sexta-feira, 19 de novembro de 2010

FAVELAS II


Favela 1511 Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre Tela 50x60cm
(clique sobre a imagen)

Na minha pesquisa para esta série, fiquei com diverso material numa espécie de manifestação do caos que, por definição, contém todas as formas e cores possíveis. Sendo assim, era simples; para executar a obra bastava deitar fora tudo o que não fosse necessário.
Depois de seleccionar a favela que serviria de base a este quadro, faltava pensar os meios que iria utilizar.
Pensar é aproveitar tudo o que sei para cumprir o meu objectivo: transmitir sensações. Pensar é dar forma ao caos, torná-lo credível para o observador, isto é, identificá-lo, mas, ao mesmo tempo, retirar-lhe a consistência, torná-lo virtual, porque faço por esquecer o que não me interessa, salientando, apenas, a sua beleza.
No desenho, apenas esboçado, de repente, começaram a surgir as janelas, as ruas, as pessoas, como notas musicais coloridas, numa pauta mágica.
E cumpriu-se o seu destino! Afinal, cor é magia!
Com esta conversa erudita, não sei se deu para perceber o mais importante:
Gosto mesmo muito desta obra!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

FAVELA


Favela 911 Autor António Tapadinhas
Acrílico sobre Tela 50x60cm
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Favela no Brasil, bairro de lata em Portugal ou musseque em Angola, são palavras que definem a área degradada de uma cidade, caracterizada por moradias precárias, com edificações inadequadas e materiais de construção inventados, muitas vezes estranguladas entre morros ou colinas.
No meu quadro é o azul que oprime as casas e as pessoas que se adivinham nos intervalos coloridos das vielas estreitas e é o amarelo que serve de manto diáfano para a dureza do quotidiano.
Esta é a primeira obra duma nova série a que chamo, Favela, porque das palavras que definem esta realidade, é a palavra mais colorida.
Na penumbra dourada que suaviza as cores cruas do passado presente, espero que encontrem a beleza verdadeira, aquela que provoca arrepios, como na canção de Caetano Veloso, Menino do Rio.
Tomem esta minha obra como um abraço!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

SEM MARGENS NA BLOGALDEIA III


Azul, Azul Autor António Tapadinhas
Óleo sobre Tela 100x100cm
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O meu amigo Jorge no seu blogue, BEGIN THE HOPE, de vez em quando, num comentário, faz referência aos meus azuis, considerando alguns que o tocam especialmente, de “Azul Tapadinhas”.
Há pintores que são conhecidos por saberem realçar determinadas cores nas suas pinturas. Lembremos Van Gogh e os seus vibrantes amarelos, Cézanne e os seus espantosos verdes e, porque vem a propósito, a história de um azul especial.
Yves Klein, nascido em Nice, França, realizou mais de cinco dezenas de quadros monocromáticos em azul. Gostou tanto de uma das tonalidades, que a registou em 19 de Maio de 1960, no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, com a designação IKB (International Klein Blue).
Espero que esta obra se imponha pelo seu azul. Não tem outras cores que o tornem mais suave ou mais profundo, mais alegre ou mais triste…
Acho que as cores são como as pessoas. Dependem muito do que as rodeia. Todos nós nascemos iguais, mas alguns são mais iguais do que outros... As diferenças começam antes do nascimento, e prolongam-se durante toda a nossa vida. Nós e as cores somos sensíveis ao ambiente que nos cerca.
Esta atmosfera é a essência mágica com que se cria o génio ou uma obra-prima.

domingo, 24 de outubro de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Lisboa Elevador de S. Justa Autor António Tapadinhas
Óleo sobre Tela 80x100cm

Esta obra esteve exposta junto com outra porque tinham em comum as cores utilizadas e um elemento colocado na Secção de Ouro, ou Divina Proporção, como lhe chamou mais tarde Leonardo da Vinci no seu Tratado da Pintura – o Elevador de Santa Justa.
A outra, que apresentarei a seguir, procura transmitir a sensação das cores quentes e da luz estonteante nos telhados de Lisboa. Esta, apelando mais à imaginação do observador, tem a construção cubista/cézanniana do mundo.
O movimento cubista iniciado por Braque e Picasso, divide-se normalmente em três fases. A primeira, Cézannianna, dizia que tudo se pode reduzir a cones, cilindros e esferas. A segunda, Analítica, em que as obras são trabalhadas numa cor base, e por fim, a fase do Cubismo Sintético, que é a mais geometrizada e a mais abstracta de todas. Todos os pintores de qualquer destas fases tinham em comum a admiração, a veneração por Cézanne e a sua visão construtiva do mundo.
Eu também!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

ÉOLO


Moinhos de Alburrica Acrílico sobre Tela 50x50cm
(clique sobre a imagem)


Moinhos (em construção)

Já devem ter notado que os deuses gregos têm relações de tal maneira conflituosas, que será melhor não nos metermos nestas querelas familiares.
Éolo interessa-me porque, segundo a Odisseia, tratou com deferência Ulisses, ofertando-lhe um odre em que estavam encerrados todos os ventos com excepção dos ventos Zéfiros que o levariam a sua casa, em Ítaca.
Ulisses, fundador da cidade de Lisboa segundo a lenda, daí também os seus habitantes serem chamados de ulissiponenses, tem no Castelo de S. Jorge uma torre com o seu nome. Nesse local, está instalado um mecanismo óptico inventado por Leonardo Da Vinci no século XVI, um Periscópio, único existente em Portugal, que permite observar a cidade a 360º em tempo real, incluindo a margem esquerda do Tejo.
Nesta paisagem que eu, recorrentemente, fotografo e pinto, o grande destaque vai habitualmente para os moinhos de vento de Alburrica. Desta vez, queria destacar a paisagem circundante: o céu e, claro, o Rio Tejo, como estão nesta fase do trabalho.
Não consegui resistir à beleza da embarcação beijada pelas águas calmas do rio.
Quem conseguir que atire a primeira pedra!

domingo, 10 de outubro de 2010

SEM MARGENS NA BLOGALDEIA II

No dia 19 de Maio de 2009, escreveu a minha amiga, Ava, no seu Blogue "Minhas Vidas":


Vénus Autor António Tapadinhas
Óleo sobre Tela 100x100cm

Vice Versa
Autor: Mário Benedetti

Tenho medo de ver-te
necessidade de ver-te
esperança de ver-te
insipidezes de ver-te

tenho ganas de encontrar-te
preocupação de encontrar-te
certeza de encontrar-te
pobres dúvidas de encontrar-te

tenho urgência de ouvir-te
alegria de ouvir-te
boa sorte de ouvir-te
e temores de ouvir-te

ou seja
resumindo
estou danado
e radiante
talvez mais o primeiro
que o segundo
e também
vice-versa

Perde o mundo, mais um grande escritor e poeta. Mário Benedetti faleceu domingo, dia 17 de maio. Nascido no Uruguai, mais uma mente brilhante da America do Sul.
Entre seus tesouros, um em especial me encanta... aqui está, para o deleite de todos vcs!

Para ilustrar tão belo poema, nada melhor que uma bela obra de arte!
Vênus - Óleo obre tela, um quadro flamejante de paixão! Obra de António Tapadinhas, pintor português que coloca vida em seus quadros.


Um balaio de beijos, Ava!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

SEM MARGENS NA BLOGALDEIA I

Faz este mês três anos que comecei a pintar a palavra e a escrever a pintura. Tive, até agora, mais de 63.000 visitantes, pois só introduzi o contador de visitas alguns meses após o seu início. Na verdade, não esperava manter durante tanto tempo, e sem interrupções, o meu blogue. Consigo identificar os culpados: são os seus visitantes, meus amigos, que com a sua generosidade, fazem deste tempo que passo em frente do computador, momentos de comunhão com o melhor que existe em cada um de nós!
O meu sentido e sincero obrigado a todos!

Irei apresentar exemplos concretos do que acabei de afirmar.
Na postagem de 30 de Abril de 2009, no blogue Life...Living, Anne Moor disse:

Quando o António apresentou a obra disse "que os modelos são banhados por uma luz forte, com cores vivas e quentes, que, se em alguns casos, quase os ocultam, serve sempre para evidenciar a sua beleza e sensualidade. E continuo a pensar assim, porque a pintura deve fazer-nos sonhar com um mundo melhor, mais harmonioso, mais sedutor." Provocada por comentário do rm no post anterior e inspirada na pintura divina de António apresento 'Luz' acompanhada de 'Afrodite':



A luz que alumia a vida
alucina identidades
acena caminhos
brilha!

A luz que flutua nas mãos
espalha raios
treme na ofuscação
cintila!

A luz que emana d’alma
deslumbra o sentir
canta corações
chameja!

© Anne M. Moor
Afrodite, feiticeira do amor de António Tapadinhas
Óleo sobre tela 120X120cm

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

VELHARIAS


Antigo Cais da Moita Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clique sobre imagem)

Este quadro mostra a degradação do cais palafítico que foi, entretanto, substituído por um mais moderno e funcional e, acrescento eu, menos atraente, esteticamente.
Bem perto deste, na freguesia do Rosário, existe outro cais de estacas que está vedado por causa do perigo que representa para quem o utiliza. Receio que siga o destino deste, quero dizer, a continuidade da sua degradação até se tornar impossível a sua recuperação, à semelhança do que acontece com os edifícios antigos nas zonas nobres das cidades.
Depois de concluir esta obra, senti que se fechava este ciclo.
Não sei o que se seguirá.
Alguma sugestão?

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

PINTAR PALAVRAS


Contraluz Acrílico sobre Tela 50x50cm
Autor António Tapadinhas

O título foi dado a esta obra, na mesma semana em que se estreou o primeiro filme feito por um português, em Hollywood. Pode ler-se na respectiva sinopse: “Várias pessoas sem ligação entre si estão em situações de extremo desespero quando algo inesperado acontece que irá mudar radicalmente o rumo das suas vidas. Caberá a cada um moldar o seu destino de modo a reencontrar a felicidade. Mas há destinos que só se alcançam depois de alterar o dos outros.”
Eu ainda não vi o filme mas sei que o protagonista é salvo pelas palavras do GPS: “Faça inversão de marcha. Está na rota errada para o seu destino.” O poder da palavra, mesmo no GPS.



(em construção)

Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. Neste provérbio chinês, mais uma vez o poder da palavra.
Uma imagem vale mais do que mil palavras.
Gosto de acreditar que se completam, afinal
Eu pinto palavras e escrevo pintura.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Siderurgia Óleo sobre Tela 73x92cm

Barreiro é a cidade mais próxima da minha casa. É uma cidade de contrastes e, por isso mesmo, muito interessante.
Foi o principal eixo da ligação Norte Sul, por causa do Caminho de Ferro e da travessia entre as duas margens do Tejo. Foi um importante centro corticeiro. A indústria química, cujo expoente máximo foi a CUF – Companhia União Fabril, onde chegaram a trabalhar mais de 8.000 operários, era a maior do País.
Em frente, separados pelas águas do Tejo, florescia a Siderurgia Nacional.
Qualquer destes pólos de desenvolvimento apresentados como um alicerce da economia, foi ultrapassado pela dinâmica do sistema, deixando feridas ambientais que só agora começam a ser tratadas.
Mas, não me apetece falar destes assuntos...
O rio Tejo continua lindo!

sábado, 7 de agosto de 2010

QUIXOTESCO


D. Quixote - óleo sobre tela 80x100cm

Foi há quatrocentos e cinco anos que saiu a primeira edição do livro "El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha" – quatro séculos de influência na cultura do mundo moderno. Tanto tempo decorrido e continua a fazer falta o nosso herói : “Vou a castigar insolentes e a endireitar tortos”.
Com esta minha obra aconteceu um facto estranho.
No segundo dia da exposição, já perto da hora do fecho, passei pela galeria para saber das impressões do público. Qual não é o meu espanto quando vejo, no sítio onde devia estar o quadro, um letreiro a dizer vendido. Tinha dado instruções para que todas as obras ficassem em exposição, e só no final deveriam ser entregues aos eventuais compradores. Perguntei à encarregada da galeria o que se tinha passado. “Muito simples – disse ela – uma senhora nova, muito bonita e elegante (não são todas?), tinha de apanhar o avião para Buenos Aires e queria levar o quadro. Depois de pensar o que devia fazer, disse que o entregava mas exigi que me pagasse em dinheiro. Ela disse que sim, foi ao Banco ali ao lado e deu-me o dinheiro todo. Saiu toda contente”.
Quem não ficou muito feliz com a história fui eu. Até hoje não sei onde para esta obra. Refiro o caso porque (quem sabe?) pode dar-se a coincidência do meu blog ser visitado pela pessoa que o comprou e contactar-me. Seria uma grande alegria reencontrá-lo.
Disse Woody Allen: “Por que Deus não fala comigo? Se Ele pelo menos tossisse”.
Quixotesco, não acham?

quinta-feira, 29 de julho de 2010

PÔR-DO-SOL NA RIA (2)


Quintas do Norte Acrílico sobre Tela 40x60cm

Neste quadro, ao contrário do que acontece na vida, comecei pelo céu. As cores utilizadas servem para dar os reflexos que as águas calmas da ria recebem do alto.
Só depois de estar satisfeito com todo o espelho de água, comecei a espetar as estacas no terreno lodoso. Para melhor destacar a sua elegância, utilizei diversas camadas de tinta bem espessa.
Eliminei uma outra embarcação que estava no desenho inicial, bem como todos os pormenores que poderiam distrair a atenção do essencial: sensação de paz e tranquilidade.
Para reforço da harmonia da obra, sem beliscar a sua força, o azul do céu é o mesmo do barco e da água, e na linha do horizonte está o mesmo conjunto contrastante do verde e azul que lhe dão cor.
Parece-me uma obra refrescante para estes dias de calor…

segunda-feira, 26 de julho de 2010

PÔR-DO-SOL NA RIA


Quintas do Norte (em construção) Acrílico sobre Tela 40x60cm

A Murtosa é uma Vila do distrito de Aveiro situada numa planície junto ao Oceano Atlântico, cuja origem remonta aos inícios do século XIII. A sua íntima ligação com o Oceano e com a Ria que tem aqui o seu maior espelho de água, justificavam que as suas principais actividades tenham sido a pesca e o moliço, nome dado à apanha de algas que são utilizadas como fertilizante natural. Os barcos moliceiros ainda continuam a ser utilizados na arte Xávega, um tipo de pesca de arrasto em que o barco sai de terra deixando no fundo uma corda ligada a uma rede, que depois é arrastada até á praia, puxada por bois ou tractores, com o peixe que apanha pelo caminho.
Este trecho da paisagem seduziu-me pela elegância das estacas espetadas no fundo lodoso da ria.
É a partir destas pinceladas de cor dadas com a tinta diluída em água, que eu vou salientar com a tinta mais espessa, as cores e texturas, com vista a conseguir o efeito que pretendo: a tranquilidade de um pôr-do-sol.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

PALAFITAS


Carrasqueira Acrílico sobre Tela 30x40cm

Cá está o segundo quadro da série “Palafitas”. Podem rever o primeiro na minha entrada de 11 de Maio de 2009.
A Carrasqueira é uma aldeia, em plena Reserva Natural do Estuário do Sado, que conserva algumas construções em madeira coberta de caniço – os palheiros – e um cais de estacas de madeira (palafitas), que se prolonga por centenas de metros sobre os esteiros lodosos do rio. Foi um processo iniciado por dois pescadores que criaram um acesso para chegarem aos seus barcos, sem se enterrarem no lodo, aos quais se foram juntando outros, até se chegar ao emaranhado de estacas que tornaram este local um dos mais visitados do concelho.
Já estou a trabalhar no quadro seguinte desta série.

domingo, 11 de julho de 2010

FALANDO DE PELES...


Pele de Pinheiro Acrílico sobre Tela 50x50cm

A minha entrade de 8 de Abril, The Unknown God, concluía assim:
E já olharam bem de perto a casca de um pinheiro-manso? As suas diversas camadas estão perfeitamente definidas, consoante o tempo de exposição ao sol, com uma inenarrável gama de cores quentes, delimitadas por traços de tinta-da-china preta, num trabalho delicado, que só pode ser de algum “UNKNOWN GOD”…
Como não tive nenhuma resposta, parti do princípio que ainda não a tinham olhado e apreciado em todo o esplendor da sua beleza.
Aqui está a oportunidade de confirmar que não exagerei!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

DEPOIS DE VAN GOGH (2)


Cais de Alhos Vedros Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clique sobre a imagem)

O realismo do desenho, os seus pormenores, serve para eu me deleitar na liberdade da pincelada, no seu empaste e, mormente, na intensidade da cor que, só por mera coincidência, coincide com a realidade.
Do primeiro plano desapareceu uma estaca que lá estava inicialmente para conduzir o olhar do observador para a direita do quadro: deixei essa missão para a margem multicolorida que nos espreita…
O contraste dos amarelos e azuis é realçado pelos tons verdes (soma e complemento de ambas as cores) das margens e suavizado pelos acordes rosa, presentes no céu e na água que deve ser o seu espelho.
Olhando para este trabalho concluído, quero dizer, com a maior franqueza, que não noto nenhumas diferenças em relação aos meus mais recentes quadros.
Será que os meus amigos notam algumas?
E com esta música?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

DEPOIS DE VAN GOGH


Cais de Alhos Vedros Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clic sobre a imagem)

Nos dias que passei em casa do Mestre, regressei a casa com algumas certezas e muitas dúvidas.
Na análise dos seus desenhos, fiquei com a certeza que, afinal, ele preparava os seus quadros ao pormenor, com a indicação da fonte de luz e os seus traços dados com a direcção e intensidade que permitiam a aparente espontaneidade da sua pincelada. Num dos retratos, inacabado, é visível a quadrícula que utilizou para respeitar as proporções do modelo.
Sobre as dúvidas falaremos depois.
Neste meu desenho, não indico a direcção da pincelada, mas está garantida a sua espontaneidade, pois tenciono cobrir toda a tela com este vibrante Cadmium Yellow Médium Hue…
Quero que este amarelo fique a cintilar por debaixo das cores que o vão cobrir!
Vou continuar o meu trabalho.
Até já!

terça-feira, 22 de junho de 2010

À PROCURA DE VAN GOGH

Diógenes percorria as ruas de Atenas com uma lamparina dizendo estar à procura de um homem honesto. Não sei se o encontrou.



Eu procurava o Mestre da Pintura que criou com a sua cor, um mundo novo.










Na minha busca passei pelos canais de Amesterdão,















pelos cafés da noite,











percorri os campos de trigo, com corvos,








verifiquei no moinho de tinta de Kat em Kalverringdijk...




Finalmente, encontrei-o, em toda a sua pujança, no seu museu.

Espero que o tenha trazido comigo.
A urgência de Van Gogh em viver a vida, nos curtos dez anos que dedicou à pintura, vai ser a minha, para confirmar se consegui absorver o seu espírito.
Por falar em Mestres: fiquei desolado com a morte de Saramago!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

CONVITE ACEITE!


Convite para um café - Óleo sobre tela 80x100cm

Esta tela está em Zambujeira do Mar, num monte alentejano que pertence a um grande amigo meu. Está lá, porque foi a prenda de anos que a sua mulher lhe ofereceu.
De vez em quando, passo uns dias no monte para fazermos grandes (ás vezes pequenas, mas não é o mais importante) pescarias na foz do rio Mira, ou nas praias da costa alentejana.
No monte, sento-me numa cadeira com fundo de palha, semelhante à que tenho na tela, frente a frente, separados por uma mesa. Sinto que aquele lugar na cadeira, não está vazio: Vincent Van Gogh está lá sentado. Eu vejo-o lá: os seus cabelos e barba vermelhos, o seu rosto anguloso com rugas bem vincadas e, sobretudo, os seus penetrantes olhos verdes a dizer-me ... não me atrevo a dizer o quê...
E, na próxima semana, finalmente, vou retribuir-lhe a visita! Vou a Amesterdão e espero passar um dia na companhia do génio, na sua casa, o Van Gogh Museum!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

ADORADOR DO SOL



A Cidade do Sol
Acrílico sobre Tela (Políptico) 4x25x30cm

Gostei tanto do resultado da inspiração momentânea que me levou a executar o políptico “A Cidade dos Sonhos”, utilizando a gama de cores frias, que parti para a “Cidade do Sol” com a ideia precisa do que pretendia.
O olho humano distingue uma grande variedade de cores e tons, sem limites definidos. Este espectro visível abrange uma certa gama de frequências que correspondem a seis cores: vermelho, laranja, amarelo – cores quentes e verde, azul e violeta – cores frias.
Decidi, nestas quatro telas, utilizar a minha paleta de cores quentes na transmissão da sensação do sol a aquecer o ar, as casas, a alma da gente da minha Lisboa.