quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A MÃO DE DEUS


Lagos Óleo sobre Tela 80x100cm

Lembrei-me deste quadro quando falei do acidente que causou aquelas vítimas mortais.
Sempre que o observo com atenção eu vejo lá a mão de Deus.
Se não for esse o seu caso, não faz mal:

eu consigo ver uma jovem e uma senhora de idade nesta imagem, mas sei que há pessoas que só vêm a jovem e outras que só conseguem enxergar a velha.
Olhar o mundo com optimismo, com os olhos ávidos de uma criança é sinal de juventude, do desejo imparável de ser feliz.
Eu quero…
Façam-me o favor de ser felizes!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

LINDAS DE MORRER


Falésia Óleo sobre tela 38x46cm
(clic na imagem para ver em pormenor)

No passado dia 21, uma derrocada na falésia da Praia Maria Luísa, em Albufeira, provocou a morte de cinco pessoas, quatro da mesma família, que se encontravam de férias no local.
No dia seguinte, por todo o litoral português, famílias inteiras continuaram a arriscar a vida, debaixo de falésias consideradas perigosas, sem respeito pelas placas que avisam, em quatro línguas, do perigo de permanecer próximo das zonas assinaladas.
A praia onde aconteceu o acidente, já tem a bandeira azul hasteada por ter deixado de ser perigosa, depois de ter sido demolida a parte que sobrou da rocha...
Este quadro mostra as falésias da costa algarvia, com todos os contrastes, que as tornam um motivo apetecido por todos os pintores. As cores utilizadas têm uma textura que procura transmitir a beleza que, com os raios de sol a incidir sobre elas, são de cortar a respiração…
Como disse, lindas de morrer!

sábado, 15 de agosto de 2009

ASSOCIAÇÕES VIRTUOSAS


Musa Óleo sobre Tela 65x54cm
(Clic sobre a imagem para ver pormenores)

Foi uma associação de ideias, que me impeliu a mostrar esta obra.
No passado sábado, morreu Raul Solnado, humorista, actor e apresentador de televisão.
Entre os programas que apresentou destacou-se pela sua importância, Zip-Zip, o primeiro talk show português. No primeiro programa, a 26 de Maio de 1969, uma segunda-feira, em plena Primavera Marcelista, o convidado principal foi Almada Negreiros, amigo e admirador de Fernando Pessoa. A sua presença na televisão entusiasmou tanto os portugueses que, a partir desse dia, as ruas e as salas de espectáculo ficavam vazias à segunda-feira: ninguém queria perder o programa!
Almada Negreiros editou a revista Orpheu, juntamente com Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro.
Júlio Dantas, a maior figura da intelectualidade institucional da época, afirma que a revista é feita por gente desmiolada. Almada Negreiros responde com o manifesto Anti-Dantas:
... Basta PUM Basta!
Uma geração, que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero! Abaixo a geração!
Morra o Dantas, morra! PIM!
No fim assina: POETA D' ORPHEU, FUTURISTA E TUDO.

É inspirado num seu desenho, o quadro que apresento.

domingo, 9 de agosto de 2009

ACABOU-SE A FESTA!


Igreja De São Lourenço Acrílico sobre Tela 60x70cm

Para terminar esta série, mostro um monumento cuja fundação remonta ao século XIII, a Igreja de São Lourenço, também chamada Matriz de Alhos Vedros, com o enquadramento do seu novo jardim.
Como poderão recordar numa entrada de 30.Dez.07, foi na apreciação do quadro com o altar-mor desta igreja, que se gerou a discussão entre um casal, em que o marido garantia que eram pedaços de azulejos colados e a mulher, mais perspicaz, garantia que era pintura.
O resto, já pertence à história: ele, para provar à mulher que tinha razão, tirou a navalha do bolso para levantar os azulejos virtuais…
Eu, como se pode constatar, sobrevivi ao susto... e a obra também!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

FESTA NO CAIS


Festa Acrílico sobre Tela 60x69cm

Esta pintura do cais de Alhos Vedros, da mesma série da anterior, tem como ponto central as pessoas que, com as suas roupas multicores, rivalizam com os barcos engalanados.
O céu e o mar trabalhados com espátula, apesar da sua imensidão, parecem perder importância, face ao calor das cores utilizadas para definir a festiva multidão.
Imaginem os odores das barracas de petiscos…

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

FESTAS EM ALHOS VEDROS


Festa no Cais Acrílico sobre Tela 60x70cm

Como disse numa entrada anterior, todas as vilas da zona ribeirinha do Tejo vão fazer as suas festas populares, com a mesma receita de sempre; já está tão testada que não é preciso inventar nada, para que sejam um êxito!
Os barcos engalanados, cheios de bandeiras coloridas, vão apresentar-se pintados de fresco e lavados, perante a santa padroeira, que os abençoará, depois de levada em procissão até ao cais. Quando era miúdo, sempre achei que era a mesma santa que fazia o passeio, embora cada vila lhe desse um nome diferente...
Neste caso, em Alhos Vedros, o seu nome é Nossa Senhora dos Anjos. As Festas em sua honra este ano acabam no dia 4 de Agosto. Ainda estão a tempo!
Em 2003, fiz uma exposição com telas que mostravam o colorido dos barcos e das bandeiras, a alegria e participação das pessoas, nesta festa sempre igual, sempre renovada.
As obras que apresentei tinham em comum o traço espontâneo e livre.
Todas elas foram muito apreciadas! Tanto que não sobrou nenhuma dessa mostra.

domingo, 26 de julho de 2009

DIA COM ARTE




Ontem, foi mesmo um dia especial!
A Exposição “Tejo Cintilante” está patente ao público numa galeria que tem as condições ideais para receber Arte e os seus amantes. Sala nobre, com dignidade, ampla e bem iluminada.




Logo à entrada está uma chamada de atenção, com o desenho a tinta-da-china, Menção Honrosa do Prémio Américo Marinho, “Baixa-Mar”.


Nas outras paredes está o Tejo em todo o seu esplendor!
Durante a tarde, convivi com os visitantes e amigos, ao som de música ao vivo, com o indispensável Moscatel de Setúbal.
Na sala ao lado, está a exposição de fotografia do agora amigo, Francisco M. Santos, que curiosamente tem os mesmos temas dos meus quadros.
Por sugestão da minha filha, fomos jantar a um restaurante em Palmela que se chama “Coma com Arte”. E não é só a comida: tem sempre um espaço reservado para uma exposição de pintura.



Por sugestão da dona do espaço, seguimos para um espectáculo que se desenrola no palco impossível duma encosta do Castelo de Palmela. Três centenas de participantes celebram o Verão com teatro, música, cantores líricos e a poesia Eugénio de Andrade.
A Deusa-Mãe, os elementos Água, Terra, Ar, Fogo, um Senhor de Branco, que conduz o povo à felicidade, e uns diabretes que querem estragar a Festa, são algumas das figuras mais destacadas deste espectáculo que tem um cenário natural deslumbrante: a Serra da Arrábida.
De sugestão em sugestão eu sugiro que, os que puderem, visitem a exposição que está como o Tejo: CINTILANTE!

terça-feira, 21 de julho de 2009

EXPOSIÇÃO DE PINTURA




Clic sobre a imagem para melhor leitura.
Até sábado!
Obrigado.
António Tapadinhas

quinta-feira, 16 de julho de 2009

GENTE COM HISTÓRIA


Barraca do Zé Gordo Acrílico sobre Tela 25x56cm
(clic sobre a imagem para ver em pormenor)

Quando estive a pintar o quadro “Barcos na Praia”, tinha atrás de mim estas barracas de pescadores, que servem para guardar todos os seus apetrechos de pesca. À semelhança do que aconteceu com os palheiros da Costa Nova, foram-se transformando numa segunda habitação para gozar férias. Só não se chamam palheiros porque, como não há caniços, os telhados são feitos com outros materiais…
Não fiquei indiferente ao seu colorido. Para o salientar e à sua rusticidade, utilizei quase exclusivamente a espátula, valorizando as texturas que pretendia. A camada inicial foi dada com Naples Yellow, sem mistura ou diluição, para que esta cor continuasse a respirar através das outras e aquecer toda a atmosfera da tela.
O título deste quadro leva o nome por que é conhecido o dono da barraca. Não conheço o senhor, nunca o vi mais gordo, mas o nome foi dado por uma querida senhora que ficou encantada com os meus quadros dos moinhos de Alburrica. E tinha uma boa razão para isso: A senhora contou-me que viveu grande parte da sua vida nos moinhos…
O quadro “Moinhos de Alburrica”, que mostrei na minha postagem de 18/5/2008, foi comprado pela senhora e colocado em lugar de destaque na sua sala!
Com muito orgulho de nós os dois!
Este vai estar no Barreiro, a partir de dia 25, na Exposição "Tejo Cintilante".

sábado, 11 de julho de 2009

MOINHOS SEM DOM QUIXOTE


Moinhos no Horizonte Acrílico sobre Tela 30x40cm
(clic sobre a imagem para ver em pormenor)

Sempre que utilizo fotografias para fazer os meus quadros, sinto necessidade de voltar ao local para definir alguns pontos de divergência entre o que eu me lembro de ter visto e o que a fotografia me mostra.
A grande diferença nem é a cor. A câmara mostra tudo por igual: dá a mesma importância a um monte de lixo que a um ramo de flores…
Para dar o sinal da distância a que nos encontramos da língua de terra onde se situam os moinhos e as casas, pareceu-me indicado mostrar os tufos de vegetação. Por acaso, também estão na fotografia…
A minha assinatura mostra que a obra está acabada.
Eu gosto do resultado…

quinta-feira, 9 de julho de 2009

MOINHOS SEM DOM QUIXOTE II


Moinhos no Horizonte (Ars Interim)
Acrílico sobre Tela 30x40cm

Nesta fase do trabalho já se distinguem os pormenores (clic sobre a imagem) da paisagem a que eu me referi: os moinhos (sem Dom Quixote!), as casas, algum arvoredo...
Infelizmente, as fadas e as ninfas ainda não deram sinal de si...
Apelo à vossa imaginação...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

MOINHOS SEM DOM QUIXOTE


Moinhos no Horizonte (Ars Interim)
Acrílico sobre Tela 30x40cm

Tinha planeado executar quatro pequenas telas, com as mesmas dimensões, o mesmo tema e a mesma gama de cor. Este trabalho é o quarto da série.
A fotografia mostra o desenho inicial efectuado no local e as cores base que seleccionei, para a execução desta tela.
A pequena foto que tenho colada no cavalete serve de indicação para os pormenores que, apesar da distância, eu quero salientar, para individualizar o local e torná-lo facilmente reconhecível. Quero que seja identificado por quem o conhece.
Hoje à tarde vou ver as dimensões do espaço onde vai estar patente a exposição…

sexta-feira, 3 de julho de 2009

ESTAÇÃO DO SUL E SUESTE II


Moinho e Estação Sul e Sueste
Acrílico sobre Tela 40x30cm


Conforme disse, com o entusiasmo, pouco deixei para fazer até à conclusão deste trabalho.
Quando começamos uma obra, temos uma determinada imagem do que pretendemos. Muitas das vezes, fazemos esboços, testes de cores, para tirarmos todas as dúvidas. Não foi este o caso! Eu queria, utilizando a imponência, a majestade do moinho, transmitir uma sensação de paz de perenidade, de segurança… Desde o início senti que estava a conseguir o meu objectivo…
Foi com esse sentimento que recomecei o trabalho, para não perder o que já tinha conseguido.
Nesta sessão, intensifiquei algumas sombras, dei mais luz aos ramos das árvores, defini com maior precisão alguns pormenores do céu e da água.
Quando perguntei à mulher disfarçada por entre as nuvens e à ninfa que está a tomar banhos nas águas quentes do Tejo, se já estavam prontas, elas responderam em coro que sim.
E eu acreditei! Arrumei tão depressa os instrumentos que, só agora, me apercebi que nem sequer tenho o trabalho assinado!
Vai ficar assim na fotografia, mas o quadro vai ser assinado, prometo!

terça-feira, 30 de junho de 2009

ESTAÇÃO DO SUL E SUESTE


Moinho e Estação do Sul e Sueste (Ars Interim)
Acrílico sobre Tela 40x30cm

Durante algum tempo discuti com Ernesto quais seriam as melhores palavras para indicar que uma obra ainda não estava acabada. Tínhamos chegado a um consenso que seria Opus Interim. Agora, que chegava a altura de a aplicar, procurei no Google e lá estava uma empresa com esse nome. A razão porque tínhamos posto de lado Ars Interim (AI) era a sua possível confusão com algum robot e eu, entre um robot e uma companhia, prefiro o robot...
Mais uma vez os moinhos!
Este moinho é o que estava em perigo de derrocada, conforme um comentário anterior. Neste momento está em obras. O Sem Margens congratula-se com esta acção. E eu, muito mais: Vou continuar a ter tema para os quadros do Barreiro!
Neste quadro, o moinho tem ao seu lado direito a Estação do Sul e Sueste, um monumento classificado pelo IPA, que deixou de ter utilidade como estação fluvial e terminal ferroviário… Será o abandono?
Nos quadros anteriores, o ângulo de visão é o que se obtém junto da estação. Desta vez, dei a volta à Caldeira do Moinho Pequeno, para mostrar uma perspectiva diferente, que inclui os dois monumentos.
Com o entusiasmo nem me apercebi que o quadro estava quase concluído!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

VOAR...


Voo Óleo sobre Tela 46x38cm

Numa das primeiras exposições que fiz, esta pintura foi “vendida” logo no primeiro dia, a um apreciador de pintura, muito afável, simpático e conversador.
Disse deste quadro, aquilo que eu pensava dele:
Obra de grande expressividade, textura agressiva e uma harmonia dinâmica transmitida pelas cores fortes e contrastantes, em que a ave, com o metafórico bater das suas asas, afasta o frio da floresta para entrar na clara e quente luz do sol…
Pois, pois!
Só que o senhor apreciador talvez tivesse problemas de fundos de maneio: reservou-a mas nunca a foi levantar.
Até hoje!
Por isso, agora tenho em casa uma caturra que me assobia canções, para eu não a deixar, e um papagaio que não se cansa de me olhar a convidar-me para voar com ele…

sexta-feira, 19 de junho de 2009

ENTARDECER NOS MOINHOS II


Pôr-do-Sol em Alburrica Acrílico sobre Tela 30x40cm

A luz do sol não varia com a hora dos nossos dias. A nossa atmosfera serve de filtro a essa luz que nós vemos que, por uma questão de comodidade, se costuma dividir em seis cores, por ordem de frequência crescente: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta.
Neste quadro, foram estas três primeiras cores que privilegiei, tornando coerente a sua luz/cor visível. Não utilizei o processo científico que estimula a conversão de energia numa porção de luz, como se diz em inglês “light amplification by stimulated emission of radiation” ou, para simplificar, fazendo o acrónimo com as iniciais destas palavras – laser…
Utilizei “apenas” a visão dos humanos: A nossa capacidade de distinguir cores e tons não tem limites definidos…


...E a nossa capacidade de amar também não: ontem passei o dia com o meu neto, Rafael, que completou o seu primeiro ano de vida…

terça-feira, 16 de junho de 2009

ENTARDECER NOS MOINHOS


Pôr-do-sol em Alburrica (em construção)


Pôr-do-sol em Alburrica (em construção)

Para a segunda apresentação da exposição “Tejo Cintilante”, na Galeria da Câmara Municipal do Barreiro, entre 29 de Julho e 27 de Agosto, vou mostrar, conforme prometi, um quadro dos moinhos com a luz do pôr-do-sol.
Se na interpretação do amanhecer, não me esqueci dos azuis para sugerir o fresco da manhã, neste, procuro transmitir o calor do Sol inclemente, que se mantém nos areais, nas árvores e nas construções…
O desenho simples com o marcador pode ver-se sob os amarelos, laranjas, vermelhos e rosas, que cobrem toda a tela, como um fogo purificador…
O nosso cérebro está treinado para ver na água a cor azul e a fresquidão que ela sugere. Com essa informação, eu sei que não preciso pintar a água de azul porque o cérebro irá corrigir automaticamente a minha interpretação da realidade…
Se no céu anterior foi vista uma mulher-anjo (não são todas?), neste, espero que descubram o homem-demónio, que vai ficar por lá escondido nas nuvens de fogo…

sexta-feira, 12 de junho de 2009

AMANHECER NOS MOINHOS II


Amanhecer em Alburrica Acrílico sobre Tela 30x40cm
(Clic sobre a imagem para ver em pormenor)

O passo seguinte é definir as formas que quero salientar, sem esquecer o ambiente (em inglês, mood define melhor o que pretendo dizer) que devo manter na etapa final. Satisfeito com o realce que dei aos moinhos que, qual sentinelas, obrigam o observador a percorrer toda a tela, procurei dar a força suficiente aos telhados das casas, ao centro, para o olhar se deter nessa zona tão importante do quadro.
Acrescentei alguns detalhes, onde os considerei necessários. Temos de corrigir a tendência para o excesso de pormenores que, algumas vezes, tiram vigor e espontaneidade aos trabalhos.
Olhando com atenção ainda se distinguem as cores e texturas da pintura inicial. Espero que ainda se veja a mulher (anjo?) a espreguiçar-se por entre as nuvens…
Há um outro pormenor interessante: O céu e a água são formas abstractas; por isso, podemos dizer que mais de noventa por cento do quadro é abstracto…

P.S. Um amigo perguntou-me quanto custa o quadro. A resposta vale para todos: Este (Amanhecer em Alburrica) e o próximo que tem o mesmo formato (Pôr-do-sol em Alburrica) serão postos à venda na Galeria por 300€ cada um. Se alguém os quiser comprar agora, ficarão expostos com indicação do seu proprietário, e só depois serão entregues. Valeu?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

AMANHECER NOS MOINHOS


Amanhecer em Alburrica (em construção) Acrílico sobre Tela


Amanhecer em Alburrica Marcador sobre Tela


Já está confirmada a segunda apresentação da exposição "Tejo Cintilante". Será na cidade do Barreiro, na galeria da Câmara Municipal, a partir do dia 29 de Julho e até 27 de Agosto.
Como algumas obras já foram vendidas, estou a preparar novas.
Tenho constatado o interesse dos meus amigos na concepção e execução das telas. Atendendo a esse interesse, vou dedicar as minhas as próximas entradas aos novos trabalhos que irei apresentar.
No Barreiro, os moinhos são o ex-líbris da cidade. Tenho feito trabalhos sobre eles, de todos os ângulos e com todos os formatos, mas sempre com o esplendor da luz do sol. Então, para variar, lembrei-me de fazer dois trabalhos: um com a luz da manhã e outro com a do pôr-do-sol.
Os moinhos são bem conhecidos, por isso, pensei dar maior realce ao seu enquadramento natural. O céu e o rio vão ser os protagonistas.
Para evitar surpresas desagradáveis, desenhei com um marcador à prova de água a língua de terra onde estão os moinhos. Para dar maior vigor às cores, devemos trabalhar a tela branca com as tintas que darão a temperatura que desejamos para pintura final. As cores são diluídas com médium transparente, que deixa ver o desenho, por entre as pinceladas expressivas que procurei dar.
Não me esqueci dos azuis, que vão servir para se sentir o frio da manhã…

quinta-feira, 4 de junho de 2009

ATLÂNTIDA


Cerrados - Açores Óleo sobre Tela 100x100cm

O Arquipélago dos Açores é constituído por nove ilhas, situadas em pleno Oceano Atlântico, que dizem ser vestígios da lendária Atlântida. Olhando os contrastes das costas, os rochedos vertiginosos a mergulharem no oceano, as montanhas e os vales, com a sua exuberante vegetação, as lagoas nas crateras de vulcões extintos, os géisers, as nascentes de água quente, tendo ao lado, outra com água gélida, não custa a acreditar na lenda do mítico continente.
Sendo o contraste uma regra, até os campos carinhosamente cultivados, estão divididos em pequenos cerrados feitos com as rochas vulcânicas vitrificadas que a população chama de bagacinas, com o toque de beleza que é a inveja dos continentais: as hortênsias azuis.
Uma estadia no continente e as belas flores vão mudando de cor e passam para um cor-de-rosa choque…
Tem a ver com a acidez ou alcalinidade das terras, dizem os especialistas.
O engraçado é que nós invejamos o azul dos Açores e eles invejam o nosso cor-de-rosa…