sexta-feira, 19 de março de 2010

LUZ (II)


Tivoli Marina de Portimão Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clique sobre a imagem para ver pormenores)

Continuei com a vontade de escrever com as tintas esta mensagem de amor que, mais do que ficar comigo, guardada em mim, pudesse ser transmitida a todos os que apreciam os valores que estiveram na sua génese.
O vigor da execução, as pinceladas carregadas de matéria e de cores luminosas, contrastantes, procura transmitir o ambiente que vivi durante esses inesquecíveis dias.
Ao acabar esta obra, espero que o meu direito ao sonho possa ser entendido por todos.
Hoje, dia do pai, sinto-me muito avô!

terça-feira, 16 de março de 2010

LUZ


Tivoli Marina de Portimão Acrílico sobre Tela 30x40cm
(Ars Interim)

Na execução do quadro “Marina de Portimão”, quis deixar bem vincada a alegria contagiante da descoberta do mundo pelo meu neto, e a vibração das cores que transformavam esse dia num manancial de emoções, que gostaria de eternizar na tela.
Prova da satisfação que obtive com essa obra é esta que agora começo. Não tem, talvez, a força exuberante que nos é transmitida por uma primeira obra, mas terá a expressividade e a segurança que nos dá o conhecimento do caminho que percorremos.
O desenho a tinta acrílica, Ivory Black, foi feito com um pincel n.º 6, Short Flat, para que não se perdesse a separação dos volumes e da cor.
As cores usadas são as que constituem a realidade que via com os meus olhos: luz vibrante, reflexos iridescentes, numa anarquia cheia de rigor…
Quero que amanhã, quando for concluir a pintura, ela se mantenha como agora a vejo: plena de vitalidade, de luz e, já agora, de beleza!

quinta-feira, 11 de março de 2010

VIOLÊNCIA


Parque Catarina Eufémia Óleo sobre Tela 50x60cm

Hoje de manhã, vi na televisão um grupo de deputados do Canadá, a comerem com satisfação carne de golfinho. Alguns, com o garfo espetado para a câmara, com um largo sorriso, mostravam o seu aprazimento pelo acto. Tudo isto, para demonstrarem à EU, que se estavam borrifando para as suas recomendações, na preservação desta espécie.
Lembrei-me deste quadro, que mostra um pequeno lago no Parque Catarina Eufémia, no Barreiro, que eu costumava frequentar com as minhas filhas.
Aqueles cisnes negros, que nadam alegremente, foram, dias depois, mortos por alguns energúmenos, sem nenhuma razão aparente.
Os deputados, coitados, estão a lutar pela sua sobrevivência, por isso, têm de comer golfinhos…
Até agora ainda não consegui decidir quem me causa maior repulsa.

quarta-feira, 3 de março de 2010

CRIANÇA COMO NÓS II


Marina de Portimão Acrílico sobre Tela 50x70cm
(clique sobre a imagem)

Continuei, com a pincelada curta mas carregada de tinta, a preencher as casas com as cores quentes, tendo o cuidado de com a espátula fazer o seu reflexo nas águas da marina.


Marina de Portimão (pormenor)

A ligeira brisa que soprava fazia vibrar, cantar as cores quentes, sobre o azul das águas que timidamente espreitam, por entre aquele caleidoscópio de cores.
Procurei que a visão das formas rígidas das casas, fosse submergida pela experiência visual das cores.
A alegria que me inundava o coração quis reflecti-la neste quadro.
Eu sinto-a em cada uma das suas nuances…

domingo, 28 de fevereiro de 2010

CRIANÇA COMO NÓS




Marina de Portimão Acrílico sobre Tela 50x70 (em construção)
Clique sobre a imagem para ver pormenores

O meu neto adora barcos. Nos dias que passei com ele, tornou-se obrigatório passar pela marina de Portimão, para desfrutar da sua alegria, da sua conversa com as gaivotas e o vento…
Ali mesmo, a não sei quantos graus de latitude, à hora exacta, lá estava eu com os olhos e o cérebro atentos aos reflexos das casas e dos barcos na água, contagiado pela alegria que inundava o ar salsuginoso…
Fiz o desenho com pincel e tinta preta para definir os contornos e a separação dos volumes e da cor. Só depois, ao contrário do que costumo fazer, cobri a tela com uma espessa camada de Modeling Paste, para estruturar a pintura. Quero que os meus pincéis e a tinta que vou usar transportem para a tela esta alegria feérica da cor…
Foi doce e alegre essa manhã com o meu neto.
Espero que esta obra eternize esse momento.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

MOINHOS DE ALBURRICA


Barcos em Alburrica Óleo sobre Tela 80x100 cm

Já falei algumas vezes da importância histórica dos moinhos de Alburrica, para a cidade do Barreiro. Da última vez que por lá passei, estavam cheios de andaimes, significando que estavam a fazer as obras necessárias à sua preservação.
Duvido que tenham tomado algumas medidas para evitar as modificações ambientais no estuário do Tejo, ou tenham alterado a rota dos catamarãs para que a ondulação deixe de minar os seus alicerces...
Mas, o que estão a fazer já denota alguma preocupação com a conservação do património.
As árvores morrem de pé.
Oa moinhos devem viver de pé, como os homens...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES (III)


Praia da Rocha Acrílico sobre Tela 60x80cm
(clic sobre a imagem para ver em pormenor)

Acabei de pintar o mar com o mesmo azul diluído, que deixava ver o Naples Yellow que lhe servia de suporte. Na base das rochas, deixei uma sugestão de espuma e na água mais próxima, traços mais precisos, mostrando as ondas que se formam junto à praia. Detalhei com maior precisão os pinheiros que, neste caso, têm um papel fundamental no equilíbrio do quadro e, curiosamente, na estabilidade da falésia. Com delicadeza, vou percorrendo toda a tela corrigindo pormenores, tendo sempre o cuidado de não exagerar, para que a pincelada permaneça sugestiva, livre e nervosa, como o tema.
Não fiquei satisfeito com o resultado. Deixei o trabalho e fui beber um café…
No regresso já tinha uma ideia muito precisa do que faltava. Voltei o quadro ao contrário e “vi” o defeito: o mar não existia! Voltei a pintar os azuis do mar (os mesmos usados para pintar o céu) e, para os reforçar, dando maior profundidade, juntei um pouco de Prussian Blue…
E, fiquei convencido!
Gostei tanto, que me fez lembrar o poema de Fernando Pessoa

D. DINIS
Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.

Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES (II)



O passo seguinte foi definir os valores das cores quentes, que queria bastante elevados. Burnt Sienna, Burnt Umber, Yellow Ochre, Naples Yellow, Orange… Em contrapartida, não quis elevar demasiado os valores dos azuis, deixando o protagonismo para as brilhantes cores das falésias.



Praia da Rocha Acrílico sobre Tela 60x80cm

Reforcei as linhas de fractura com as cores terra, a que adicionei um pouco de azul ultramarino, para lhe dar profundidade. Nas partes que queria salientar utilizei a espátula bem carregada de matéria.
Amanhã, irei continuar com a tela…

Pondo de parte uma falsa modéstia, permito-me chamar a atenção para o que se está a passar no canto superior direito do Sem Margens: O “Contador de Visitas” deverá atingir um número mágico, 50.000!
Comecei em Setembro de 2007, não sei bem como, porque os meus conhecimentos para iniciar ou administrar blogues eram (são) nulos!
Agora, talvez saiba mais de blogues, e adquiri uma certeza:
Conheço mais pessoas e tenho mais amigos!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES















Passei uns dias maravilhosos numa cidade que agora faz parte do meu itinerário mais procurado: Portimão! É lá que vive o meu neto Rafael, conforme se devem lembrar…
Fui convidado para fazer lá uma exposição de pintura. Aceitei imediatamente, pois assim fico com mais um pretexto para voltar.
De acordo com o meu hábito, em cada mostra, faço especialmente para a ocasião, pelo menos uma tela, com um dos seus locais mais emblemáticos. Em Portimão, a Praia da Rocha é a praia mais conhecida internacionalmente. Esta uma das razões da sua escolha; a outra, pura e simplesmente, a sua beleza!
O tamanho de tela é o maior possível em razão do espaço disponível, o suficiente para capturar a luz e o carácter da paisagem que escolhi.
No meu desenho, delimitei os traços básicos: linha do horizonte, formações rochosas, cores e sombras mais evidentes, tufos de vegetação, os pinheiros e o oceano…
O primeiro objectivo foi cobrir toda a tela com as cores dominantes, tendo em atenção que, desta vez, o céu e o mar vão perder o protagonismo que normalmente têm nos meus quadros.
Chegado a este ponto, vou encerrar os trabalhos. Amanhã, com novos olhos, poderei analisar com maior acuidade o que foi feito.
Para uma primeira sessão o avanço é considerável e, melhor ainda, estou muito satisfeito com o resultado!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

SÉRIE ESTRELAS



Nascimento de uma Estrela Óleo sobre Tela 110x80cm

Já disse que qualquer tema é bom para a inspiração de um pintor.
Este pensamento vem a propósito desta obra que foi inspirada por um livro que comprei, sabendo que o assunto não é dos meus preferidos: A Grande Enciclopédia dos Minerais, 518 páginas, 451 fotografias a cores, da Editorial Inquérito.
Gostei da capa e ao folhear o livro fiquei encantado com a qualidade excepcional das fotografias dos minerais, com cores e texturas fascinantes.
A obra que apresento foi criada a partir de uma das fotografias.
Algumas das questões sobre a formação das estrelas foram resolvidas com o telescópio espacial Hubble, trazendo até nós um universo até então desconhecido. Sabemos, agora, que as estrelas nascem devido à contracção das nuvens de gás e poeira que existem nas galáxias.
Não sei se este mineral faz parte da poeira de que são feitas as estrelas.
Como criador e pintor, arrogo-me o direito de dizer que sim!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

DESCALÇOS NO PARQUE




Águas-furtadas Óleo sobre Tela 120x120cm

As nossas águas-furtadas ou trapeiras, como também são chamadas, sempre me fascinaram. Para ser mais preciso, era a palavra francesa que me atraía, mansardes, assim chamadas por terem sido inventadas pelo arquitecto francês, François Mansart. Na minha imaginação, as mansardas francesas estavam povoadas de escritores e pintores, desconhecidos, procurando o seu reconhecimento artístico.
Recordo-me de um filme que também contribuiu para essa minha fixação: Descalços no Parque (Barefoot in the Park) de Neil Simon, 1967, com Robert Redford e Jane Fonda, que fazem, como seria de esperar, um par maravilhoso, nesta comédia.
Vi o filme no Tivoli com a minha mulher e, tal como eles, estava em lua-de-mel. Para tudo ser igual, quando saí da sala de cinema, descalcei os sapatos, tirei as meias e andei descalço no parque que havia em frente do cinema.
Esta obra foi logo adquirida no primeiro dia da sua exposição. Sei que a fotografia não lhe faz justiça, mas não tenho outra. As partes iluminadas têm uma textura que não se nota, principalmente nas paredes brancas, que perdem muito da sua expressividade.
Quem não perdeu expressividade e beleza foram os protagonistas deste filme…

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Ribeira - Porto Óleo sobre Tela 90x100cm

Quando mostrei a série de obras que executei depois da minha visita à cidade do Porto, deixei esta por ser bastante diferente das então apresentadas. As diferenças principais baseiam-se na maior suavidade e o quase monocromatismo da interpretação em tons pastel, pontuados pelas cores mais vibrantes dos telhados, em oposição aos contrastes violentos e às texturas das outras obras.
Algo semelhante se passou com a série de trabalhos sobre Lisboa, como por exemplo na entrada de 30 de Outubro, com a obra “Chegada a Lisboa”, que mostra a cidade numa perspectiva tirada de um barco, com as cores rosadas características da Capital.
Pareceu-me uma obra tranquila e poética, inspiradora para o começo do Novo Ano…

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

AS FERAS (IV)


Casas na Montanha Óleo sobre Tela 110x75cm

Esta é a última obra “Fauve” que planeei mostrar.
É uma paisagem de montanha, em que o formato e o ângulo de visão potenciam a sensação que temos de fazer um grande esforço para chegar lá acima. Pode valer a pena: quem sabe, não será a montanha mágica, que todos procuramos.
Utilizei o máximo de contraste entre as gamas frias e quentes, sublinhadas por suculentos sombreados com azul-cobalto. Apesar disso, procurei que o tom geral da obra, tivesse a cor da temperatura agradável que deve predominar nas confortáveis casas.
No conforto das casas, com amigos ou com a família, desejo a todos um Feliz Ano Novo.

sábado, 19 de dezembro de 2009

AS FERAS (III)


Sobreiros Óleo sobre Tela 81x94cm

Nesta pintura, deixei de lado as pinceladas carregadas de matéria em benefício de mais amplas superfícies cromáticas, inspirado nos ensinamentos de Gauguin. As árvores estilizadas e curvilíneas, pintadas com cores contrastantes, arbitrárias porque não identificadas com a realidade, servem para articular os diferentes planos, com o uso exclusivo da cor. O jogo cromático das parcelas de terreno, fica contido pelo obsidiante maciço de folhas verdes, que mal deixam ver um céu, cujo azul, mantém a tensão entre uma realidade exterior e a minha visão interior, na busca de uma paisagem sem data, nem local, forte, mas que seduza o observador com a sua rudeza tranquila.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

AS FERAS (II)



As Árvores Vermelhas Óleo sobre Tela 50x40cm

Para provar o grau de simplicidade que era um dos seus objectivos na pintura fauve, Matisse tentou convencer um amigo e companheiro de pintura, que um quadro criado por si (Cebolas cor-de-rosa, 1906), era de autoria do carteiro da vila. Ele não conseguiu convencer o amigo, como talvez eu não os conseguisse convencer de que estas árvores foram pintadas pelo meu neto.
Mas podem acreditar que a tinta gasta nesta tela, usada com parcimónia, daria para fazer uma centena, tal a quantidade que usei para conseguir o relevo, a textura e a profundidade que tinha planeado.
Espero não ser traído pela qualidade da fotografia, para que possam apreciar a violência suave das cores…

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

AS FERAS


Casas no Largo Óleo sobre Tela 41x33cm

Quando comecei a estudar pintura, fui atraído pela paleta radical e arbitrária, e pela drástica simplicidade de linha, de um grupo de pintores, catalogados como “fauves”.
Na primeira exposição dos rejeitados do “Salon d´Automne”, de Paris, em 1874, o quadro, “"Impression, Soleil Levant" de Monet, provocou o comentário desdenhoso do crítico de arte, Louis Leroy, que os chamou pejorativamente de impressionistas, nome que foi adoptado, com os resultados que se conhecem.
E, mais uma vez, a história repetia-se!
Também o critico de arte, Louis Vauxcelles, no Salão de Outono, em Paris, 1905, ao ver uma série de quadros radicais, a rodear um busto italiano clássico, exclamou: “Tiens, un Donatello parmi des fauves”. Coitado, mal sabia ele que estava a dar nome à escola que contribuiu para o primeiro grande movimento de ruptura estética “avant-garde”, do século XX. No seu curto período de existência (1905-1908), reuniu com a liderança de Matisse, pintores como Van Gogh, Braque, André Derain e Raoul Dufy.
Não escapei ao seu apelo. No início da minha carreira de pintor, utilizei a exuberância das suas cores, para algumas experiências. Delas, lhes darei conta, nas próximas entradas.
Esta obra (1995) é o primeiro exemplo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

ALCOCHETE (CONCLUSÃO)


Cais de Alcochete Acrílico sobre Tela 50x60cm

Na parte final do trabalho, procurei dar o máximo de luminosidade ao céu para que o rio reflectisse e ampliasse a sua luz.
A ligeira brisa matinal a afagar a superfície da água, quebra os reflexos dos barcos e do molhe, provocando chispas de luz, como que a responder num eco à luz nascente.
A sombra dos barcos é viva e canta, com sons estridentes e vibrantes, como no caso do barco com o casco encarnado…
É uma obra que retrata um local, definido, concreto… Mas pretendo que, mais do que o local, seja a imagem da impressão de paz que senti, com o sol nascente, naquela manhã.
É esta a sensação que quero partilhar convosco!

sábado, 28 de novembro de 2009

ALCOCHETE (II)


Cais de Alcochete Acrílico sobre Tela 50x60cm

Quero jurar aos meus amigos que tanto gostaram das cores de base, que elas vão continuar a respirar na tela, embora não seja assim tão evidente na sua fotografia.
Já acrescentei os barcos que estavam fora do campo de visão, e que eram necessários para o equilíbrio da composição.
Deixei colada a pequena foto para ficarem com uma ideia do local e da minha interpretação dos sentimentos que ele me despertou.
Faltam os retoques finais.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ALCOCHETE


Apeteceu-me escrever no título “Alcochete, sem Freeport”, tantos são os artigos que, nos últimos anos proliferaram nos media portugueses, por causa dessa catedral de consumo. Mas achei por bem não dar para esse peditório.
Alcochete é uma das mais belas vilas da margem esquerda do Tejo.
Deve ser o único ponto em que há consenso! Existem divergências quanto à data e por quem foi criada a povoação, e ao significado do vocábulo. Para mim, porque é a que mais gosto, deriva de “alca xête”, um campo deserto onde pastam ovelhas…





Cais de Alcochete Acrílico sobre Tela 50x60cm
(clic sobre a imagem)

Não ficava bem comigo próprio se não incluísse na minha exposição “Tejo Cintilante”, uma referência a esta terra situada na Reserva Natural do Estuário do Tejo.
Aproveitei os bons resultados conseguidos com o anoitecer e o amanhecer na zona do Barreiro, e resolvi aplicar a mesma receita para este “Cais de Alcochete”.
Esperei por uma baixa-mar que coincidisse com o nascer do sol, para tirar as minhas notas, sobre a maneira como a luz brinca sobre as águas e os fundos lodosos do rio.
No conforto do estúdio, ajudado pelas fotos tiradas no local, defini a linha do horizonte, desenhei cuidadosamente o cais e povoei o rio com os barcos de maneira a dar profundidade à paisagem.
Gosto da simetria criada no canto superior esquerdo e inferior direito, que sugere um caminho para guiar o olhar do espectador. Em contrapartida, sinto que é necessário criar um motivo de interesse na parte esquerda média da tela, para valorizar a composição…
Vou parar por agora.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CRITICO, LOGO EXISTO


Olival Óleo sobre Tela 30x40cm

Na pintura, o artista procura transmitir mensagens e emoções, tanto mais eficientes quanto menos utilizar a muleta da escrita ou da fala, para a sua interpretação. De tal maneira, que para apreciar a qualidade do pintor, deveria ser suficiente analisar a sua obra. O que é uma tarefa impossível - só o tempo dá a exacta medida do seu real valor. Por agora, tudo é considerado Arte - um imenso saco onde convivem ovas de carapau com caviar, lixo com obras-primas, dependendo de lóbis, partidos, camas, tachos… E não são os críticos que nos podem ajudar: o fantasma de Nadar paira sobre eles. Em 1874, o fotógrafo Nadar acolheu no seu estúdio uns quadros que pareciam inacabados, pintados ao ar livre, com pinceladas rápidas e nervosas, plenas de matéria e de cores puras, fortes e contrastantes. Estas pinturas eram sistematicamente recusadas pelos académicos que seleccionavam as obras que tinham qualidade para figurar no Salon, a grande mostra que se realizava de dois em dois anos, em Paris. Na primeira exposição das obras recusadas, um jovem pintor, Monet, apresentou uma cena marinha a que chamou “Impressão - Sol nascente”. Um crítico conceituado (Louis Leroy) considerou um papel de parede mais elaborado do que aquela obra, num cáustico e corrosivo artigo intitulado: “A Exposição dos Impressionistas”. Ironicamente, esta expressão depreciativa começou a ser utilizada para definir o género de pintura que se transformou numa das mais valiosas da actualidade. No top das obras vendidas estão alguns desses artistas recusados do Salon e, entre elas, destacam-se “Retrato do Dr. Gachet e “Auto retrato sem barba”, de Van Gogh que em toda a sua vida vendeu apenas um quadro. Foi sustentado pelo seu irmão Theo que encheu a casa de obras que não conseguia vender.
Sempre me fascinou o trabalho de Van Gogh. Depois de ler as suas cartas, com a descrição dos seus mais profundos sentimentos, para além de me fascinar, comove-me…
Esta obra é a minha homenagem a Van Gogh, do qual digo, como diria Óscar Wilde:
Não tenho nada a declarar a não ser a sua genialidade!