quinta-feira, 25 de outubro de 2007

SÉRIE - AS CIDADES DAS EMOÇÕES

Sé de Lisboa - óleo sobre tela (90x100)
A IMPORTÂNCIA DA EMOÇÃO

Conforme disse na apresentação desta série, coloquei lado a lado, quadros com estilos diferentes, para incentivar a reflexão sobre um tema quente, sempre actual, da Arte contemporânea.
Era esta obra que estava ao lado da “Cidade dos sonhos”. As cores que utilizei para o “sonho”, foram transpostas para esta visão de Lisboa.
No comentário sobre “Siderurgia”, mencionei a diferença entre a visão “objectiva” da máquina fotográfica e “subjectiva” do pintor. As aspas que então coloquei tinham um significado que merece ser esclarecido.
Nas exposições o criador é naturalmente procurado para explicar determinados pormenores das obras, ou para receber uma grande variedade de comentários ou elogios dos visitantes. Um dos mais comuns para uma obra deste género é: “Oh!, está tão realista! Parece uma fotografia”. Estas palavras ditas como um elogio, limitam-se a constatar a capacidade técnica, académica, do artista. No início das minhas apresentações em público, este “elogio” satisfazia o meu ego. Agora, prefiro ouvir um comentário sobre o ambiente, a sensação, a emoção que a obra causa. Quando ouço aquele elogio, apetece-me gritar:
- Por favor, emocione-se!

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

SÉRIE - AS CIDADES DAS EMOÇÕES

A CIDADE DOS SONHOS - óleo sobre tela (4 telas de 25x30)
O caminho faz-se caminhando.
Esta obra, pouco ambiciosa no princípio, começou a ganhar forma na minha imaginação, à medida que a executava. Tinha planeado nesta série fazer uma cidade de sonho, com as dimensões de 100x120 cm. Para transmitir a sensação de misticismo, pensei executar a obra com uma paleta de cores dominada pelas cores-pigmento terciárias. Abro um parêntesis para explicar aos meus amigos mais interessados o que é isto de cores terciárias.
Para os pintores o vermelho, o azul e o amarelo, são consideradas as cores primárias. Nenhuma combinação de outras cores pode reproduzir uma cor primária. No entanto, com estas três cores, mais o branco e o preto, podemos reproduzir todas as cores da natureza. A mistura por pares das cores primárias produz as cores secundárias. Misturando uma cor secundária com uma primária, obtemos uma cor terciária. Chegados aqui fecho parêntesis.
De entre as cores terciárias queria usar e abusar do violeta, combinando-o preferencialmente com carmim, azul ultramarino e verde esmeralda. Como esta era uma gama de cores que eu pouco usava cortei uma tela de 25x30cm, que era um quarto da dimensão que pretendia e lancei mãos à obra. Esta seria “um quarto de sonhos” :)
Adorei a tela acabada. Sabia que seria irrepetível o resultado. Tive uma daquelas ideias brilhantes que, de vez em quando, nos assaltam: continuar, sem deitar fora o trabalho já feito, com mais três telas, que completassem a dimensão que tinha planeado para a obra final.
Assim fiz... e o trabalho aí está para a vossa apreciação crítica.

domingo, 21 de outubro de 2007

CONVITE PARA UM CAFÉ

Convite para um café - óleo sobre tela (80x100)
CONVITE PARA UM CAFÉ
Esta tela está em Zambujeira do Mar, num monte alentejano que pertence a um grande amigo meu. Está lá, porque um grupo de nossos amigos convidados para o seu aniversário, soube do seu interesse por esta obra e, com muita pena minha em desfazer-me dela, foi a prenda de anos que lhe ofereceram.
De vez em quando, passo uns dias no monte para fazermos grandes (ás vezes pequenas, mas não é o mais importante) pescarias na foz do rio Mira, ou nas praias da costa alentejana. No monte, sento-me numa cadeira com fundo de palha, semelhante à que tenho na tela, frente a frente, separados por uma mesa. Porque aquele lugar na cadeira, não está vazio: Vincent Van Gogh está lá sentado. Eu vejo-o lá: os seus cabelos e barba vermelhos, o seu rosto anguloso com rugas bem vincadas e, sobretudo, os seus penetrantes olhos verdes a dizer-me ... não me atrevo a dizer o quê....
Lembrei-me de incluir este trabalho no blog por causa da senhora, a quem o nosso bom amigo Gorrion chamou de “princesa del Altillo”, me ter felicitado pela inclusão de “A casa amarela”, do grande mestre Van Gogh. Pensei comigo: afinal não sou só eu que o adoro. Esta obra foi feita em sua homenagem.
Obrigado a todos pelo calor das vossas palavras e faço-lhes um convite irrecusável:
Vamos beber um café com Vincent?

sábado, 20 de outubro de 2007

MARIONETAS



Marionetas - aguarela sobre papel (33x28)

MARIONETAS

Desculpem a má qualidade da fotografia mas é a única que tenho capaz de ilustrar a explicação que se segue. Sei quem me comprou esta obra, mas até tirar nova foto o comentário iria perder actualidade.
Devem ter notado que adicionei uma foto no meu perfil. Desde o princípio, era minha intenção fazê-lo mas por um motivo ou outro (aqui para nós, o principal é a minha falta de competência/má relação com o computador), o raio da foto nunca ia parar onde eu queria! Com a dica dum amigo, resolvi o problema. Já não me sinto como alguém que num baile de máscaras, quando toda a gente tirou a sua, teimosamente, mantém a caraça a ocultar-lhe o rosto.
Agora mostro a cara.... o meu coração estou a desvendá-lo desde o início.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

SÉRIE - AS CIDADES DAS EMOÇÕES


A cidade da noite - acrílico sobre tela (40x50)
A cidade da noite

Nesta obra, entre a concepção, o esboço inicial e o resultado final, qualquer semelhança é pura coincidência. Pensei dividir uma tela com duas cores de forte contraste – magenta e azul da Prússia. Depois da aplicação generosa com a espátula, planeei fazer cortes longos na vertical e curtos na horizontal de maneira a sugerir uma grande metrópole. No esboço em papel, aumentei, através da cor, a sensação que pretendia provocar.
Atirei-me decidido para tela. A espátula carregada de cor cobria a tela branca e a navalha abria as janelas de imediato para não deixar secar a tinta acrílica que, ao contrário do óleo, seca rapidamente. No momento certo (?) parei para ver o progresso da obra e planear os passos seguintes. Recuei até à extremidade do meu estúdio para apreciar o trabalho produzido. Fiquei siderado – senti que a obra estava pronta. Quando me aproximei dela, foi para a assinar.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

SÉRIE ÓPERA E BAILADO


D. Quixote - óleo sobre tela (80x100)

Foi há quatrocentos e dois anos que saiu a primeira edição do livro El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha – quatro séculos de influência na cultura do mundo moderno. Tanto tempo decorrido e continua a fazer falta o nosso herói : “Vou a castigar insolentes e a endireitar tortos”.
Com esta minha obra aconteceu um facto estranho.
No segundo dia da exposição, já perto da hora do fecho, passei pela galeria para saber das impressões do público. Qual não é o meu espanto quando vejo, no sítio onde devia estar a obra, um letreiro a dizer vendido. Tinha dado instruções para que todas as obras ficassem em exposição, e só no final deveriam ser entregues aos eventuais compradores. Perguntei à encarregada da galeria o que se tinha passado. “Muito simples – disse ela – uma senhora nova, muito bonita e elegante (não são todas?), tinha de apanhar o avião para Buenos Aires e queria levar o quadro. Depois de pensar o que devia fazer, disse que o entregava mas exigi que me pagasse em dinheiro. Ela disse que sim, foi ao Banco ali ao lado e deu-me o dinheiro todo. Saiu toda contente”.
Quem não ficou muito feliz com a história fui eu. Até hoje não sei onde para esta obra. Refiro o caso porque (quem sabe?) pode dar-se a coincidência do meu blog ser visitado pela pessoa que o comprou e contactar-me. Seria uma grande alegria reencontrá-lo.
Disse Woody Allen: “Por que Deus não fala comigo? Se Ele pelo menos tossisse”.
Quixotesco, não acham?

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Baixa-mar - Tinta da China sobre papel Kraft (100x100)
Esta peça ganhou a menção honrosa no "Prémio de Desenho Américo Marinho", da Câmara Municipal do Barreiro.
Siderurgia - Óleo sobre tela (73x92)

AS CIDADES DAS EMOÇÕES

AS CIDADES DAS EMOÇÕES

Na procura de temas para as minhas pinturas, a cidade mais próxima da minha casa é o Barreiro. É uma cidade de contrastes e por isso mesmo, muito interessante.
Foi o principal eixo da ligação Norte Sul, por causa do Caminho de Ferro e da travessia entre as duas margens do Tejo. Foi um importante centro corticeiro. A indústria química, cujo expoente máximo foi a CUF – Companhia União Fabril, onde chegaram a trabalhar mais de 8.000 operários, era a maior do País.
Em frente, separados pelas águas do Tejo, florescia a Siderurgia Nacional.
Qualquer destes pólos de desenvolvimento apresentados como um alicerce da economia, foi ultrapassado pela dinâmica do sistema, deixando feridas ambientais que só agora começam a ser tratadas.
Quando fui convidado pela câmara Municipal do Barreiro para fazer uma exposição, pensei apresentar o contraste entre a visão objectiva (?) da máquina fotográfica e a visão subjectiva (!) do pintor.

domingo, 14 de outubro de 2007

PÁSSARO AZUL

O pássaro azul - acrílico s/tela (60x30)

PÁSSARO AZUL

Pintor e o Pássaro Azul

Numa doce manhã
um suave regresso
qualquer coisa que há no ar, um passarinho azul
está pairando, esvoaçando
a cantarolar, dá uma volta
uma volta e meia
e quando volteia pousa no seu olhar
No coração que meigo e terno bate
está uma ideia
feita uma aguarela, amarela
que volteia na tela
e do meio do branco vazio
que era nada
um passarinho azul que sai
correndo através da manhã
Feito um pedacinho de lã
vai voando, cantarolando
da fantasia que foi um dia
da saudade de partir, do regresso
até que de novo encontra um papel
um outro olhar
uma ideia feita um arco íris
qualquer coisa que está no ar

P.S.: Este Pássaro azul, bem real, usufrui de uma constante capacidade de mutação. Primeiro pássaro verdadeiro, depois poema e música, um outro poema a seguir que o transforma na tela, e de novo bem real vem comer milhos à mão. Está inscrito num livro de contos, de seu nome "O Espírito dos Pássaros", que tem uns meses de acabado e, talvez, acabe publicado um destes dias, provavelmente, pela Editorial CÊAV. Aguardemos. Para já está disponível em word e será gentilmente cedido a quem por ele se interessar.
A pintura é do António Tapadinhas e o poema é do Luis Carlos dos Santos.



História do Pássaro Azul

Uma noite, depois da reunião do Conselho Editorial do jornal “O Rio”, estava em amena cavaqueira com o meu amigo Luís Santos, quando fomos surpreendidos pelo bater de asas de uma ave que tentava desviar-se do candeeiro que iluminava a rua. Não conseguiu evitar o choque e a queda a nossos pés. Num movimento instintivo apanhei-a do chão e como recompensa levei uma forte bicada no dedo. Apesar da dor não larguei a ave que Luís disse ser uma caturra. Confessei-lhe a minha surpresa porque, uns dias antes, eu tinha apanhado um periquito azul, que parecia estar à minha espera na rua. Dois casos com duas aves exóticas que estão agora na minha casa (A propósito, a caturra imita o meu assobio na perfeição: já sabe “a raspa”, as cinco estrofes da “5ª. Sinfonia de Beethoven”, “parabéns a você”, o hino nacional, o hino do Benfica, “jingle bells”).
Luís achou estranha a coincidência porque também ele tinha uma história recente com um pássaro azul que o tinha inspirado para um poema. Disse-lhe que gostava de lê-lo e no dia seguinte recebi no meu correio o belo poema “O pintor e o pássaro azul” do meu amigo Luís Carlos Santos. Do poema recolhi a inspiração para a tela que chamei “Pássaro Azul”. A história que a obra pretende contar é propositadamente dúbia: a criança está a chamar ou fazer adeus à ave que acabou de libertar?

sábado, 13 de outubro de 2007

Sagração da Primavera - acrílico sobre tela (60x100)
A execução desta tela, foi o oposto do que aconteceu com "Rhapsody in blue". O que a outra teve de instintivo, teve esta de intelectual. Fiz uma série de esboços, experimentei toda a minha paleta, fiz transparências, empastes... Nada me satisfazia. Parecia estar num beco sem saída. A dada altura, quase a desistir, porque não encontrava "a" solução, inconscientemente ia garatujando no papel figuras estilizadas de bailarinos. Quando olhei para a folha e vi o que tinha desenhado, fez-se a luz... A partir daí foi fácil.
Stravinsky disse sobre a sua obra: "Sonhei com um grande ritual pagão! Tive uma soberba visão repleta dos mais inutisados efeitos sonoros"...
Acho que na apreciação da minha tela eu só substituia "sonoros" por visuais.

SÉRIE ÓPERA E BAILADO

“Sagração da Primavera", bailado em dois actos composto por Igor Stravinsky, é a obra que marca o início do modernismo na história da música. Para além do desafio às regras musicais o seu tema também foi controverso. É a história de uma virgem imolada como oferenda ao Deus da Primavera, num ritual exótico, primitivo e violento, com o objectivo de conquistar as suas boas graças para a tribo obter boas colheitas.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

RHAPSODY IN BLUE

Para simplificar a audição poderá ser feita no arquivo do blog http://clubedomaestro.blogspot.com . A data é sexta-feira, 1 de Junho de 2007 -Rhapsody in Blue de George Gershwin.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

SÉRIE ÓPERA E BAILADO

Rhapsody in Blue - Óleo sobre tela (80x100)


Esta obra foi inspirada na Ópera “Porgy and Bess” de George Gershwin.
Foi criada com o som no máximo, as latas e tubos de azul já abertos, prontos a usar, pincéis alinhados como batutas prontas a ferir o ar, as espátulas como as baquetas dos bombos para ritmar o concerto, a navalha a raspar a tinta, a rasgar a tela, como aquele clarinete que fere os ouvidos e rasga o coração...

Quem não conhece ou não se lembra desta obra, recomendo uma consulta ao blog http://clubedomaestro.blogspot.com/ e ouça a peça pt 1/2, Maestro Leonard Berstein.