segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES















Passei uns dias maravilhosos numa cidade que agora faz parte do meu itinerário mais procurado: Portimão! É lá que vive o meu neto Rafael, conforme se devem lembrar…
Fui convidado para fazer lá uma exposição de pintura. Aceitei imediatamente, pois assim fico com mais um pretexto para voltar.
De acordo com o meu hábito, em cada mostra, faço especialmente para a ocasião, pelo menos uma tela, com um dos seus locais mais emblemáticos. Em Portimão, a Praia da Rocha é a praia mais conhecida internacionalmente. Esta uma das razões da sua escolha; a outra, pura e simplesmente, a sua beleza!
O tamanho de tela é o maior possível em razão do espaço disponível, o suficiente para capturar a luz e o carácter da paisagem que escolhi.
No meu desenho, delimitei os traços básicos: linha do horizonte, formações rochosas, cores e sombras mais evidentes, tufos de vegetação, os pinheiros e o oceano…
O primeiro objectivo foi cobrir toda a tela com as cores dominantes, tendo em atenção que, desta vez, o céu e o mar vão perder o protagonismo que normalmente têm nos meus quadros.
Chegado a este ponto, vou encerrar os trabalhos. Amanhã, com novos olhos, poderei analisar com maior acuidade o que foi feito.
Para uma primeira sessão o avanço é considerável e, melhor ainda, estou muito satisfeito com o resultado!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

SÉRIE ESTRELAS



Nascimento de uma Estrela Óleo sobre Tela 110x80cm

Já disse que qualquer tema é bom para a inspiração de um pintor.
Este pensamento vem a propósito desta obra que foi inspirada por um livro que comprei, sabendo que o assunto não é dos meus preferidos: A Grande Enciclopédia dos Minerais, 518 páginas, 451 fotografias a cores, da Editorial Inquérito.
Gostei da capa e ao folhear o livro fiquei encantado com a qualidade excepcional das fotografias dos minerais, com cores e texturas fascinantes.
A obra que apresento foi criada a partir de uma das fotografias.
Algumas das questões sobre a formação das estrelas foram resolvidas com o telescópio espacial Hubble, trazendo até nós um universo até então desconhecido. Sabemos, agora, que as estrelas nascem devido à contracção das nuvens de gás e poeira que existem nas galáxias.
Não sei se este mineral faz parte da poeira de que são feitas as estrelas.
Como criador e pintor, arrogo-me o direito de dizer que sim!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

DESCALÇOS NO PARQUE




Águas-furtadas Óleo sobre Tela 120x120cm

As nossas águas-furtadas ou trapeiras, como também são chamadas, sempre me fascinaram. Para ser mais preciso, era a palavra francesa que me atraía, mansardes, assim chamadas por terem sido inventadas pelo arquitecto francês, François Mansart. Na minha imaginação, as mansardas francesas estavam povoadas de escritores e pintores, desconhecidos, procurando o seu reconhecimento artístico.
Recordo-me de um filme que também contribuiu para essa minha fixação: Descalços no Parque (Barefoot in the Park) de Neil Simon, 1967, com Robert Redford e Jane Fonda, que fazem, como seria de esperar, um par maravilhoso, nesta comédia.
Vi o filme no Tivoli com a minha mulher e, tal como eles, estava em lua-de-mel. Para tudo ser igual, quando saí da sala de cinema, descalcei os sapatos, tirei as meias e andei descalço no parque que havia em frente do cinema.
Esta obra foi logo adquirida no primeiro dia da sua exposição. Sei que a fotografia não lhe faz justiça, mas não tenho outra. As partes iluminadas têm uma textura que não se nota, principalmente nas paredes brancas, que perdem muito da sua expressividade.
Quem não perdeu expressividade e beleza foram os protagonistas deste filme…

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Ribeira - Porto Óleo sobre Tela 90x100cm

Quando mostrei a série de obras que executei depois da minha visita à cidade do Porto, deixei esta por ser bastante diferente das então apresentadas. As diferenças principais baseiam-se na maior suavidade e o quase monocromatismo da interpretação em tons pastel, pontuados pelas cores mais vibrantes dos telhados, em oposição aos contrastes violentos e às texturas das outras obras.
Algo semelhante se passou com a série de trabalhos sobre Lisboa, como por exemplo na entrada de 30 de Outubro, com a obra “Chegada a Lisboa”, que mostra a cidade numa perspectiva tirada de um barco, com as cores rosadas características da Capital.
Pareceu-me uma obra tranquila e poética, inspiradora para o começo do Novo Ano…

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

AS FERAS (IV)


Casas na Montanha Óleo sobre Tela 110x75cm

Esta é a última obra “Fauve” que planeei mostrar.
É uma paisagem de montanha, em que o formato e o ângulo de visão potenciam a sensação que temos de fazer um grande esforço para chegar lá acima. Pode valer a pena: quem sabe, não será a montanha mágica, que todos procuramos.
Utilizei o máximo de contraste entre as gamas frias e quentes, sublinhadas por suculentos sombreados com azul-cobalto. Apesar disso, procurei que o tom geral da obra, tivesse a cor da temperatura agradável que deve predominar nas confortáveis casas.
No conforto das casas, com amigos ou com a família, desejo a todos um Feliz Ano Novo.

sábado, 19 de dezembro de 2009

AS FERAS (III)


Sobreiros Óleo sobre Tela 81x94cm

Nesta pintura, deixei de lado as pinceladas carregadas de matéria em benefício de mais amplas superfícies cromáticas, inspirado nos ensinamentos de Gauguin. As árvores estilizadas e curvilíneas, pintadas com cores contrastantes, arbitrárias porque não identificadas com a realidade, servem para articular os diferentes planos, com o uso exclusivo da cor. O jogo cromático das parcelas de terreno, fica contido pelo obsidiante maciço de folhas verdes, que mal deixam ver um céu, cujo azul, mantém a tensão entre uma realidade exterior e a minha visão interior, na busca de uma paisagem sem data, nem local, forte, mas que seduza o observador com a sua rudeza tranquila.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

AS FERAS (II)



As Árvores Vermelhas Óleo sobre Tela 50x40cm

Para provar o grau de simplicidade que era um dos seus objectivos na pintura fauve, Matisse tentou convencer um amigo e companheiro de pintura, que um quadro criado por si (Cebolas cor-de-rosa, 1906), era de autoria do carteiro da vila. Ele não conseguiu convencer o amigo, como talvez eu não os conseguisse convencer de que estas árvores foram pintadas pelo meu neto.
Mas podem acreditar que a tinta gasta nesta tela, usada com parcimónia, daria para fazer uma centena, tal a quantidade que usei para conseguir o relevo, a textura e a profundidade que tinha planeado.
Espero não ser traído pela qualidade da fotografia, para que possam apreciar a violência suave das cores…

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

AS FERAS


Casas no Largo Óleo sobre Tela 41x33cm

Quando comecei a estudar pintura, fui atraído pela paleta radical e arbitrária, e pela drástica simplicidade de linha, de um grupo de pintores, catalogados como “fauves”.
Na primeira exposição dos rejeitados do “Salon d´Automne”, de Paris, em 1874, o quadro, “"Impression, Soleil Levant" de Monet, provocou o comentário desdenhoso do crítico de arte, Louis Leroy, que os chamou pejorativamente de impressionistas, nome que foi adoptado, com os resultados que se conhecem.
E, mais uma vez, a história repetia-se!
Também o critico de arte, Louis Vauxcelles, no Salão de Outono, em Paris, 1905, ao ver uma série de quadros radicais, a rodear um busto italiano clássico, exclamou: “Tiens, un Donatello parmi des fauves”. Coitado, mal sabia ele que estava a dar nome à escola que contribuiu para o primeiro grande movimento de ruptura estética “avant-garde”, do século XX. No seu curto período de existência (1905-1908), reuniu com a liderança de Matisse, pintores como Van Gogh, Braque, André Derain e Raoul Dufy.
Não escapei ao seu apelo. No início da minha carreira de pintor, utilizei a exuberância das suas cores, para algumas experiências. Delas, lhes darei conta, nas próximas entradas.
Esta obra (1995) é o primeiro exemplo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

ALCOCHETE (CONCLUSÃO)


Cais de Alcochete Acrílico sobre Tela 50x60cm

Na parte final do trabalho, procurei dar o máximo de luminosidade ao céu para que o rio reflectisse e ampliasse a sua luz.
A ligeira brisa matinal a afagar a superfície da água, quebra os reflexos dos barcos e do molhe, provocando chispas de luz, como que a responder num eco à luz nascente.
A sombra dos barcos é viva e canta, com sons estridentes e vibrantes, como no caso do barco com o casco encarnado…
É uma obra que retrata um local, definido, concreto… Mas pretendo que, mais do que o local, seja a imagem da impressão de paz que senti, com o sol nascente, naquela manhã.
É esta a sensação que quero partilhar convosco!

sábado, 28 de novembro de 2009

ALCOCHETE (II)


Cais de Alcochete Acrílico sobre Tela 50x60cm

Quero jurar aos meus amigos que tanto gostaram das cores de base, que elas vão continuar a respirar na tela, embora não seja assim tão evidente na sua fotografia.
Já acrescentei os barcos que estavam fora do campo de visão, e que eram necessários para o equilíbrio da composição.
Deixei colada a pequena foto para ficarem com uma ideia do local e da minha interpretação dos sentimentos que ele me despertou.
Faltam os retoques finais.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ALCOCHETE


Apeteceu-me escrever no título “Alcochete, sem Freeport”, tantos são os artigos que, nos últimos anos proliferaram nos media portugueses, por causa dessa catedral de consumo. Mas achei por bem não dar para esse peditório.
Alcochete é uma das mais belas vilas da margem esquerda do Tejo.
Deve ser o único ponto em que há consenso! Existem divergências quanto à data e por quem foi criada a povoação, e ao significado do vocábulo. Para mim, porque é a que mais gosto, deriva de “alca xête”, um campo deserto onde pastam ovelhas…





Cais de Alcochete Acrílico sobre Tela 50x60cm
(clic sobre a imagem)

Não ficava bem comigo próprio se não incluísse na minha exposição “Tejo Cintilante”, uma referência a esta terra situada na Reserva Natural do Estuário do Tejo.
Aproveitei os bons resultados conseguidos com o anoitecer e o amanhecer na zona do Barreiro, e resolvi aplicar a mesma receita para este “Cais de Alcochete”.
Esperei por uma baixa-mar que coincidisse com o nascer do sol, para tirar as minhas notas, sobre a maneira como a luz brinca sobre as águas e os fundos lodosos do rio.
No conforto do estúdio, ajudado pelas fotos tiradas no local, defini a linha do horizonte, desenhei cuidadosamente o cais e povoei o rio com os barcos de maneira a dar profundidade à paisagem.
Gosto da simetria criada no canto superior esquerdo e inferior direito, que sugere um caminho para guiar o olhar do espectador. Em contrapartida, sinto que é necessário criar um motivo de interesse na parte esquerda média da tela, para valorizar a composição…
Vou parar por agora.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CRITICO, LOGO EXISTO


Olival Óleo sobre Tela 30x40cm

Na pintura, o artista procura transmitir mensagens e emoções, tanto mais eficientes quanto menos utilizar a muleta da escrita ou da fala, para a sua interpretação. De tal maneira, que para apreciar a qualidade do pintor, deveria ser suficiente analisar a sua obra. O que é uma tarefa impossível - só o tempo dá a exacta medida do seu real valor. Por agora, tudo é considerado Arte - um imenso saco onde convivem ovas de carapau com caviar, lixo com obras-primas, dependendo de lóbis, partidos, camas, tachos… E não são os críticos que nos podem ajudar: o fantasma de Nadar paira sobre eles. Em 1874, o fotógrafo Nadar acolheu no seu estúdio uns quadros que pareciam inacabados, pintados ao ar livre, com pinceladas rápidas e nervosas, plenas de matéria e de cores puras, fortes e contrastantes. Estas pinturas eram sistematicamente recusadas pelos académicos que seleccionavam as obras que tinham qualidade para figurar no Salon, a grande mostra que se realizava de dois em dois anos, em Paris. Na primeira exposição das obras recusadas, um jovem pintor, Monet, apresentou uma cena marinha a que chamou “Impressão - Sol nascente”. Um crítico conceituado (Louis Leroy) considerou um papel de parede mais elaborado do que aquela obra, num cáustico e corrosivo artigo intitulado: “A Exposição dos Impressionistas”. Ironicamente, esta expressão depreciativa começou a ser utilizada para definir o género de pintura que se transformou numa das mais valiosas da actualidade. No top das obras vendidas estão alguns desses artistas recusados do Salon e, entre elas, destacam-se “Retrato do Dr. Gachet e “Auto retrato sem barba”, de Van Gogh que em toda a sua vida vendeu apenas um quadro. Foi sustentado pelo seu irmão Theo que encheu a casa de obras que não conseguia vender.
Sempre me fascinou o trabalho de Van Gogh. Depois de ler as suas cartas, com a descrição dos seus mais profundos sentimentos, para além de me fascinar, comove-me…
Esta obra é a minha homenagem a Van Gogh, do qual digo, como diria Óscar Wilde:
Não tenho nada a declarar a não ser a sua genialidade!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O PÊNDULO


O Pêndulo e o Canário Óleo sobre Tela 29x35cm
(clic sobre a imagem para ver em pormenor)

Em mecânica, o pêndulo é um objecto que oscila em torno de um ponto fixo. A descoberta da periodicidade do movimento foi feita por Galileu Galilei, esse, o tal da frase “Epur si mueve!”, para se salvar da Inquisição.
Em, “O Pêndulo de Foucault”, de Umberto Eco, são as sociedades secretas que desenvolvem tramas para governar a humanidade, com referências à Kabbalah e a teorias conspiratórias.
“Estava exausto, mortalmente exausto com aquela longa agonia e, quando por fim me desamarraram e pude sentar-me, senti que perdia os sentidos. A sentença – a terrível sentença de morte – foi a última frase que chegou, claramente, aos meus ouvidos. Depois, o som das vozes dos inquisidores pareceu apagar-se naquele zumbido indefinido de sonho. O ruído despertava em minha alma a ideia de rotação, talvez devido à sua associação, em minha mente, com o ruído característico de uma roda de moinho. Mas isso durou pouco, pois, logo depois, nada mais ouvi.”
Este é um extracto do conto “O poço e o pêndulo”, de Edgar Allan Pöe, em que nos vemos dentro da mente de um homem, do qual nada sabemos, com uma excepção: dentro de momentos será condenado pela Santa (não é ironia) Inquisição, por actos de bruxaria.
Em todos estes casos (poderia citar mais) o pêndulo é o detonador de algo de trágico que irá acontecer, tão previsível como o seu movimento oscilatório.
Terá o pobre canário consciência do que lhe vai acontecer? Salvar-se-á?
E nós?

domingo, 8 de novembro de 2009

A VESPA


A Vespa, a Taça e os Pregos Óleo sobre tela 35x27cm
(clic sobre a imagem para ver em pormenor)

Pronto! Já tenho um computador que, por enquanto, não é o meu. O seu coração (o disco) estragou-se. Não sei onde este guarda os seus segredos, onde esconde algumas das imagens que foram recuperadas, os endereços dos amigos… Vai ser um relacionamento difícil, até nos conhecermos! Ela (a máquina) e eu vamos ter de mudar alguns dos nossos hábitos. A vida é feita de mudança e qualquer relacionamento, para resultar, é mais feito de cedências do que de vitórias…
Aí está o segundo quadro da prometida série de três. Todos os elementos essenciais para manter o referido desassossego paranóico-crítico de Dali, lá continuam,agora reforçado pela ameaça latente protagonizada pela vespa.
Pedi inspiração a António Aleixo para concluir:

Uma vespa sem pudor
Pica com a mesma energia
Na cabeça de um doutor
Ou na bunda da Maria.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

CARPE DIEM!

Desisti de resolver os problemas do mundo, quando tive um enfarte, fui operado ao coração e me colocaram três bypass.

Todas as lutas que travei (umas ganhas, outras perdidas), resolvi deixá-las para os outros... Já dei para esse peditório...

Cheguei à conclusão, que devia viver o momento, como quisesse, fazendo o que me dá prazer, com o maior dos egoísmos...

O meu maior problema, neste momento, é a avaria do meu computador...

Há uns tempos, não me atreveria, sequer, a pensar assim...

Agora, estou a dizê-lo a toda a gente!

domingo, 18 de outubro de 2009

A MOSCA NO PRATO




A Mosca no Prato Óleo sobre Tela 35x27cm

Há uns anos atrás, completei três obras, que pretendiam contar uma história que nunca chegou a ser escrita.
Em todas elas, um dos elementos do quadro interfere com a moldura, criando um desassossego no observador, a que Dali chamou de paranóico-crítico, mas que a mim, mais prosaicamente, me fez lembrar uma quadra de António Aleixo:

Uma mosca sem valor
Poisa c'o a mesma alegria
na careca de um doutor
como em qualquer porcaria.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

PESCADORES E PESCARIAS


Costa Vicentina Óleo sobre Tela 50x70cm
(clic sobre imagem para ver pormenores)

Durante mais de 20 anos, percorri o sudoeste alentejano e costa vicentina, numa extensão de 60km, desde Sines até ao Burgau, para fazer pesca à cana das variedades de peixe que, em determinadas épocas do ano, frequentam as suas praias para desovar. Sargos, douradas, pargos, fizeram parte dessa ementa.
Umas vezes na praia, outras nas rochas, eu e uma equipa de malucos encartados passávamos noites terríveis, com chuva, vento e frio de rachar, a tentar apanhar uns peixes, que com um décimo da despesa que tínhamos em gasolina, isco e material, compraríamos em qualquer praça perto de nossa casa!
Nestes grupos de pescadores, não há uma fronteira muito nítida entre loucura e pesca…
Escusam de ficar preocupados: essa fase já passou!
Mas que saudades!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

BELAS E PERIGOSAS


Ponta da Piedade Óleo sobre Tela 95x105cm

Na série que eu queria mostrar das falésias da costa algarvia, faltou apresentar este quadro que dá uma ideia da beleza selvagem das grutas e rochas escarpadas, que contrastam com as águas transparentes da Ponta da Piedade, em Lagos.
Neste quadro, são evidentes as pinceladas carregadas de matéria, que constroem o anfiteatro onde se desenrola um festival de luzes feéricas, acalmado pelo suave azul do céu.
Depois do infausto acontecimento que custou a vida a cinco pessoas, foram monitorizados todos os pontos críticos da bela costa algarvia e derrubadas algumas falésias, consideradas em perigo de queda eminente. Poucos dias depois, aconteceu outra derrocada. Sem vítimas a lamentar: foi durante a noite…
Matasétix, o chefe da aldeia de Astérix e dos seus amigos, só receia uma coisa: Que o céu lhe caia em cima da cabeça. Mas, acrescenta: “Amanhã não será a véspera desse dia”.
Gostaria de poder dizer o mesmo…

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

ARTE POSTAL (II)


Sol na Terra Óleo sobre Platex
(clic sobre a imagem para ver textura)

Esta foi a outra peça que mandei para a “Exposição Internacional de Arte Postal”.
Tal como a anterior, é feita em óleo sobre platex, com uma textura bastante expressiva, e as cores fortes, no estilo fauve, para lhe dar a força que o tema merecia. Daí a simplificação das formas e a exaltação das cores puras, numa pincelada espontânea e livre …
Como todos sonhamos ser…

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

ARTE POSTAL


Pés na Terra Óleo sobre Platex
(clic sobre a imagem para ver textura)

Esta foi a minha contribuição para a “Exposição Internacional de Arte Postal”, realizada no Barreiro em 1988.
A Mail-Art teve o seu início em meados do século XX, na "Correspondance Art School", de Nova Iorque e teve a sua maior expressão nos anos 70 e 80.
Os suportes em que esta arte se manifesta terão de ser possíveis de transmissão através dos correios, a nível global, daí o seu formato e as técnicas utilizadas.
Este “postal”, como o outro que irei apresentar, é feito em óleo sobre platex, com a moldura feita de madeira e integrada no conjunto. A terra parece cair da moldura, com a intenção de interagir com o espectador...
O tema escolhido, “Terra”, levou-me ao que na altura sensibilizava parte da opinião pública portuguesa: “O Movimento dos Sem-Terra”.
Mas estes pés não têm nacionalidade…