Rhapsody in Blue Autor António Tapadinhas
Óleo sobre Tela 80x100cm
Que lugar dedica ao Sonho e à Utopia?
Há uma diferença fundamental entre Sonho e Utopia. A Utopia tem dono: é Thomas More que inventou esse país imaginário onde tudo está programado para assegurar a felicidade de todos; menos a dele próprio porque o rei de Inglaterra, Henrique VIII, o mandou decapitar. Contrariamente, os sonhos não têm dono: todos temos inteira liberdade de sonhar, embora não os possamos comandar. O Sonho é como no dicionário: está primeiro do que a vida.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
PENSO LOGO PINTO I
Às vezes o Azul Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre Tela 100x100cm
Numa entrevista, que dei há dias para um jornal, ficou expresso o que penso sobre a pintura e a sua relação com o meio em que vivemos. Lendo outras entrevistas, cheguei à conclusão que o meu blogue seria o lugar certo para guardar o meu pensamento, com a vantagem de o poder partilhar com os meus amigos. Começo hoje.
Na sua perspectiva que relação deve prevalecer entre a Arte e a Verdade? A Arte é honesta?
Todos nós conhecemos aquela história da mãe que, ao ver o filho a marchar, exclama, embevecida: “ Reparem, só o meu filho é que leva o passo certo!”. Em Arte, acontece com demasiada frequência, que toda a gente está enganada e só esse maluco, esse visionário, esse marginal, o insignificante artista é que tem razão. A história está cheia de casos desses. É próprio do génio dar ideias que qualquer imbecil pode aproveitar anos depois. Esta terrível certeza condiciona a apreciação da Arte e a valorização dos artistas: todos os críticos encartados, os museus, os coleccionadores têm dificuldade em distinguir o génio da loucura. Não estão suficientemente distanciados para apreciar o que acaba de nascer e, por isso, para evitar erros, raramente são claros em separar a Arte do lixo. Estou a excluir desta apreciação os lóbis, as preferências políticas ou sexuais que, consoante as épocas e os locais, podem fazer a diferença entre a glória e a morte.
Não se pode admirar o Sol olhando-o directamente.
Acrílico sobre Tela 100x100cm
Numa entrevista, que dei há dias para um jornal, ficou expresso o que penso sobre a pintura e a sua relação com o meio em que vivemos. Lendo outras entrevistas, cheguei à conclusão que o meu blogue seria o lugar certo para guardar o meu pensamento, com a vantagem de o poder partilhar com os meus amigos. Começo hoje.
Na sua perspectiva que relação deve prevalecer entre a Arte e a Verdade? A Arte é honesta?
Todos nós conhecemos aquela história da mãe que, ao ver o filho a marchar, exclama, embevecida: “ Reparem, só o meu filho é que leva o passo certo!”. Em Arte, acontece com demasiada frequência, que toda a gente está enganada e só esse maluco, esse visionário, esse marginal, o insignificante artista é que tem razão. A história está cheia de casos desses. É próprio do génio dar ideias que qualquer imbecil pode aproveitar anos depois. Esta terrível certeza condiciona a apreciação da Arte e a valorização dos artistas: todos os críticos encartados, os museus, os coleccionadores têm dificuldade em distinguir o génio da loucura. Não estão suficientemente distanciados para apreciar o que acaba de nascer e, por isso, para evitar erros, raramente são claros em separar a Arte do lixo. Estou a excluir desta apreciação os lóbis, as preferências políticas ou sexuais que, consoante as épocas e os locais, podem fazer a diferença entre a glória e a morte.
Não se pode admirar o Sol olhando-o directamente.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
SEM MARGENS NA BLOGALDEIA VI
Sem Título Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre Tela 70x50cm
Na entrada anterior, pedi aos meus amigos e visitantes, a sugestão do título para uma obra de que eu fazia a descrição, enquadramento e técnica usada. Como seria de esperar, as colaborações foram muitas e de grande qualidade.
Um amigo, deixou-me o seguinte comentário:
Deixo-te um desafio. Correndo apenas o senão...de não ser do teu agrado.
…
Nem que seja um mero exercício. Apresenta uma tela tua, com título, e sem a descrição ou brilhante narrativa como fazes.
Deixa ser o teu visitante, a descobrir (a interrogar) a sensibilidade da tua criatividade. Depois... BUM! Descoberta do facto.
Pois bem! O desafio foi aceite, mas com um pormenor diferente: o quadro não tem título para não cercear a criatividade a ninguém.
A tela está aí: é toda vossa!
quarta-feira, 11 de maio de 2011
SEM MARGENS NA BLOGALDEIA V

Entrada Autor António Tapadinhas
Óleo sobre Tela 100x100cm
Numa postagem anterior, apresentei o quadro, “Cozinha Alentejana”, que mostra o interior de uma habitação. A entrada para esse local de delícias tem também uma beleza especial, que só as coisas simples conseguem transmitir.
Na execução desta tela, misturei areia na tinta de óleo, para salientar as rugosidades e textura das paredes caiadas. O ponto focal desta pintura é a porta de entrada. Tendo em atenção este princípio, escureci um pouco a porta de madeira de carvalho, para, sem perder força, a distanciar da buganvília e da parede iluminada pelo sol, ganhando profundidade. Do lado direito, coloquei um vaso de sardinheiras que tem a função de atrair o olhar para esse ponto do quadro. Os troncos rústicos dão uma maravilhosa cobertura a todo o conjunto.
A porta deve estar aberta para não afastar o observador. Neste caso, garanto que está apenas encostada!
Podem entrar! Sejam bem-vindos!
Um dos comentários que obteve:
António
Deixo-te um desafio. Correndo apenas o senão...de não ser do teu agrado.
Mas, estou habituado a esses riscos. Marketing "oblige"..não é?
Nem que seja um mero exercício. Apresenta um Tela tua, com título, e sem a descrição ou brilhante narrativa como fazes.
Deixa ser o teu visitante, a descobrir ( a interrogar) a sensibilidade da tua criatividade. Depois...BUM! a Descoberta do facto.
Ah!, quanto ao quadro, se o Alentejo é um fascínio, desenhá-lo como fazes...é amor.
Um dia, numa conversa com um maestro Inglês, que (também) vive no Alentejo, deixava sair em respiração solta este comentário:
- No Alentejo, é o único sítio do Mundo, onde consigo ouvir o silêncio...
Abraço!
José Luís Outono
O desafio foi aceite! No próximo capítulo darei conta do resultado.
Hoje gostaria de chamar a atenção para este endereço do meu amigo Outono, onde está um convite para quem gosta de Livros e de Poetas.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
PORTO - RIBEIRA

Muro dos Bacalhoeiros Autor António Tapadinhas
Óleo sobre tela 64x54cm
Nesta minha vertigem pela Ribeira do Porto, uma das telas de que mais gosto e que por isso continua em minha casa, é esta que mostra o Muro dos Bacalhoeiros.
É uma obra em que utilizei cores fortes, com as suas complementares bem próximas, para salientar a força que emana daquelas pedras. Não satisfeito com o resultado obtido, procurei reforçar essa sensação com a mistura de areia na tinta, criando o aspecto rude e rústico das rochas, que falam connosco como as castiças gentes do Porto.
Nesta obra, as janelas das casas deixam de ser elementos “apenas” decorativos: estão humanizadas com a sugestão de roupas penduradas e vasos de flores que lembram as pessoas que as habitam.
Sei por experiência própria do mau gosto associado à escolha das molduras para as obras de arte. Não sei se por força da sugestão dos vendedores, que mais do que servir os clientes, querem vender as mais caras, ou por pressão do dono que quer valorizar uma obra que deve valer por si própria. Há casos em que a moldura fica mais cara do que a peça que contém.
Para este quadro fui eu que fiz a moldura: cortei e pintei a madeira com a mesma tinta que utilizei na tela. Utilizei o azul ultramarino (deep), misturado com um pouco de vermelho de cádmio, para o escurecer ao mesmo tempo que o torna menos frio.
É este Porto sentido que eu pretendi retratar. Para mim, sempre que passo por esta obra não resisto a dar-lhe uma nova mirada. E ela retribuiu como uma amante fiel: sempre lhe descubro novos encantos!
segunda-feira, 18 de abril de 2011
SABEDORIA

Cidade da Sabedoria Autor António Tapadinhas
Óleo sobre Tela 100x115cm
Explicar uma obra abstracta é, para mim, muito difícil. Duplamente. Não sou isento quando falo do que amo, e a Arte não se explica, sente-se.
Perante uma obra, ficamos muitas vezes tentados a descobrir nela, um significado mais ou menos oculto. Somos incapazes de apreciá-la simplesmente, de a saborear. Esta atitude aumenta proporcionalmente com a subida do grau académico do apreciador, até ao seu expoente máximo: o Crítico. Critico, logo existo.
Na pintura, o artista procura transmitir mensagens, emoções, tanto mais eficientes quanto menos utilizar a muleta da escrita ou da fala, para a sua interpretação. De tal maneira, que para apreciar a qualidade do pintor, deveria ser suficiente analisar a sua obra. O que é uma tarefa impossível - só o tempo dá a exacta medida do seu real valor.
Deixo para a sabedoria dos meus amigos a apreciação desta obra.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A CIDADE DAS LUZES
Luzes na Cidade Autor António Tapadinhas
Óleo sobre Tela 95x110cm
Nesta minha cidade as sombras nunca são muito escuras. A luz chega sempre às ruelas mais recônditas. Os salpicos de luz (yellow deep) que eu tive o cuidado de espalhar por toda a superfície da tela com uma escova de dentes, afastam as sombras mais negras que poderiam ocultar a luz que todos precisamos, nestes tempos complicados que vivemos.
Não estou com disposição para escrever mais sobre este meu trabalho. Não sei de quê ou de quem é a culpa! Nem sequer me posso queixar do tempo: está um sol radioso e uma temperatura cálida… Os campos estão cheios de flores! Até já chegaram as andorinhas! Será de uma droga alucinógena chamada FMI?
Digo com Pessoa:
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
sexta-feira, 25 de março de 2011
SUN CITY

Cidade do Sol Autor António Tapadinhas
Óleo sobre Tela 100x120cm
Na minha viagem à África do Sul, já falei dos aspectos que mais me impressionaram, salientando sempre a minha rendição às suas belezas naturais.
Faltava falar de algo extravagante e luxuoso, que me impressionou por fazer lembrar um conto das mil e uma noites. Refiro-me a Sun City, um luxuoso resort, próximo de Joanesburgo, e do Pilanesberg National Park. É um complexo que tem tudo o que se possa imaginar, não faltando uma cidade perdida, em que convivem cachoeiras com lagos, florestas com jardins, jacarés com peixes de aquário, praias e tsunamis com horários predefinidos.
Na minha obra é a Cidade do Sol.
As sombras que povoam o primeiro plano são os que só conseguem ver o Sol de longe e não fazem parte do livro de contos...
segunda-feira, 14 de março de 2011
UM AMIGO DESCONHECIDO

Cidade Sonhada Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre Tela 100x120cm
No políptico “A Cidade dos Sonhos”, que já apresentei no meu blogue, disse:
Esta obra, pouco ambiciosa no princípio, começou a ganhar forma na minha imaginação, à medida que a executava. Tinha planeado, nesta série, fazer uma cidade de sonho, com as dimensões de 100x120 cm. Para transmitir a sensação de misticismo, pensei executar a obra com uma paleta de cores dominada pelas cores pigmento terciárias. De entre estas cores, queria usar e abusar do violeta, combinando-o preferencialmente com carmim, azul ultramarino e verde-esmeralda. Como esta era uma gama de cores que eu pouco usava, cortei uma tela de 25x30cm e lancei mãos à obra.
Adorei a tela acabada. Sabia que seria irrepetível o resultado. Tive uma daquelas ideias brilhantes que, de vez em quando, nos assaltam: continuar, sem deitar fora o trabalho já feito, com mais três telas, que completassem a dimensão que tinha planeado para a obra final.
Assim fiz...
Passado algum tempo, recebi um mail de alguém que me pedia para fazer a obra com a dimensão planeada no início, com a garantia de aquisição. Considero que todos os que me compram uma obra são meus amigos, por isso tenho tantos, até então, desconhecidos. Conhecendo o risco que corria, por saber que o resultado é sempre diferente do planeado, lancei mãos à obra. O seu destinatário adorou o resultado…
E os meus amigos?
sexta-feira, 4 de março de 2011
CARNAVAL

Marionetas Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre papel 31,2x24,0 cm
(clic sobre a imagem para ver pormenores)
Este trabalho esteve exposto, na Casa da Cultura de Gdansk, cidade no norte da Polónia, onde se iniciou a revolução liderada por Lech Walesa. Nesta exposição estiveram representados oito artistas polacos e oito portugueses, tendo como tema, KOLOROFON, a relação entre arte contemporânea e o universo pictórico da criança, que tem marcado a criação visual e plástica, desde o início do século XX.
Pegue numa máscara e aproveite este período mágico, porque como cantou Vinicius de Moraes
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
PÁSSAROS DE FOGO

Flamingos no Rosário Acrílico sobre Tela 25x56cm
Este quadro foi o número um da minha mais recente exposição. Não houve nenhum motivo especial, simplesmente, aconteceu. No entanto, a minha filha Elsa que não esteve presente, quando me telefonou a desejar aquilo que uma filha querida deseja para o seu pai, pediu-me para lhe enviar uma fotografia da última obra que tinha feito para a mostra, porque alguém lhe tinha dito que era espectacularmente bela. Aconteceu também que esta foi adquirida, logo na abertura da exposição. Todos, sem excepção, achavam algo de especial nela. Chegaram ao ponto de dizer que seria um documento histórico, porque daqui a alguns anos, com a pressão urbana, os locais em que vivem os flamingos terão desaparecido, e o quadro seria um dos testemunhos vivos da sua presença na zona dos esteiros e sapais da Moita.
Depois de pensar um pouco sobre o assunto, quero confessar que, desta vez, foram os meus amigos que me ensinaram a ver a obra que eu tinha criado: manter o espírito aberto para aprender, é um sinal de humildade que eu gostaria de manter...
Sobre a execução da obra, foram os flamingos, pássaros-de-fogo, que me deram a inspiração para cobrir todo a tela com o meu mais profundo e afogueado laranja. Todas as outras cores nunca chegam a esconder a chama que está por baixo delas: vibra por entre as núvens, espreita nas águas do Tejo, fornece luz às casas e dá o tom róseo aos flamingos!
Aguardo, com interesse, a vossa opinião!
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
NDEBELE II

Symmetry Óleo sobre tela Autor António Tapadinhas
50,5 x 42,5cm Moldura de madeira, 2,5cm de espessura, pintada a óleo
O meu quadro tem figuras geométricas, que recriei a partir dos originais, utilizando a simetria que está sempre presente em todos os desenhos que tive a oportunidade de ver. A moldura que fiz leva os motivos do quadro para além da tela, transportando-o para o ambiente que o cerca.

Os pintores nativos fazem os seus murais e a decoração das casas, utilizando desenhos geométricos com cores fortes e contrastantes. Utilizam símbolos, mas muito raramente, animais ou figuras. As mulheres têm a possibilidade de poder decorar a sua casa e é, seguramente, uma das poucas prerrogativas que elas têm de se expressar individualmente.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
NDEBELE I

Universo Autor António Tapadinhas
Óleo sobre tela 100x75cm
Na viagem que fiz à África do Sul, dois aspectos marcaram-me duma maneira especial: os animais selvagens que tive a oportunidade de ver e as comunidades nativas que sobrevivem, com a sua identidade, até aos nossos dias. Não há qualquer semelhança entre observar os animais em liberdade e no Jardim Zoológico. Depois de poder comparar as duas situações, temos a sensação de que os animais do Jardim Zoológico têm vergonha do cativeiro em que se encontram... Com as comunidades nativas, estranhamente, não tive essa sensação: mostram-nos sem pejo as suas casas, os seus trabalhos, a sua actual maneira de viver.
O povo Ndebele, cuja história se perde nas brumas do tempo, vive actualmente perto da cidade de Pretória. As pinturas das casas deste povo guerreiro, os utensílios e adornos que as mulheres usam, com o seu significado religioso, místico, talvez até mágico, foram os elementos formais e plásticos que utilizei, na criação desta obra.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
RED, RED

Red, Red Autor António Tapadinhas
Óleo sobre Tela 100x100cm
Sem luz não há cor. O olho humano é capaz de distinguir uma gama de comprimentos de onda entre os 7600 angstroms (vermelho) e os 3800 angstroms (violeta), cabendo aqui um enorme número de tons sem limites definidos. Quando a luz incide sobre o objecto, todas as cores são absorvidas por este, com excepção das cores correspondentes às frequências da luz que o ilumina. Essa luz que é reflectida dá-nos a cor do objecto.
Neste quadro, utilizei, em toda a sua amplitude, a força cromática dos vermelhos. Desde o vermelho de cádmio, o mais poderoso, por ser sólido e opaco, até ao carmim de garança, muito transparente, aveludado e luminoso. Quis ter a certeza que a minha obra reflectia paixão e sentimento, amor e desejo, dinamismo e vivacidade.
Tudo aquilo que nos mantém vivos.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
AMARELO, AMARELO

Amarelo, Amarelo Autor António Tapadinhas
Óleo sobre Tela 100x100cm
Esta cor está associada à felicidade.
Ficará umbilicalmente ligada à descoberta de mim próprio como pintor, quando tomei consciência que através da pintura podia comunicar com a alma de um génio que eu admirava, mas que a exiguidade das palavras não chegavam para o que lhe queria dizer.
Em cada obra que concebo e realizo, pergunto-lhe a opinião. Por vergonha ou, talvez, nem eu sei, por modéstia, guardo comigo os seus comentários, as suas críticas…
Nesta obra, em que a sua cor preferida, cobre todo o espaço, exalto o optimismo, desfruto o seu calor, gozo a sua luz, embriago-me com o seu luxo!
Não esqueço que é nesta cor que se representa a loucura, a fúria, a morte ou o suicídio…
Poderá ser verdade, mas a verdade absoluta não existe.
Para mim, esta é a cor da felicidade.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
MALANGATANA

Malangatana
Quando estava a preparar nova entrada, tive notícia da morte de Malangatana. Não podia ficar indiferente. Admiro o pintor, tive o privilégio de o conhecer e ficar seu admirador e amigo.
Tenho para mim que a melhor maneira, talvez a única, de homenagear um artista é apreciar a sua obra. Por isso, aconselho vivamente quem me lê, a ver ou rever, algumas das suas pinturas ou esculturas. Malangatana era, é, um dos mais prestigiados pintores mundiais da actualidade, que com a sua morte deixou mais pobre o mundo lusófono. Na Casa da Cerca, em Almada, está patente uma exposição de obras do artista.
Muito novo, foi preso pela PIDE, juntamente com outros “perigosos” elementos, como, por exemplo, José Craveirinha, por pertencerem à “organização terrorista FRELIMO”. Saliento este facto da sua vida porque dentro da grandeza do seu coração não cabia o ressentimento e muito menos o ódio. É Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, foi galardoado pela Unesco, pela Holanda, na confirmação do seu princípio que a cultura não tem fronteiras e deve ser encarada com dignidade por todas as raças.
Como ele dizia, a cultura é mulata.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
COR-DE-ROSA

Pink, Pink Autor António Tapadinhas
Óleo sobre Tela 100x100cm
No início deste novo ano, apresento a minha segunda obra monocromática.
A primeira, por influência dum amigo, foi sobre a cor azul, uma das cores primárias.
Nesta, a escolhida foi cor-de-rosa, uma cor secundária, quente, culturalmente conotada com o elemento feminino desde a antiguidade.
Actualmente, está relacionada com o amor e a paz.
Acredito que as cores têm uma enorme influência psicológica sobre todos os seres. Sendo assim, esta é a minha contribuição para que este ano seja especial. Para quem não acredita, digo como o poeta:
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo…
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
BOAS FESTAS!
Olá! Para quem não saiba, eu sou o Rafael! Desculpem-me, mas durante estes dias o avô Tó é meu e não tem tempo para fazer postagens, nem para pintar! Todo o tempo vai ser pouco para brincar!
Podem esperar sentados, como eu faço quando estou cansado de andar de bicicleta!
Desejamos a todos Boas Festas!
Rafael e António
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
SEM MARGENS NA BLOGALDEIA IV
Quando o meu amigo, Rogério, me convidou a visitar a exposição no seu blogue
"Conversa Avinagrada", eu agradeci-lhe, dizendo:
Meu caro amigo, a tua conversa, não tem vinagre: tem mel!
Há uma sintonia perfeita entre o que o quadro representa e as resplandecentes palavras que o acompanham. Procuro, em cada tela, mais do que representar as casas, o rio, o céu, traduzir a emoção que me levou a pintar o céu com aquela cor, as águas com aqueles reflexos...
A tradução desses sentimentos, estão patentes em cada uma das palavras que escreves, como se presenciasses o momento da criação da obra.
O meu obrigado pelo que fizeste!
Emocionaste-me, sabes?
Já agora! Aos amigos que nos lêem um pedido: emocionem-se! Faz bem viver com emoções...
...e ter amigos assim!
Pequena exposição - Os meus lugares de menino e moço
Conheci há poucos dias António Tapadinhas. Deixei-lhe em comentário a minha pronta disponibilidade em transformar este sitio em galeria e aqui lhe colocar uns quantos quadros seus. Prometi-lhe tratar com dignidade os lugares que, não se limitando a pintar, tratou como um artista que sabe o que me agradaria recordar. Como enquadramento refiro textos meus sobre a quinta do meu avô colocados a pretexto de abordagens a temas diversos, tais como a reforma agrária ou a minha mudança de escola.
Nesses textos nunca localizei a quinta nem descrevi lugares próximos. António fê-lo por mim...
PEQUENA EXPOSIÇÃO - OS MEUS LUGARES DE MENINO E MOÇO
Passava as férias grandes na quinta dos meus avós. A caminho, no cacilheiro, barco que atravessava o Tejo ligando Lisboa ao Barreiro, não pensava nada. O rio não deixava. Os meus olhos percorriam margens e água e os odores eram um estimulo a todos os outros sentidos. Quando ao longe eu avistava os "meus" moinhos, sabia que estava a chegar. Depois do barco a camioneta, por entre os vidros que lhes adensavam cores de sépia, lá estavam. Eram o marco do inicio das minhas aventuras pois do Barreiro à Moita e daí à quinta seriam, ao todo, 20 a 25 minutos...

... Uma vez chegado logo começava a minha faina na quintinha. Esta frequentemente era demasiado pequena para conter todas as aventuras e, assim, aceitava de bom grado convites de outros miúdos para ir à Moita, vila morena da beira Tejo...

Claro que me lembro das festas, da procissão, do foguetório, das largadas de touros e de muitos outros acontecimentos de cor e festa. Mas a memória mais viva eram os momentos de água. Recordo mil mergulhos nessa água lodosa para onde saltava de cima do pequenos cais de atracagem. António, pintou-mo. Vê-lo assim, degradado, não me feriu a sensibilidade. Para tal ele deu-lhe a cor necessária...

As idas a Alhos Vedros, pequena povoação perto da Moita e igualmente da beira Tejo, não deixavam grau de liberdade para as minhas brincadeiras preferidas. Obediente, seguia as instruções da minha avó Mariana que alí se deslocava, com alguma frequência, fazendo venda dos produtos da quinta: "Não vás para longe", dizia-me. E eu ficava por ali junto ao rio. Por vezes, descalçava os sapatos para que meus pés afagassem a areia. Apanhava pedras e atirava-as, como todos os miúdos fazem quando não podem eles próprios atirar-se... Entre o rio e o encarnar de mil personagem num cenário de selva ou planície em outras tantas aventuras lá na quintinha, as férias terminavam...

... e o regresso a Lisboa fazia-se, frequentemente no mesmo barco cacilheiro.
António pinta-me essa viagem, colocando as pessoas exactamente como eu as via, ainda meio adormecidas pelo levantar cedo para enfrentar mais um dia de trabalho. Que me lembre, não regressava triste, apenas na expectativa de conhecer novos amigos, novos professores e, assim, outras vivências...
Um pintor quando se exprime como o António, nem imagina as sensações que pode provocar. Ou será que o faz exactamente porque pretende isso mesmo: EMOCIONAR? Se tem ainda alguma dúvida, navegue no seu blogue "Sem margens - Pintar a palavra, escrever a pintura."
Obrigado António, por pintares estes lugares!
25.Set.2010
"Conversa Avinagrada", eu agradeci-lhe, dizendo:
Meu caro amigo, a tua conversa, não tem vinagre: tem mel!
Há uma sintonia perfeita entre o que o quadro representa e as resplandecentes palavras que o acompanham. Procuro, em cada tela, mais do que representar as casas, o rio, o céu, traduzir a emoção que me levou a pintar o céu com aquela cor, as águas com aqueles reflexos...
A tradução desses sentimentos, estão patentes em cada uma das palavras que escreves, como se presenciasses o momento da criação da obra.
O meu obrigado pelo que fizeste!
Emocionaste-me, sabes?
Já agora! Aos amigos que nos lêem um pedido: emocionem-se! Faz bem viver com emoções...
...e ter amigos assim!
Pequena exposição - Os meus lugares de menino e moço
Conheci há poucos dias António Tapadinhas. Deixei-lhe em comentário a minha pronta disponibilidade em transformar este sitio em galeria e aqui lhe colocar uns quantos quadros seus. Prometi-lhe tratar com dignidade os lugares que, não se limitando a pintar, tratou como um artista que sabe o que me agradaria recordar. Como enquadramento refiro textos meus sobre a quinta do meu avô colocados a pretexto de abordagens a temas diversos, tais como a reforma agrária ou a minha mudança de escola.
Nesses textos nunca localizei a quinta nem descrevi lugares próximos. António fê-lo por mim...
PEQUENA EXPOSIÇÃO - OS MEUS LUGARES DE MENINO E MOÇO
Passava as férias grandes na quinta dos meus avós. A caminho, no cacilheiro, barco que atravessava o Tejo ligando Lisboa ao Barreiro, não pensava nada. O rio não deixava. Os meus olhos percorriam margens e água e os odores eram um estimulo a todos os outros sentidos. Quando ao longe eu avistava os "meus" moinhos, sabia que estava a chegar. Depois do barco a camioneta, por entre os vidros que lhes adensavam cores de sépia, lá estavam. Eram o marco do inicio das minhas aventuras pois do Barreiro à Moita e daí à quinta seriam, ao todo, 20 a 25 minutos...

... Uma vez chegado logo começava a minha faina na quintinha. Esta frequentemente era demasiado pequena para conter todas as aventuras e, assim, aceitava de bom grado convites de outros miúdos para ir à Moita, vila morena da beira Tejo...

Claro que me lembro das festas, da procissão, do foguetório, das largadas de touros e de muitos outros acontecimentos de cor e festa. Mas a memória mais viva eram os momentos de água. Recordo mil mergulhos nessa água lodosa para onde saltava de cima do pequenos cais de atracagem. António, pintou-mo. Vê-lo assim, degradado, não me feriu a sensibilidade. Para tal ele deu-lhe a cor necessária...

As idas a Alhos Vedros, pequena povoação perto da Moita e igualmente da beira Tejo, não deixavam grau de liberdade para as minhas brincadeiras preferidas. Obediente, seguia as instruções da minha avó Mariana que alí se deslocava, com alguma frequência, fazendo venda dos produtos da quinta: "Não vás para longe", dizia-me. E eu ficava por ali junto ao rio. Por vezes, descalçava os sapatos para que meus pés afagassem a areia. Apanhava pedras e atirava-as, como todos os miúdos fazem quando não podem eles próprios atirar-se... Entre o rio e o encarnar de mil personagem num cenário de selva ou planície em outras tantas aventuras lá na quintinha, as férias terminavam...

... e o regresso a Lisboa fazia-se, frequentemente no mesmo barco cacilheiro.
António pinta-me essa viagem, colocando as pessoas exactamente como eu as via, ainda meio adormecidas pelo levantar cedo para enfrentar mais um dia de trabalho. Que me lembre, não regressava triste, apenas na expectativa de conhecer novos amigos, novos professores e, assim, outras vivências...
Um pintor quando se exprime como o António, nem imagina as sensações que pode provocar. Ou será que o faz exactamente porque pretende isso mesmo: EMOCIONAR? Se tem ainda alguma dúvida, navegue no seu blogue "Sem margens - Pintar a palavra, escrever a pintura."
Obrigado António, por pintares estes lugares!
25.Set.2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
FAVELAS IV

Favela 0512 Díptico Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre 2 telas de 60x40cm
(clique sobre a imagem)
O meu amigo, Luís Santos, escreveu:
Morro acima cruzes, muitas cruzes. Feitas de pau. Como aquelas que se vêem em muitos cemitérios. No tombo dos mais frágeis o sonoro revela o ruído compassado de uma intermitente arma de guerra, como se de um sapateado se tratasse.
No meio do morro nasceu uma flor. E nasceu uma criança que se apaixona pela flor. É um pé de laranja lima.
Porque será que o morro está mais amarelado de um lado? Pela luz do sol, pela rotação do planeta. A indestrutível lei da natureza. Não fossem as sombras.
Respondi-lhe:
No alto do morro, nas favelas
nascem pés de laranja lima,
não nascem facas ou fuzis!
O sol que brilha nas janelas
aquece as sombras e a dor,
num bairro alegre ou tristonho.
Com ele fica a esperança
de quem nunca desanima
e acredita no sonho!
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