peixe.
Para não perder o treino, ele procurava nas suas deslocações fazer aquilo que mais gostava: pescar.
Já nessa altura, nos seus relatórios, ele pescava alguns tubarões. Pelos vistos, não os suficientes, atendendo à actual situação dos bancos…

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A PRIMEIRA LIÇÃO DE PINTURA





Pintar? Deixa-me rir!




Os azuis são interessantes!



Rafael, o pintor renascentista italiano, considerado um dos maiores artistas de todos os tempos, recebeu a primeira lição de pintura de seu pai, o pintor Giovanni Santi. Não se conhece com que idade este transcendente facto aconteceu.
Durante uma cuuuuuurta semana esteve em minha casa o meu neto, Rafael.
Para que não restem dúvidas, deixo aqui o registo da sua primeira lição de pintura.
Quando nasceu, escrevi:
“Os seus pais escolheram para ele, na mais completa liberdade, o nome de Rafael, como o arcanjo que foi enviado por Deus para curar em Seu Nome. Se ele se tornar pintor não terei nada a ver com o assunto, como é óbvio...”
Obviamente, a partir de agora, assumo todas as culpas!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Vista do Castelo de S. Jorge
Óleo sobre tela 80x105cm
Uma visão de Lisboa, tirada do Castelo de S. Jorge, que mostra algo insólito nesta colina: espaços verdes e terrenos sem construções!
Como sempre, os telhados e as fachadas dos prédios estão presentes, mas desempenham um papel mais secundário.