segunda-feira, 16 de agosto de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Siderurgia Óleo sobre Tela 73x92cm

Barreiro é a cidade mais próxima da minha casa. É uma cidade de contrastes e, por isso mesmo, muito interessante.
Foi o principal eixo da ligação Norte Sul, por causa do Caminho de Ferro e da travessia entre as duas margens do Tejo. Foi um importante centro corticeiro. A indústria química, cujo expoente máximo foi a CUF – Companhia União Fabril, onde chegaram a trabalhar mais de 8.000 operários, era a maior do País.
Em frente, separados pelas águas do Tejo, florescia a Siderurgia Nacional.
Qualquer destes pólos de desenvolvimento apresentados como um alicerce da economia, foi ultrapassado pela dinâmica do sistema, deixando feridas ambientais que só agora começam a ser tratadas.
Mas, não me apetece falar destes assuntos...
O rio Tejo continua lindo!

sábado, 7 de agosto de 2010

QUIXOTESCO


D. Quixote - óleo sobre tela 80x100cm

Foi há quatrocentos e cinco anos que saiu a primeira edição do livro "El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha" – quatro séculos de influência na cultura do mundo moderno. Tanto tempo decorrido e continua a fazer falta o nosso herói : “Vou a castigar insolentes e a endireitar tortos”.
Com esta minha obra aconteceu um facto estranho.
No segundo dia da exposição, já perto da hora do fecho, passei pela galeria para saber das impressões do público. Qual não é o meu espanto quando vejo, no sítio onde devia estar o quadro, um letreiro a dizer vendido. Tinha dado instruções para que todas as obras ficassem em exposição, e só no final deveriam ser entregues aos eventuais compradores. Perguntei à encarregada da galeria o que se tinha passado. “Muito simples – disse ela – uma senhora nova, muito bonita e elegante (não são todas?), tinha de apanhar o avião para Buenos Aires e queria levar o quadro. Depois de pensar o que devia fazer, disse que o entregava mas exigi que me pagasse em dinheiro. Ela disse que sim, foi ao Banco ali ao lado e deu-me o dinheiro todo. Saiu toda contente”.
Quem não ficou muito feliz com a história fui eu. Até hoje não sei onde para esta obra. Refiro o caso porque (quem sabe?) pode dar-se a coincidência do meu blog ser visitado pela pessoa que o comprou e contactar-me. Seria uma grande alegria reencontrá-lo.
Disse Woody Allen: “Por que Deus não fala comigo? Se Ele pelo menos tossisse”.
Quixotesco, não acham?

quinta-feira, 29 de julho de 2010

PÔR-DO-SOL NA RIA (2)


Quintas do Norte Acrílico sobre Tela 40x60cm

Neste quadro, ao contrário do que acontece na vida, comecei pelo céu. As cores utilizadas servem para dar os reflexos que as águas calmas da ria recebem do alto.
Só depois de estar satisfeito com todo o espelho de água, comecei a espetar as estacas no terreno lodoso. Para melhor destacar a sua elegância, utilizei diversas camadas de tinta bem espessa.
Eliminei uma outra embarcação que estava no desenho inicial, bem como todos os pormenores que poderiam distrair a atenção do essencial: sensação de paz e tranquilidade.
Para reforço da harmonia da obra, sem beliscar a sua força, o azul do céu é o mesmo do barco e da água, e na linha do horizonte está o mesmo conjunto contrastante do verde e azul que lhe dão cor.
Parece-me uma obra refrescante para estes dias de calor…

segunda-feira, 26 de julho de 2010

PÔR-DO-SOL NA RIA


Quintas do Norte (em construção) Acrílico sobre Tela 40x60cm

A Murtosa é uma Vila do distrito de Aveiro situada numa planície junto ao Oceano Atlântico, cuja origem remonta aos inícios do século XIII. A sua íntima ligação com o Oceano e com a Ria que tem aqui o seu maior espelho de água, justificavam que as suas principais actividades tenham sido a pesca e o moliço, nome dado à apanha de algas que são utilizadas como fertilizante natural. Os barcos moliceiros ainda continuam a ser utilizados na arte Xávega, um tipo de pesca de arrasto em que o barco sai de terra deixando no fundo uma corda ligada a uma rede, que depois é arrastada até á praia, puxada por bois ou tractores, com o peixe que apanha pelo caminho.
Este trecho da paisagem seduziu-me pela elegância das estacas espetadas no fundo lodoso da ria.
É a partir destas pinceladas de cor dadas com a tinta diluída em água, que eu vou salientar com a tinta mais espessa, as cores e texturas, com vista a conseguir o efeito que pretendo: a tranquilidade de um pôr-do-sol.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

PALAFITAS


Carrasqueira Acrílico sobre Tela 30x40cm

Cá está o segundo quadro da série “Palafitas”. Podem rever o primeiro na minha entrada de 11 de Maio de 2009.
A Carrasqueira é uma aldeia, em plena Reserva Natural do Estuário do Sado, que conserva algumas construções em madeira coberta de caniço – os palheiros – e um cais de estacas de madeira (palafitas), que se prolonga por centenas de metros sobre os esteiros lodosos do rio. Foi um processo iniciado por dois pescadores que criaram um acesso para chegarem aos seus barcos, sem se enterrarem no lodo, aos quais se foram juntando outros, até se chegar ao emaranhado de estacas que tornaram este local um dos mais visitados do concelho.
Já estou a trabalhar no quadro seguinte desta série.

domingo, 11 de julho de 2010

FALANDO DE PELES...


Pele de Pinheiro Acrílico sobre Tela 50x50cm

A minha entrade de 8 de Abril, The Unknown God, concluía assim:
E já olharam bem de perto a casca de um pinheiro-manso? As suas diversas camadas estão perfeitamente definidas, consoante o tempo de exposição ao sol, com uma inenarrável gama de cores quentes, delimitadas por traços de tinta-da-china preta, num trabalho delicado, que só pode ser de algum “UNKNOWN GOD”…
Como não tive nenhuma resposta, parti do princípio que ainda não a tinham olhado e apreciado em todo o esplendor da sua beleza.
Aqui está a oportunidade de confirmar que não exagerei!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

DEPOIS DE VAN GOGH (2)


Cais de Alhos Vedros Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clique sobre a imagem)

O realismo do desenho, os seus pormenores, serve para eu me deleitar na liberdade da pincelada, no seu empaste e, mormente, na intensidade da cor que, só por mera coincidência, coincide com a realidade.
Do primeiro plano desapareceu uma estaca que lá estava inicialmente para conduzir o olhar do observador para a direita do quadro: deixei essa missão para a margem multicolorida que nos espreita…
O contraste dos amarelos e azuis é realçado pelos tons verdes (soma e complemento de ambas as cores) das margens e suavizado pelos acordes rosa, presentes no céu e na água que deve ser o seu espelho.
Olhando para este trabalho concluído, quero dizer, com a maior franqueza, que não noto nenhumas diferenças em relação aos meus mais recentes quadros.
Será que os meus amigos notam algumas?
E com esta música?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

DEPOIS DE VAN GOGH


Cais de Alhos Vedros Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clic sobre a imagem)

Nos dias que passei em casa do Mestre, regressei a casa com algumas certezas e muitas dúvidas.
Na análise dos seus desenhos, fiquei com a certeza que, afinal, ele preparava os seus quadros ao pormenor, com a indicação da fonte de luz e os seus traços dados com a direcção e intensidade que permitiam a aparente espontaneidade da sua pincelada. Num dos retratos, inacabado, é visível a quadrícula que utilizou para respeitar as proporções do modelo.
Sobre as dúvidas falaremos depois.
Neste meu desenho, não indico a direcção da pincelada, mas está garantida a sua espontaneidade, pois tenciono cobrir toda a tela com este vibrante Cadmium Yellow Médium Hue…
Quero que este amarelo fique a cintilar por debaixo das cores que o vão cobrir!
Vou continuar o meu trabalho.
Até já!

terça-feira, 22 de junho de 2010

À PROCURA DE VAN GOGH

Diógenes percorria as ruas de Atenas com uma lamparina dizendo estar à procura de um homem honesto. Não sei se o encontrou.



Eu procurava o Mestre da Pintura que criou com a sua cor, um mundo novo.










Na minha busca passei pelos canais de Amesterdão,















pelos cafés da noite,











percorri os campos de trigo, com corvos,








verifiquei no moinho de tinta de Kat em Kalverringdijk...




Finalmente, encontrei-o, em toda a sua pujança, no seu museu.

Espero que o tenha trazido comigo.
A urgência de Van Gogh em viver a vida, nos curtos dez anos que dedicou à pintura, vai ser a minha, para confirmar se consegui absorver o seu espírito.
Por falar em Mestres: fiquei desolado com a morte de Saramago!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

CONVITE ACEITE!


Convite para um café - Óleo sobre tela 80x100cm

Esta tela está em Zambujeira do Mar, num monte alentejano que pertence a um grande amigo meu. Está lá, porque foi a prenda de anos que a sua mulher lhe ofereceu.
De vez em quando, passo uns dias no monte para fazermos grandes (ás vezes pequenas, mas não é o mais importante) pescarias na foz do rio Mira, ou nas praias da costa alentejana.
No monte, sento-me numa cadeira com fundo de palha, semelhante à que tenho na tela, frente a frente, separados por uma mesa. Sinto que aquele lugar na cadeira, não está vazio: Vincent Van Gogh está lá sentado. Eu vejo-o lá: os seus cabelos e barba vermelhos, o seu rosto anguloso com rugas bem vincadas e, sobretudo, os seus penetrantes olhos verdes a dizer-me ... não me atrevo a dizer o quê...
E, na próxima semana, finalmente, vou retribuir-lhe a visita! Vou a Amesterdão e espero passar um dia na companhia do génio, na sua casa, o Van Gogh Museum!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

ADORADOR DO SOL



A Cidade do Sol
Acrílico sobre Tela (Políptico) 4x25x30cm

Gostei tanto do resultado da inspiração momentânea que me levou a executar o políptico “A Cidade dos Sonhos”, utilizando a gama de cores frias, que parti para a “Cidade do Sol” com a ideia precisa do que pretendia.
O olho humano distingue uma grande variedade de cores e tons, sem limites definidos. Este espectro visível abrange uma certa gama de frequências que correspondem a seis cores: vermelho, laranja, amarelo – cores quentes e verde, azul e violeta – cores frias.
Decidi, nestas quatro telas, utilizar a minha paleta de cores quentes na transmissão da sensação do sol a aquecer o ar, as casas, a alma da gente da minha Lisboa.

terça-feira, 25 de maio de 2010

DEIXEM-ME SONHAR!


A Cidade dos Sonhos
Acrílico sobre Tela (Políptico) 4x25x30cm

O caminho faz-se caminhando.
Esta obra, pouco ambiciosa no princípio, começou a ganhar forma na minha imaginação, à medida que a executava. Tinha planeado, nesta série, fazer uma cidade de sonho, com as dimensões de 100x120 cm. Para transmitir a sensação de misticismo, pensei executar a obra com uma paleta de cores dominada pelas cores-pigmento terciárias. De entre estas cores, queria usar e abusar do violeta, combinando-o preferencialmente com carmim, azul ultramarino e verde esmeralda. Como esta era uma gama de cores que eu pouco usava, cortei uma tela de 25x30cm e lancei mãos à obra.
Adorei a tela acabada. Sabia que seria irrepetível o resultado. Tive uma daquelas ideias brilhantes que, de vez em quando, nos assaltam: continuar, sem deitar fora o trabalho já feito, com mais três telas, que completassem a dimensão que tinha planeado para a obra final.
Assim fiz... e o trabalho aí está para a vossa apreciação crítica.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ADN


INADAPTADOS Acrílico sobre Tela 100x100cm

Esta foi a obra que resultou do estudo apresentado na postagem anterior. As semelhanças não são muitas, direi mesmo que são pura coincidência.
Toda a tela foi coberta com Yellow Ochre, bastante espesso. Com a tinta ainda fresca, fiz traços verticais com o cabo do pincel (clique sobre a imagem), para destruir a uniformidade da pintura.
Deixei secar a tinta e comecei a pintar as séries de cores frias e quentes, deixando em todas elas apontamentos de outros tons que não faziam parte do conjunto – os inadaptados.
Esta obra foi seleccionada para a VII Bienal de Artes Plásticas – Prémio Vespeira.
Sempre que exponho esta peça é recorrente dizerem-me que a sua estrutura faz lembrar a sequência do ADN. O engraçado é que eu também já prefiro este título. Só não o mudo porque não se mexe numa equipa vencedora!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A GRANDE CAMINHADA

Inadaptados Acrílico s/tela 60x60cm

Esta obra ganhou vida por ela própria. A ideia inicial era, numa tela já pintada com cores ocre, texturada, com incisões horizontais espaçadas e verticais mais próximas, pintar uma série de cores frias e quentes, no plano horizontal. Queria incutir no espectador uma sensação de grupos heterogéneos a caminhar, determinados, na obtenção de um objectivo misterioso. Este estudo serviria para preparar uma tela mais ambiciosa para uma bienal de prestígio - Prémio Vespeira. O problema foi que gostei tanto deste estudo que não me quis copiar. Na versão final, mais elaborada e de maiores dimensões, nem o título mantive. Esta tela continua comigo e não é mais um estudo - tem um lugar de destaque entre as obras que criei.

terça-feira, 27 de abril de 2010

INVERNO


Flor de Amendoeira Óleo sobre Platex 15x15cm
(clique sobre a imagem)

Com o trabalho tudo correu bem, o último quadro foram ramos floridos – tu verás, entre as minhas obras talvez a que fiz com mais paciência e melhor, pintada com calma e uma maior segurança das pinceladas.

Estas palavras foram escritas por Van Gogh, numa carta ao seu irmão, depois de concluir um quadro, para oferecer ao seu sobrinho e afilhado, Vincent.
A obra, com o título, “Amendoeira em Flor”, óleo sobre tela, 73x92cm, está em Amesterdão, no Rijksmuseum Vincent Van Gogh. Todos os críticos, nos seus comentários, consideram este céu, o mais intenso, o mais brilhante, que o artista alguma vez pintou. Tinha a intenção de colocar aqui o quadro, mas fiquei completamente baralhado: se se derem ao trabalho, verificarão, nas centenas de reproduções que há no Google, as diferenças gritantes que existem entre cada uma delas.
Brevemente, estarei no local para saber qual é, afinal, o verdadeiro azul do mestre. Por agora, mais do que a queda de neve ou os gélidos ventos, imaginem as andorinhas pairando no ar, com o inconfundível aroma das amendoeiras em flor, anunciando a chegada da Primavera…
Pode escutar o concerto para violino e orquestra, “As Quatro Estações – Inverno”, em que, logo no início, os acordes dissonantes da orquestra lembram os gélidos ventos e a queda de neve, com o violino em escalas descendentes e harpejos, imitando o canto dos pássaros ávidos do calor do sol - como nós!

terça-feira, 20 de abril de 2010

OUTONO


Outono Óleo sobre Platex 15x15cm
(clique sobre a imagem para ver pormenores)

A mais popular obra de Vivaldi é, "As quatro Estações", em que o compositor expressa musicalmente, de uma forma simples, directa e descritiva a natureza. O Outono, estação da queda das folhas, é um concerto em fá maior para violino, cordas e cravo. Tem os três andamentos dos outros concertos e pela mesma ordem: “Vindima”, allegro, a bebedeira causada pelo vinho (adágio molto) e no último, o trepidante ritmo da caça, obviamente allegro, menos para o veado que é morto!
Diz-se que o Outono é uma estação calma, de meias-tintas. Tal como acontece com o veado, também as folhas ao morrer não me deixam indiferente: mostram com a violência das suas cores, o seu protesto pela morte que adivinham! E como são eloquentes!
Quando morrer quero ter cores assim!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

VERÃO COM VAN GOGH


Verão Óleo sobre Platex 15x15cm
(clique sobre a fotografia)

Sob a dura estação, pelo Sol incendiada, (Sotto dura Staggion dal Sole accesa), é assim que começa o poema que inspirou a composição musical. Este concerto, tal como o das outras estações, tem três andamentos: dois rápidos e um lento. Vivaldi escreveu para ele próprio ser o violinista solista, dando melodias mais ternas e suaves aos andamentos lentos, e grande vivacidade aos andamentos rápidos. Nigel Kennedy, o solista, deste III Presto, é o vulcão visível deste Verão de Vivaldi.
O que inspirou a série de girassóis que fui fazendo, pensando friamente, resultou de um acaso.
Já vos disse que tenho uma caturra que imita o meu assobio no "Hino Nacional", na "Quinta Sinfonia", de Beethoven, no "Jingle Bells", entre outras músicas. Ela come uma mistura de sementes. É muito temperamental, como todas as divas, e espalha-as por todo o lado. Recolho as sementes do chão e atiro-as para o terreno para que outras aves as aproveitem. Há uns anos atrás, duma dessas sementes, nasceu um espectacular girassol, com o qual fui gastando rolos e rolos de fotografias, de todos os ângulos e com todas as situações de sol e sombra.
Mas eu não acredito em acasos! E eu acho que não foi inocente o nascimento dessa flor no meu terreno: Van Gogh esteve lá a cuidar dele...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

THE UNKNOWN GOD (II)


Queda de um Gigante Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clique sobre a imagem para ver pormenores)

Eu fui um dos braços amigos que amparou o pinheiro, se a força do pensamento o conseguir fazer…
Olhando a terra esventrada pelas raízes que teimosamente se mantinham, e subindo o olhar para o céu filtrado pelas ramagens finas e pelas carumas, a sua cor era o complemento das que lhe faziam de filtro. A brisa ligeira, que afagava os ramos, fazia desfilar perante os meus olhos extasiados, um caleidoscópio de cores que me deixava sem respiração.
E já olharam bem de perto a casca de um pinheiro-manso? As suas diversas camadas estão perfeitamente definidas, consoante o tempo de exposição ao sol, com uma inenarrável gama de cores quentes, delimitadas por traços de tinta-da-china preta, num trabalho delicado, que só pode ser de algum “UNKNOWN GOD”…

quarta-feira, 7 de abril de 2010

THE UNKNOWN GOD


Queda de um Gigante (em construção) 30x40cm

Os atenienses, apesar dos seus doze deuses principais, com receio de ferirem susceptibilidades, criaram um templo dedicado ao deus desconhecido. Se não serviu para mais nada, a sua existência ficou justificada com a obra-prima, “A um deus desconhecido”, de John Steinbeck.
Nesta novela telúrica, panteísta, Joseph Wayne, para cumprir o desejo do pai, vai viver para uma terra de vales imensos e de majestosas árvores. Depois da sua morte, Joseph acredita que a alma do pai se recolheu no imponente carvalho, junto da casa. A partir desse momento, a sua vida fica ligada umbilicalmente, de uma forma mística, ao destino da árvore. Como quase sempre acontece, é por uma boa razão, em nome de Deus, para o salvar do fogo do inferno, que seu irmão assassina o velho carvalho, cortando-lhe as raízes. O sentimento de tragédia, presente nas páginas da novela, começa a adensar-se com a seca que invade a terra e atinge o seu paroxismo quando Joseph se suicida. Com “o sangue a gorgolejar das artérias abertas”, ele diz: “Eu sou a terra e sou a chuva. A erva brotará de mim dentro em pouco.”
No passeio pelos sapais do Tejo, do qual falei anteriormente, logo a seguir ao Moinho da Charroqueira, encontrei um sinal das intensas chuvadas e fortes ventos: um pinheiro-manso (Pinus pinea) caído, suportado, de um lado, pelas suas raízes, e do outro, como que amparado por braços amigos, com as ramagens na terra. Lembrei-me de imediato da árvore assassinada em nome de Deus.
“E a tempestade recrudesceu e, com um enorme cachoar de águas, cobriu de sombra o mundo.”
Este desenho está mais pormenorizado do que é costume, porque é minha intenção dar-lhe a aparência de um vitral, que poderá ser colocado, quem sabe, numa UNKNOWN CHURCH.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

PRIMAVERA


Primavera Óleo sobre Platex 15x15cm

Esta é a imagem sonora de Antonio Vivaldi que podem ouvir aqui.
Descreve a chegada da Primavera como uma festa da natureza. Nos solos dos violinistas, está reproduzido o canto dos pássaros e o murmúrio dos riachos afagados pela brisa suave e fresca. Podemos imaginar a dança das ninfas e dos pastores, sob o brilho do sol primaveril, depois do rugido dos trovões e da luz lívida dos relâmpagos iluminando o manto negro das nuvens características do Inverno.
Esqueçam os produtos que esta música já vendeu, nos spots publicitários – se puderem…
A imagem visual da Primavera, de António Tapadinhas, tem as flores mais singelas – umas papoilas saltitantes…
São estas flores que eu ofereço aos meus amigos, desejando a todos uma Páscoa Feliz!