quinta-feira, 8 de abril de 2010

THE UNKNOWN GOD (II)


Queda de um Gigante Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clique sobre a imagem para ver pormenores)

Eu fui um dos braços amigos que amparou o pinheiro, se a força do pensamento o conseguir fazer…
Olhando a terra esventrada pelas raízes que teimosamente se mantinham, e subindo o olhar para o céu filtrado pelas ramagens finas e pelas carumas, a sua cor era o complemento das que lhe faziam de filtro. A brisa ligeira, que afagava os ramos, fazia desfilar perante os meus olhos extasiados, um caleidoscópio de cores que me deixava sem respiração.
E já olharam bem de perto a casca de um pinheiro-manso? As suas diversas camadas estão perfeitamente definidas, consoante o tempo de exposição ao sol, com uma inenarrável gama de cores quentes, delimitadas por traços de tinta-da-china preta, num trabalho delicado, que só pode ser de algum “UNKNOWN GOD”…

quarta-feira, 7 de abril de 2010

THE UNKNOWN GOD


Queda de um Gigante (em construção) 30x40cm

Os atenienses, apesar dos seus doze deuses principais, com receio de ferirem susceptibilidades, criaram um templo dedicado ao deus desconhecido. Se não serviu para mais nada, a sua existência ficou justificada com a obra-prima, “A um deus desconhecido”, de John Steinbeck.
Nesta novela telúrica, panteísta, Joseph Wayne, para cumprir o desejo do pai, vai viver para uma terra de vales imensos e de majestosas árvores. Depois da sua morte, Joseph acredita que a alma do pai se recolheu no imponente carvalho, junto da casa. A partir desse momento, a sua vida fica ligada umbilicalmente, de uma forma mística, ao destino da árvore. Como quase sempre acontece, é por uma boa razão, em nome de Deus, para o salvar do fogo do inferno, que seu irmão assassina o velho carvalho, cortando-lhe as raízes. O sentimento de tragédia, presente nas páginas da novela, começa a adensar-se com a seca que invade a terra e atinge o seu paroxismo quando Joseph se suicida. Com “o sangue a gorgolejar das artérias abertas”, ele diz: “Eu sou a terra e sou a chuva. A erva brotará de mim dentro em pouco.”
No passeio pelos sapais do Tejo, do qual falei anteriormente, logo a seguir ao Moinho da Charroqueira, encontrei um sinal das intensas chuvadas e fortes ventos: um pinheiro-manso (Pinus pinea) caído, suportado, de um lado, pelas suas raízes, e do outro, como que amparado por braços amigos, com as ramagens na terra. Lembrei-me de imediato da árvore assassinada em nome de Deus.
“E a tempestade recrudesceu e, com um enorme cachoar de águas, cobriu de sombra o mundo.”
Este desenho está mais pormenorizado do que é costume, porque é minha intenção dar-lhe a aparência de um vitral, que poderá ser colocado, quem sabe, numa UNKNOWN CHURCH.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

PRIMAVERA


Primavera Óleo sobre Platex 15x15cm

Esta é a imagem sonora de Antonio Vivaldi que podem ouvir aqui.
Descreve a chegada da Primavera como uma festa da natureza. Nos solos dos violinistas, está reproduzido o canto dos pássaros e o murmúrio dos riachos afagados pela brisa suave e fresca. Podemos imaginar a dança das ninfas e dos pastores, sob o brilho do sol primaveril, depois do rugido dos trovões e da luz lívida dos relâmpagos iluminando o manto negro das nuvens características do Inverno.
Esqueçam os produtos que esta música já vendeu, nos spots publicitários – se puderem…
A imagem visual da Primavera, de António Tapadinhas, tem as flores mais singelas – umas papoilas saltitantes…
São estas flores que eu ofereço aos meus amigos, desejando a todos uma Páscoa Feliz!

quinta-feira, 25 de março de 2010

PASTOR DE SONHOS (II)


Pastor de Sonhos Acrílico sobre Tela 30x40cm

Já disse que a obra de Fernando Pessoa é tão vasta, que basta procurar para descobrir, com certeza, um poema que retrate com fidelidade o que queremos dizer. A vantagem é a genialidade do Poeta.

O GUARDADOR DE REBANHOS
Alberto Caeiro

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.


Nesta obra o Céu está por cima de nós, como é natural num Céu que se preze... Mas, se olharmos melhor, ele está também a nossos pés!
Façam-me um favor: Sejam felizes!

quarta-feira, 24 de março de 2010

PASTOR DE SONHOS


Pastor de Sonhos (em construção) Acrílico sobre tela 30x40cm

Um grupo de amigos formou o blogue, Estudo Geral. Na primeira reunião, por ser num sítio emblemático da nossa região, levei a máquina fotográfica e o meu equipamento natural treinado para ver uma pintura em qualquer lugar.
Fizemos um percurso a pé pela Reserva Natural do Tejo, numa zona de sapal e antigas salinas, num silêncio só quebrado pelos gritos das aves e pelo relinchar dos cavalos que pastavam as suculentas plantas.
Trocámos algumas impressões, poucas, sentados num banco, junto às ruínas do Moinho da Charroqueira, o epicentro do espectáculo que se desenrolava perante os nossos olhos.
Este quadro, de que mostro o desenho e esta primeira abordagem da cor suave que pretendo, para além do óbvio, ambiciona guardar a parte nobre dos homens: os seus sonhos!

sexta-feira, 19 de março de 2010

LUZ (II)


Tivoli Marina de Portimão Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clique sobre a imagem para ver pormenores)

Continuei com a vontade de escrever com as tintas esta mensagem de amor que, mais do que ficar comigo, guardada em mim, pudesse ser transmitida a todos os que apreciam os valores que estiveram na sua génese.
O vigor da execução, as pinceladas carregadas de matéria e de cores luminosas, contrastantes, procura transmitir o ambiente que vivi durante esses inesquecíveis dias.
Ao acabar esta obra, espero que o meu direito ao sonho possa ser entendido por todos.
Hoje, dia do pai, sinto-me muito avô!

terça-feira, 16 de março de 2010

LUZ


Tivoli Marina de Portimão Acrílico sobre Tela 30x40cm
(Ars Interim)

Na execução do quadro “Marina de Portimão”, quis deixar bem vincada a alegria contagiante da descoberta do mundo pelo meu neto, e a vibração das cores que transformavam esse dia num manancial de emoções, que gostaria de eternizar na tela.
Prova da satisfação que obtive com essa obra é esta que agora começo. Não tem, talvez, a força exuberante que nos é transmitida por uma primeira obra, mas terá a expressividade e a segurança que nos dá o conhecimento do caminho que percorremos.
O desenho a tinta acrílica, Ivory Black, foi feito com um pincel n.º 6, Short Flat, para que não se perdesse a separação dos volumes e da cor.
As cores usadas são as que constituem a realidade que via com os meus olhos: luz vibrante, reflexos iridescentes, numa anarquia cheia de rigor…
Quero que amanhã, quando for concluir a pintura, ela se mantenha como agora a vejo: plena de vitalidade, de luz e, já agora, de beleza!

quinta-feira, 11 de março de 2010

VIOLÊNCIA


Parque Catarina Eufémia Óleo sobre Tela 50x60cm

Hoje de manhã, vi na televisão um grupo de deputados do Canadá, a comerem com satisfação carne de golfinho. Alguns, com o garfo espetado para a câmara, com um largo sorriso, mostravam o seu aprazimento pelo acto. Tudo isto, para demonstrarem à EU, que se estavam borrifando para as suas recomendações, na preservação desta espécie.
Lembrei-me deste quadro, que mostra um pequeno lago no Parque Catarina Eufémia, no Barreiro, que eu costumava frequentar com as minhas filhas.
Aqueles cisnes negros, que nadam alegremente, foram, dias depois, mortos por alguns energúmenos, sem nenhuma razão aparente.
Os deputados, coitados, estão a lutar pela sua sobrevivência, por isso, têm de comer golfinhos…
Até agora ainda não consegui decidir quem me causa maior repulsa.

quarta-feira, 3 de março de 2010

CRIANÇA COMO NÓS II


Marina de Portimão Acrílico sobre Tela 50x70cm
(clique sobre a imagem)

Continuei, com a pincelada curta mas carregada de tinta, a preencher as casas com as cores quentes, tendo o cuidado de com a espátula fazer o seu reflexo nas águas da marina.


Marina de Portimão (pormenor)

A ligeira brisa que soprava fazia vibrar, cantar as cores quentes, sobre o azul das águas que timidamente espreitam, por entre aquele caleidoscópio de cores.
Procurei que a visão das formas rígidas das casas, fosse submergida pela experiência visual das cores.
A alegria que me inundava o coração quis reflecti-la neste quadro.
Eu sinto-a em cada uma das suas nuances…

domingo, 28 de fevereiro de 2010

CRIANÇA COMO NÓS




Marina de Portimão Acrílico sobre Tela 50x70 (em construção)
Clique sobre a imagem para ver pormenores

O meu neto adora barcos. Nos dias que passei com ele, tornou-se obrigatório passar pela marina de Portimão, para desfrutar da sua alegria, da sua conversa com as gaivotas e o vento…
Ali mesmo, a não sei quantos graus de latitude, à hora exacta, lá estava eu com os olhos e o cérebro atentos aos reflexos das casas e dos barcos na água, contagiado pela alegria que inundava o ar salsuginoso…
Fiz o desenho com pincel e tinta preta para definir os contornos e a separação dos volumes e da cor. Só depois, ao contrário do que costumo fazer, cobri a tela com uma espessa camada de Modeling Paste, para estruturar a pintura. Quero que os meus pincéis e a tinta que vou usar transportem para a tela esta alegria feérica da cor…
Foi doce e alegre essa manhã com o meu neto.
Espero que esta obra eternize esse momento.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

MOINHOS DE ALBURRICA


Barcos em Alburrica Óleo sobre Tela 80x100 cm

Já falei algumas vezes da importância histórica dos moinhos de Alburrica, para a cidade do Barreiro. Da última vez que por lá passei, estavam cheios de andaimes, significando que estavam a fazer as obras necessárias à sua preservação.
Duvido que tenham tomado algumas medidas para evitar as modificações ambientais no estuário do Tejo, ou tenham alterado a rota dos catamarãs para que a ondulação deixe de minar os seus alicerces...
Mas, o que estão a fazer já denota alguma preocupação com a conservação do património.
As árvores morrem de pé.
Oa moinhos devem viver de pé, como os homens...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES (III)


Praia da Rocha Acrílico sobre Tela 60x80cm
(clic sobre a imagem para ver em pormenor)

Acabei de pintar o mar com o mesmo azul diluído, que deixava ver o Naples Yellow que lhe servia de suporte. Na base das rochas, deixei uma sugestão de espuma e na água mais próxima, traços mais precisos, mostrando as ondas que se formam junto à praia. Detalhei com maior precisão os pinheiros que, neste caso, têm um papel fundamental no equilíbrio do quadro e, curiosamente, na estabilidade da falésia. Com delicadeza, vou percorrendo toda a tela corrigindo pormenores, tendo sempre o cuidado de não exagerar, para que a pincelada permaneça sugestiva, livre e nervosa, como o tema.
Não fiquei satisfeito com o resultado. Deixei o trabalho e fui beber um café…
No regresso já tinha uma ideia muito precisa do que faltava. Voltei o quadro ao contrário e “vi” o defeito: o mar não existia! Voltei a pintar os azuis do mar (os mesmos usados para pintar o céu) e, para os reforçar, dando maior profundidade, juntei um pouco de Prussian Blue…
E, fiquei convencido!
Gostei tanto, que me fez lembrar o poema de Fernando Pessoa

D. DINIS
Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.

Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES (II)



O passo seguinte foi definir os valores das cores quentes, que queria bastante elevados. Burnt Sienna, Burnt Umber, Yellow Ochre, Naples Yellow, Orange… Em contrapartida, não quis elevar demasiado os valores dos azuis, deixando o protagonismo para as brilhantes cores das falésias.



Praia da Rocha Acrílico sobre Tela 60x80cm

Reforcei as linhas de fractura com as cores terra, a que adicionei um pouco de azul ultramarino, para lhe dar profundidade. Nas partes que queria salientar utilizei a espátula bem carregada de matéria.
Amanhã, irei continuar com a tela…

Pondo de parte uma falsa modéstia, permito-me chamar a atenção para o que se está a passar no canto superior direito do Sem Margens: O “Contador de Visitas” deverá atingir um número mágico, 50.000!
Comecei em Setembro de 2007, não sei bem como, porque os meus conhecimentos para iniciar ou administrar blogues eram (são) nulos!
Agora, talvez saiba mais de blogues, e adquiri uma certeza:
Conheço mais pessoas e tenho mais amigos!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES















Passei uns dias maravilhosos numa cidade que agora faz parte do meu itinerário mais procurado: Portimão! É lá que vive o meu neto Rafael, conforme se devem lembrar…
Fui convidado para fazer lá uma exposição de pintura. Aceitei imediatamente, pois assim fico com mais um pretexto para voltar.
De acordo com o meu hábito, em cada mostra, faço especialmente para a ocasião, pelo menos uma tela, com um dos seus locais mais emblemáticos. Em Portimão, a Praia da Rocha é a praia mais conhecida internacionalmente. Esta uma das razões da sua escolha; a outra, pura e simplesmente, a sua beleza!
O tamanho de tela é o maior possível em razão do espaço disponível, o suficiente para capturar a luz e o carácter da paisagem que escolhi.
No meu desenho, delimitei os traços básicos: linha do horizonte, formações rochosas, cores e sombras mais evidentes, tufos de vegetação, os pinheiros e o oceano…
O primeiro objectivo foi cobrir toda a tela com as cores dominantes, tendo em atenção que, desta vez, o céu e o mar vão perder o protagonismo que normalmente têm nos meus quadros.
Chegado a este ponto, vou encerrar os trabalhos. Amanhã, com novos olhos, poderei analisar com maior acuidade o que foi feito.
Para uma primeira sessão o avanço é considerável e, melhor ainda, estou muito satisfeito com o resultado!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

SÉRIE ESTRELAS



Nascimento de uma Estrela Óleo sobre Tela 110x80cm

Já disse que qualquer tema é bom para a inspiração de um pintor.
Este pensamento vem a propósito desta obra que foi inspirada por um livro que comprei, sabendo que o assunto não é dos meus preferidos: A Grande Enciclopédia dos Minerais, 518 páginas, 451 fotografias a cores, da Editorial Inquérito.
Gostei da capa e ao folhear o livro fiquei encantado com a qualidade excepcional das fotografias dos minerais, com cores e texturas fascinantes.
A obra que apresento foi criada a partir de uma das fotografias.
Algumas das questões sobre a formação das estrelas foram resolvidas com o telescópio espacial Hubble, trazendo até nós um universo até então desconhecido. Sabemos, agora, que as estrelas nascem devido à contracção das nuvens de gás e poeira que existem nas galáxias.
Não sei se este mineral faz parte da poeira de que são feitas as estrelas.
Como criador e pintor, arrogo-me o direito de dizer que sim!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

DESCALÇOS NO PARQUE




Águas-furtadas Óleo sobre Tela 120x120cm

As nossas águas-furtadas ou trapeiras, como também são chamadas, sempre me fascinaram. Para ser mais preciso, era a palavra francesa que me atraía, mansardes, assim chamadas por terem sido inventadas pelo arquitecto francês, François Mansart. Na minha imaginação, as mansardas francesas estavam povoadas de escritores e pintores, desconhecidos, procurando o seu reconhecimento artístico.
Recordo-me de um filme que também contribuiu para essa minha fixação: Descalços no Parque (Barefoot in the Park) de Neil Simon, 1967, com Robert Redford e Jane Fonda, que fazem, como seria de esperar, um par maravilhoso, nesta comédia.
Vi o filme no Tivoli com a minha mulher e, tal como eles, estava em lua-de-mel. Para tudo ser igual, quando saí da sala de cinema, descalcei os sapatos, tirei as meias e andei descalço no parque que havia em frente do cinema.
Esta obra foi logo adquirida no primeiro dia da sua exposição. Sei que a fotografia não lhe faz justiça, mas não tenho outra. As partes iluminadas têm uma textura que não se nota, principalmente nas paredes brancas, que perdem muito da sua expressividade.
Quem não perdeu expressividade e beleza foram os protagonistas deste filme…

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Ribeira - Porto Óleo sobre Tela 90x100cm

Quando mostrei a série de obras que executei depois da minha visita à cidade do Porto, deixei esta por ser bastante diferente das então apresentadas. As diferenças principais baseiam-se na maior suavidade e o quase monocromatismo da interpretação em tons pastel, pontuados pelas cores mais vibrantes dos telhados, em oposição aos contrastes violentos e às texturas das outras obras.
Algo semelhante se passou com a série de trabalhos sobre Lisboa, como por exemplo na entrada de 30 de Outubro, com a obra “Chegada a Lisboa”, que mostra a cidade numa perspectiva tirada de um barco, com as cores rosadas características da Capital.
Pareceu-me uma obra tranquila e poética, inspiradora para o começo do Novo Ano…

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

AS FERAS (IV)


Casas na Montanha Óleo sobre Tela 110x75cm

Esta é a última obra “Fauve” que planeei mostrar.
É uma paisagem de montanha, em que o formato e o ângulo de visão potenciam a sensação que temos de fazer um grande esforço para chegar lá acima. Pode valer a pena: quem sabe, não será a montanha mágica, que todos procuramos.
Utilizei o máximo de contraste entre as gamas frias e quentes, sublinhadas por suculentos sombreados com azul-cobalto. Apesar disso, procurei que o tom geral da obra, tivesse a cor da temperatura agradável que deve predominar nas confortáveis casas.
No conforto das casas, com amigos ou com a família, desejo a todos um Feliz Ano Novo.

sábado, 19 de dezembro de 2009

AS FERAS (III)


Sobreiros Óleo sobre Tela 81x94cm

Nesta pintura, deixei de lado as pinceladas carregadas de matéria em benefício de mais amplas superfícies cromáticas, inspirado nos ensinamentos de Gauguin. As árvores estilizadas e curvilíneas, pintadas com cores contrastantes, arbitrárias porque não identificadas com a realidade, servem para articular os diferentes planos, com o uso exclusivo da cor. O jogo cromático das parcelas de terreno, fica contido pelo obsidiante maciço de folhas verdes, que mal deixam ver um céu, cujo azul, mantém a tensão entre uma realidade exterior e a minha visão interior, na busca de uma paisagem sem data, nem local, forte, mas que seduza o observador com a sua rudeza tranquila.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

AS FERAS (II)



As Árvores Vermelhas Óleo sobre Tela 50x40cm

Para provar o grau de simplicidade que era um dos seus objectivos na pintura fauve, Matisse tentou convencer um amigo e companheiro de pintura, que um quadro criado por si (Cebolas cor-de-rosa, 1906), era de autoria do carteiro da vila. Ele não conseguiu convencer o amigo, como talvez eu não os conseguisse convencer de que estas árvores foram pintadas pelo meu neto.
Mas podem acreditar que a tinta gasta nesta tela, usada com parcimónia, daria para fazer uma centena, tal a quantidade que usei para conseguir o relevo, a textura e a profundidade que tinha planeado.
Espero não ser traído pela qualidade da fotografia, para que possam apreciar a violência suave das cores…