quinta-feira, 1 de julho de 2010

DEPOIS DE VAN GOGH (2)


Cais de Alhos Vedros Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clique sobre a imagem)

O realismo do desenho, os seus pormenores, serve para eu me deleitar na liberdade da pincelada, no seu empaste e, mormente, na intensidade da cor que, só por mera coincidência, coincide com a realidade.
Do primeiro plano desapareceu uma estaca que lá estava inicialmente para conduzir o olhar do observador para a direita do quadro: deixei essa missão para a margem multicolorida que nos espreita…
O contraste dos amarelos e azuis é realçado pelos tons verdes (soma e complemento de ambas as cores) das margens e suavizado pelos acordes rosa, presentes no céu e na água que deve ser o seu espelho.
Olhando para este trabalho concluído, quero dizer, com a maior franqueza, que não noto nenhumas diferenças em relação aos meus mais recentes quadros.
Será que os meus amigos notam algumas?
E com esta música?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

DEPOIS DE VAN GOGH


Cais de Alhos Vedros Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clic sobre a imagem)

Nos dias que passei em casa do Mestre, regressei a casa com algumas certezas e muitas dúvidas.
Na análise dos seus desenhos, fiquei com a certeza que, afinal, ele preparava os seus quadros ao pormenor, com a indicação da fonte de luz e os seus traços dados com a direcção e intensidade que permitiam a aparente espontaneidade da sua pincelada. Num dos retratos, inacabado, é visível a quadrícula que utilizou para respeitar as proporções do modelo.
Sobre as dúvidas falaremos depois.
Neste meu desenho, não indico a direcção da pincelada, mas está garantida a sua espontaneidade, pois tenciono cobrir toda a tela com este vibrante Cadmium Yellow Médium Hue…
Quero que este amarelo fique a cintilar por debaixo das cores que o vão cobrir!
Vou continuar o meu trabalho.
Até já!

terça-feira, 22 de junho de 2010

À PROCURA DE VAN GOGH

Diógenes percorria as ruas de Atenas com uma lamparina dizendo estar à procura de um homem honesto. Não sei se o encontrou.



Eu procurava o Mestre da Pintura que criou com a sua cor, um mundo novo.










Na minha busca passei pelos canais de Amesterdão,















pelos cafés da noite,











percorri os campos de trigo, com corvos,








verifiquei no moinho de tinta de Kat em Kalverringdijk...




Finalmente, encontrei-o, em toda a sua pujança, no seu museu.

Espero que o tenha trazido comigo.
A urgência de Van Gogh em viver a vida, nos curtos dez anos que dedicou à pintura, vai ser a minha, para confirmar se consegui absorver o seu espírito.
Por falar em Mestres: fiquei desolado com a morte de Saramago!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

CONVITE ACEITE!


Convite para um café - Óleo sobre tela 80x100cm

Esta tela está em Zambujeira do Mar, num monte alentejano que pertence a um grande amigo meu. Está lá, porque foi a prenda de anos que a sua mulher lhe ofereceu.
De vez em quando, passo uns dias no monte para fazermos grandes (ás vezes pequenas, mas não é o mais importante) pescarias na foz do rio Mira, ou nas praias da costa alentejana.
No monte, sento-me numa cadeira com fundo de palha, semelhante à que tenho na tela, frente a frente, separados por uma mesa. Sinto que aquele lugar na cadeira, não está vazio: Vincent Van Gogh está lá sentado. Eu vejo-o lá: os seus cabelos e barba vermelhos, o seu rosto anguloso com rugas bem vincadas e, sobretudo, os seus penetrantes olhos verdes a dizer-me ... não me atrevo a dizer o quê...
E, na próxima semana, finalmente, vou retribuir-lhe a visita! Vou a Amesterdão e espero passar um dia na companhia do génio, na sua casa, o Van Gogh Museum!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

ADORADOR DO SOL



A Cidade do Sol
Acrílico sobre Tela (Políptico) 4x25x30cm

Gostei tanto do resultado da inspiração momentânea que me levou a executar o políptico “A Cidade dos Sonhos”, utilizando a gama de cores frias, que parti para a “Cidade do Sol” com a ideia precisa do que pretendia.
O olho humano distingue uma grande variedade de cores e tons, sem limites definidos. Este espectro visível abrange uma certa gama de frequências que correspondem a seis cores: vermelho, laranja, amarelo – cores quentes e verde, azul e violeta – cores frias.
Decidi, nestas quatro telas, utilizar a minha paleta de cores quentes na transmissão da sensação do sol a aquecer o ar, as casas, a alma da gente da minha Lisboa.

terça-feira, 25 de maio de 2010

DEIXEM-ME SONHAR!


A Cidade dos Sonhos
Acrílico sobre Tela (Políptico) 4x25x30cm

O caminho faz-se caminhando.
Esta obra, pouco ambiciosa no princípio, começou a ganhar forma na minha imaginação, à medida que a executava. Tinha planeado, nesta série, fazer uma cidade de sonho, com as dimensões de 100x120 cm. Para transmitir a sensação de misticismo, pensei executar a obra com uma paleta de cores dominada pelas cores-pigmento terciárias. De entre estas cores, queria usar e abusar do violeta, combinando-o preferencialmente com carmim, azul ultramarino e verde esmeralda. Como esta era uma gama de cores que eu pouco usava, cortei uma tela de 25x30cm e lancei mãos à obra.
Adorei a tela acabada. Sabia que seria irrepetível o resultado. Tive uma daquelas ideias brilhantes que, de vez em quando, nos assaltam: continuar, sem deitar fora o trabalho já feito, com mais três telas, que completassem a dimensão que tinha planeado para a obra final.
Assim fiz... e o trabalho aí está para a vossa apreciação crítica.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ADN


INADAPTADOS Acrílico sobre Tela 100x100cm

Esta foi a obra que resultou do estudo apresentado na postagem anterior. As semelhanças não são muitas, direi mesmo que são pura coincidência.
Toda a tela foi coberta com Yellow Ochre, bastante espesso. Com a tinta ainda fresca, fiz traços verticais com o cabo do pincel (clique sobre a imagem), para destruir a uniformidade da pintura.
Deixei secar a tinta e comecei a pintar as séries de cores frias e quentes, deixando em todas elas apontamentos de outros tons que não faziam parte do conjunto – os inadaptados.
Esta obra foi seleccionada para a VII Bienal de Artes Plásticas – Prémio Vespeira.
Sempre que exponho esta peça é recorrente dizerem-me que a sua estrutura faz lembrar a sequência do ADN. O engraçado é que eu também já prefiro este título. Só não o mudo porque não se mexe numa equipa vencedora!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A GRANDE CAMINHADA

Inadaptados Acrílico s/tela 60x60cm

Esta obra ganhou vida por ela própria. A ideia inicial era, numa tela já pintada com cores ocre, texturada, com incisões horizontais espaçadas e verticais mais próximas, pintar uma série de cores frias e quentes, no plano horizontal. Queria incutir no espectador uma sensação de grupos heterogéneos a caminhar, determinados, na obtenção de um objectivo misterioso. Este estudo serviria para preparar uma tela mais ambiciosa para uma bienal de prestígio - Prémio Vespeira. O problema foi que gostei tanto deste estudo que não me quis copiar. Na versão final, mais elaborada e de maiores dimensões, nem o título mantive. Esta tela continua comigo e não é mais um estudo - tem um lugar de destaque entre as obras que criei.

terça-feira, 27 de abril de 2010

INVERNO


Flor de Amendoeira Óleo sobre Platex 15x15cm
(clique sobre a imagem)

Com o trabalho tudo correu bem, o último quadro foram ramos floridos – tu verás, entre as minhas obras talvez a que fiz com mais paciência e melhor, pintada com calma e uma maior segurança das pinceladas.

Estas palavras foram escritas por Van Gogh, numa carta ao seu irmão, depois de concluir um quadro, para oferecer ao seu sobrinho e afilhado, Vincent.
A obra, com o título, “Amendoeira em Flor”, óleo sobre tela, 73x92cm, está em Amesterdão, no Rijksmuseum Vincent Van Gogh. Todos os críticos, nos seus comentários, consideram este céu, o mais intenso, o mais brilhante, que o artista alguma vez pintou. Tinha a intenção de colocar aqui o quadro, mas fiquei completamente baralhado: se se derem ao trabalho, verificarão, nas centenas de reproduções que há no Google, as diferenças gritantes que existem entre cada uma delas.
Brevemente, estarei no local para saber qual é, afinal, o verdadeiro azul do mestre. Por agora, mais do que a queda de neve ou os gélidos ventos, imaginem as andorinhas pairando no ar, com o inconfundível aroma das amendoeiras em flor, anunciando a chegada da Primavera…
Pode escutar o concerto para violino e orquestra, “As Quatro Estações – Inverno”, em que, logo no início, os acordes dissonantes da orquestra lembram os gélidos ventos e a queda de neve, com o violino em escalas descendentes e harpejos, imitando o canto dos pássaros ávidos do calor do sol - como nós!

terça-feira, 20 de abril de 2010

OUTONO


Outono Óleo sobre Platex 15x15cm
(clique sobre a imagem para ver pormenores)

A mais popular obra de Vivaldi é, "As quatro Estações", em que o compositor expressa musicalmente, de uma forma simples, directa e descritiva a natureza. O Outono, estação da queda das folhas, é um concerto em fá maior para violino, cordas e cravo. Tem os três andamentos dos outros concertos e pela mesma ordem: “Vindima”, allegro, a bebedeira causada pelo vinho (adágio molto) e no último, o trepidante ritmo da caça, obviamente allegro, menos para o veado que é morto!
Diz-se que o Outono é uma estação calma, de meias-tintas. Tal como acontece com o veado, também as folhas ao morrer não me deixam indiferente: mostram com a violência das suas cores, o seu protesto pela morte que adivinham! E como são eloquentes!
Quando morrer quero ter cores assim!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

VERÃO COM VAN GOGH


Verão Óleo sobre Platex 15x15cm
(clique sobre a fotografia)

Sob a dura estação, pelo Sol incendiada, (Sotto dura Staggion dal Sole accesa), é assim que começa o poema que inspirou a composição musical. Este concerto, tal como o das outras estações, tem três andamentos: dois rápidos e um lento. Vivaldi escreveu para ele próprio ser o violinista solista, dando melodias mais ternas e suaves aos andamentos lentos, e grande vivacidade aos andamentos rápidos. Nigel Kennedy, o solista, deste III Presto, é o vulcão visível deste Verão de Vivaldi.
O que inspirou a série de girassóis que fui fazendo, pensando friamente, resultou de um acaso.
Já vos disse que tenho uma caturra que imita o meu assobio no "Hino Nacional", na "Quinta Sinfonia", de Beethoven, no "Jingle Bells", entre outras músicas. Ela come uma mistura de sementes. É muito temperamental, como todas as divas, e espalha-as por todo o lado. Recolho as sementes do chão e atiro-as para o terreno para que outras aves as aproveitem. Há uns anos atrás, duma dessas sementes, nasceu um espectacular girassol, com o qual fui gastando rolos e rolos de fotografias, de todos os ângulos e com todas as situações de sol e sombra.
Mas eu não acredito em acasos! E eu acho que não foi inocente o nascimento dessa flor no meu terreno: Van Gogh esteve lá a cuidar dele...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

THE UNKNOWN GOD (II)


Queda de um Gigante Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clique sobre a imagem para ver pormenores)

Eu fui um dos braços amigos que amparou o pinheiro, se a força do pensamento o conseguir fazer…
Olhando a terra esventrada pelas raízes que teimosamente se mantinham, e subindo o olhar para o céu filtrado pelas ramagens finas e pelas carumas, a sua cor era o complemento das que lhe faziam de filtro. A brisa ligeira, que afagava os ramos, fazia desfilar perante os meus olhos extasiados, um caleidoscópio de cores que me deixava sem respiração.
E já olharam bem de perto a casca de um pinheiro-manso? As suas diversas camadas estão perfeitamente definidas, consoante o tempo de exposição ao sol, com uma inenarrável gama de cores quentes, delimitadas por traços de tinta-da-china preta, num trabalho delicado, que só pode ser de algum “UNKNOWN GOD”…

quarta-feira, 7 de abril de 2010

THE UNKNOWN GOD


Queda de um Gigante (em construção) 30x40cm

Os atenienses, apesar dos seus doze deuses principais, com receio de ferirem susceptibilidades, criaram um templo dedicado ao deus desconhecido. Se não serviu para mais nada, a sua existência ficou justificada com a obra-prima, “A um deus desconhecido”, de John Steinbeck.
Nesta novela telúrica, panteísta, Joseph Wayne, para cumprir o desejo do pai, vai viver para uma terra de vales imensos e de majestosas árvores. Depois da sua morte, Joseph acredita que a alma do pai se recolheu no imponente carvalho, junto da casa. A partir desse momento, a sua vida fica ligada umbilicalmente, de uma forma mística, ao destino da árvore. Como quase sempre acontece, é por uma boa razão, em nome de Deus, para o salvar do fogo do inferno, que seu irmão assassina o velho carvalho, cortando-lhe as raízes. O sentimento de tragédia, presente nas páginas da novela, começa a adensar-se com a seca que invade a terra e atinge o seu paroxismo quando Joseph se suicida. Com “o sangue a gorgolejar das artérias abertas”, ele diz: “Eu sou a terra e sou a chuva. A erva brotará de mim dentro em pouco.”
No passeio pelos sapais do Tejo, do qual falei anteriormente, logo a seguir ao Moinho da Charroqueira, encontrei um sinal das intensas chuvadas e fortes ventos: um pinheiro-manso (Pinus pinea) caído, suportado, de um lado, pelas suas raízes, e do outro, como que amparado por braços amigos, com as ramagens na terra. Lembrei-me de imediato da árvore assassinada em nome de Deus.
“E a tempestade recrudesceu e, com um enorme cachoar de águas, cobriu de sombra o mundo.”
Este desenho está mais pormenorizado do que é costume, porque é minha intenção dar-lhe a aparência de um vitral, que poderá ser colocado, quem sabe, numa UNKNOWN CHURCH.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

PRIMAVERA


Primavera Óleo sobre Platex 15x15cm

Esta é a imagem sonora de Antonio Vivaldi que podem ouvir aqui.
Descreve a chegada da Primavera como uma festa da natureza. Nos solos dos violinistas, está reproduzido o canto dos pássaros e o murmúrio dos riachos afagados pela brisa suave e fresca. Podemos imaginar a dança das ninfas e dos pastores, sob o brilho do sol primaveril, depois do rugido dos trovões e da luz lívida dos relâmpagos iluminando o manto negro das nuvens características do Inverno.
Esqueçam os produtos que esta música já vendeu, nos spots publicitários – se puderem…
A imagem visual da Primavera, de António Tapadinhas, tem as flores mais singelas – umas papoilas saltitantes…
São estas flores que eu ofereço aos meus amigos, desejando a todos uma Páscoa Feliz!

quinta-feira, 25 de março de 2010

PASTOR DE SONHOS (II)


Pastor de Sonhos Acrílico sobre Tela 30x40cm

Já disse que a obra de Fernando Pessoa é tão vasta, que basta procurar para descobrir, com certeza, um poema que retrate com fidelidade o que queremos dizer. A vantagem é a genialidade do Poeta.

O GUARDADOR DE REBANHOS
Alberto Caeiro

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.


Nesta obra o Céu está por cima de nós, como é natural num Céu que se preze... Mas, se olharmos melhor, ele está também a nossos pés!
Façam-me um favor: Sejam felizes!

quarta-feira, 24 de março de 2010

PASTOR DE SONHOS


Pastor de Sonhos (em construção) Acrílico sobre tela 30x40cm

Um grupo de amigos formou o blogue, Estudo Geral. Na primeira reunião, por ser num sítio emblemático da nossa região, levei a máquina fotográfica e o meu equipamento natural treinado para ver uma pintura em qualquer lugar.
Fizemos um percurso a pé pela Reserva Natural do Tejo, numa zona de sapal e antigas salinas, num silêncio só quebrado pelos gritos das aves e pelo relinchar dos cavalos que pastavam as suculentas plantas.
Trocámos algumas impressões, poucas, sentados num banco, junto às ruínas do Moinho da Charroqueira, o epicentro do espectáculo que se desenrolava perante os nossos olhos.
Este quadro, de que mostro o desenho e esta primeira abordagem da cor suave que pretendo, para além do óbvio, ambiciona guardar a parte nobre dos homens: os seus sonhos!

sexta-feira, 19 de março de 2010

LUZ (II)


Tivoli Marina de Portimão Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clique sobre a imagem para ver pormenores)

Continuei com a vontade de escrever com as tintas esta mensagem de amor que, mais do que ficar comigo, guardada em mim, pudesse ser transmitida a todos os que apreciam os valores que estiveram na sua génese.
O vigor da execução, as pinceladas carregadas de matéria e de cores luminosas, contrastantes, procura transmitir o ambiente que vivi durante esses inesquecíveis dias.
Ao acabar esta obra, espero que o meu direito ao sonho possa ser entendido por todos.
Hoje, dia do pai, sinto-me muito avô!

terça-feira, 16 de março de 2010

LUZ


Tivoli Marina de Portimão Acrílico sobre Tela 30x40cm
(Ars Interim)

Na execução do quadro “Marina de Portimão”, quis deixar bem vincada a alegria contagiante da descoberta do mundo pelo meu neto, e a vibração das cores que transformavam esse dia num manancial de emoções, que gostaria de eternizar na tela.
Prova da satisfação que obtive com essa obra é esta que agora começo. Não tem, talvez, a força exuberante que nos é transmitida por uma primeira obra, mas terá a expressividade e a segurança que nos dá o conhecimento do caminho que percorremos.
O desenho a tinta acrílica, Ivory Black, foi feito com um pincel n.º 6, Short Flat, para que não se perdesse a separação dos volumes e da cor.
As cores usadas são as que constituem a realidade que via com os meus olhos: luz vibrante, reflexos iridescentes, numa anarquia cheia de rigor…
Quero que amanhã, quando for concluir a pintura, ela se mantenha como agora a vejo: plena de vitalidade, de luz e, já agora, de beleza!

quinta-feira, 11 de março de 2010

VIOLÊNCIA


Parque Catarina Eufémia Óleo sobre Tela 50x60cm

Hoje de manhã, vi na televisão um grupo de deputados do Canadá, a comerem com satisfação carne de golfinho. Alguns, com o garfo espetado para a câmara, com um largo sorriso, mostravam o seu aprazimento pelo acto. Tudo isto, para demonstrarem à EU, que se estavam borrifando para as suas recomendações, na preservação desta espécie.
Lembrei-me deste quadro, que mostra um pequeno lago no Parque Catarina Eufémia, no Barreiro, que eu costumava frequentar com as minhas filhas.
Aqueles cisnes negros, que nadam alegremente, foram, dias depois, mortos por alguns energúmenos, sem nenhuma razão aparente.
Os deputados, coitados, estão a lutar pela sua sobrevivência, por isso, têm de comer golfinhos…
Até agora ainda não consegui decidir quem me causa maior repulsa.

quarta-feira, 3 de março de 2010

CRIANÇA COMO NÓS II


Marina de Portimão Acrílico sobre Tela 50x70cm
(clique sobre a imagem)

Continuei, com a pincelada curta mas carregada de tinta, a preencher as casas com as cores quentes, tendo o cuidado de com a espátula fazer o seu reflexo nas águas da marina.


Marina de Portimão (pormenor)

A ligeira brisa que soprava fazia vibrar, cantar as cores quentes, sobre o azul das águas que timidamente espreitam, por entre aquele caleidoscópio de cores.
Procurei que a visão das formas rígidas das casas, fosse submergida pela experiência visual das cores.
A alegria que me inundava o coração quis reflecti-la neste quadro.
Eu sinto-a em cada uma das suas nuances…