Às vezes o Azul Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre Tela 100x100cm
Numa entrevista, que dei há dias para um jornal, ficou expresso o que penso sobre a pintura e a sua relação com o meio em que vivemos. Lendo outras entrevistas, cheguei à conclusão que o meu blogue seria o lugar certo para guardar o meu pensamento, com a vantagem de o poder partilhar com os meus amigos. Começo hoje.
Na sua perspectiva que relação deve prevalecer entre a Arte e a Verdade? A Arte é honesta?
Todos nós conhecemos aquela história da mãe que, ao ver o filho a marchar, exclama, embevecida: “ Reparem, só o meu filho é que leva o passo certo!”. Em Arte, acontece com demasiada frequência, que toda a gente está enganada e só esse maluco, esse visionário, esse marginal, o insignificante artista é que tem razão. A história está cheia de casos desses. É próprio do génio dar ideias que qualquer imbecil pode aproveitar anos depois. Esta terrível certeza condiciona a apreciação da Arte e a valorização dos artistas: todos os críticos encartados, os museus, os coleccionadores têm dificuldade em distinguir o génio da loucura. Não estão suficientemente distanciados para apreciar o que acaba de nascer e, por isso, para evitar erros, raramente são claros em separar a Arte do lixo. Estou a excluir desta apreciação os lóbis, as preferências políticas ou sexuais que, consoante as épocas e os locais, podem fazer a diferença entre a glória e a morte.
Não se pode admirar o Sol olhando-o directamente.
