Praia da Rocha Acrílico sobre Tela 60x80cm
(clic sobre a imagem para ver em pormenor)
Acabei de pintar o mar com o mesmo azul diluído, que deixava ver o Naples Yellow que lhe servia de suporte. Na base das rochas, deixei uma sugestão de espuma e na água mais próxima, traços mais precisos, mostrando as ondas que se formam junto à praia. Detalhei com maior precisão os pinheiros que, neste caso, têm um papel fundamental no equilíbrio do quadro e, curiosamente, na estabilidade da falésia. Com delicadeza, vou percorrendo toda a tela corrigindo pormenores, tendo sempre o cuidado de não exagerar, para que a pincelada permaneça sugestiva, livre e nervosa, como o tema.
Não fiquei satisfeito com o resultado. Deixei o trabalho e fui beber um café…
No regresso já tinha uma ideia muito precisa do que faltava. Voltei o quadro ao contrário e “vi” o defeito: o mar não existia! Voltei a pintar os azuis do mar (os mesmos usados para pintar o céu) e, para os reforçar, dando maior profundidade, juntei um pouco de Prussian Blue…
E, fiquei convencido!
Gostei tanto, que me fez lembrar o poema de Fernando Pessoa
D. DINIS
Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.
Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.