sexta-feira, 12 de junho de 2009

AMANHECER NOS MOINHOS II


Amanhecer em Alburrica Acrílico sobre Tela 30x40cm
(Clic sobre a imagem para ver em pormenor)

O passo seguinte é definir as formas que quero salientar, sem esquecer o ambiente (em inglês, mood define melhor o que pretendo dizer) que devo manter na etapa final. Satisfeito com o realce que dei aos moinhos que, qual sentinelas, obrigam o observador a percorrer toda a tela, procurei dar a força suficiente aos telhados das casas, ao centro, para o olhar se deter nessa zona tão importante do quadro.
Acrescentei alguns detalhes, onde os considerei necessários. Temos de corrigir a tendência para o excesso de pormenores que, algumas vezes, tiram vigor e espontaneidade aos trabalhos.
Olhando com atenção ainda se distinguem as cores e texturas da pintura inicial. Espero que ainda se veja a mulher (anjo?) a espreguiçar-se por entre as nuvens…
Há um outro pormenor interessante: O céu e a água são formas abstractas; por isso, podemos dizer que mais de noventa por cento do quadro é abstracto…

P.S. Um amigo perguntou-me quanto custa o quadro. A resposta vale para todos: Este (Amanhecer em Alburrica) e o próximo que tem o mesmo formato (Pôr-do-sol em Alburrica) serão postos à venda na Galeria por 300€ cada um. Se alguém os quiser comprar agora, ficarão expostos com indicação do seu proprietário, e só depois serão entregues. Valeu?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

AMANHECER NOS MOINHOS


Amanhecer em Alburrica (em construção) Acrílico sobre Tela


Amanhecer em Alburrica Marcador sobre Tela


Já está confirmada a segunda apresentação da exposição "Tejo Cintilante". Será na cidade do Barreiro, na galeria da Câmara Municipal, a partir do dia 29 de Julho e até 27 de Agosto.
Como algumas obras já foram vendidas, estou a preparar novas.
Tenho constatado o interesse dos meus amigos na concepção e execução das telas. Atendendo a esse interesse, vou dedicar as minhas as próximas entradas aos novos trabalhos que irei apresentar.
No Barreiro, os moinhos são o ex-líbris da cidade. Tenho feito trabalhos sobre eles, de todos os ângulos e com todos os formatos, mas sempre com o esplendor da luz do sol. Então, para variar, lembrei-me de fazer dois trabalhos: um com a luz da manhã e outro com a do pôr-do-sol.
Os moinhos são bem conhecidos, por isso, pensei dar maior realce ao seu enquadramento natural. O céu e o rio vão ser os protagonistas.
Para evitar surpresas desagradáveis, desenhei com um marcador à prova de água a língua de terra onde estão os moinhos. Para dar maior vigor às cores, devemos trabalhar a tela branca com as tintas que darão a temperatura que desejamos para pintura final. As cores são diluídas com médium transparente, que deixa ver o desenho, por entre as pinceladas expressivas que procurei dar.
Não me esqueci dos azuis, que vão servir para se sentir o frio da manhã…

quinta-feira, 4 de junho de 2009

ATLÂNTIDA


Cerrados - Açores Óleo sobre Tela 100x100cm

O Arquipélago dos Açores é constituído por nove ilhas, situadas em pleno Oceano Atlântico, que dizem ser vestígios da lendária Atlântida. Olhando os contrastes das costas, os rochedos vertiginosos a mergulharem no oceano, as montanhas e os vales, com a sua exuberante vegetação, as lagoas nas crateras de vulcões extintos, os géisers, as nascentes de água quente, tendo ao lado, outra com água gélida, não custa a acreditar na lenda do mítico continente.
Sendo o contraste uma regra, até os campos carinhosamente cultivados, estão divididos em pequenos cerrados feitos com as rochas vulcânicas vitrificadas que a população chama de bagacinas, com o toque de beleza que é a inveja dos continentais: as hortênsias azuis.
Uma estadia no continente e as belas flores vão mudando de cor e passam para um cor-de-rosa choque…
Tem a ver com a acidez ou alcalinidade das terras, dizem os especialistas.
O engraçado é que nós invejamos o azul dos Açores e eles invejam o nosso cor-de-rosa…

sábado, 30 de maio de 2009

ENCONTRO DE IRMÃOS - PARTE II


Tão bom como "O Genial", só "O Génio",
no café "A Brasileira" do Chiado


Poucas pessoas podem gabar-se de ter a felicidade de imaginar momentos empolgantes e depois, no real, eles superarem as nossas melhores expectativas.
Confesso que sentia um certo receio que passássemos aquelas horas juntos e pouco tempo depois, não tivéssemos mais do que falar. Aconteceu exactamente o contrário: as horas voaram e, quando nos despedimos, sentimos que ficaram muitas coisas por dizer… Foi uma conversa de amigos de longa data que será retomada na próxima vez que nos encontrarmos, no próximo mês, no próximo ano, recomeçada no exacto momento em que foi interrompida… É assim com os amigos!
Todos aqueles que me foram dizendo que estavam cheios de inveja, digo-lhes uma coisa: tinham razão! Ao conhecer o Flavio, fiquei a conhecer melhor cada um de vós. Foram momentos muito bons!
Daqui a pouco, vou estar em Coimbra com a Companhia de Artilharia, 1409, com o pelotão que comandei, como Alferes Ranger, na guerra colonial de Portugal contra Angola. Cada vez somos menos o que estamos nesta comemoração anual…
Quantas emoções!
Espero sobreviver a este fim-de-semana!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

ENCONTRO DE IRMÃOS


Regata no Tejo (estudo), 1997
Acrílico sobre Platex, 11x21cm

No passado dia 6 de Maio, ilustrei a minha postagem, “Festas no Tejo”, com o quadro, “Regata”, óleo sobre tela, 85x120cm.
Essa postagem, suscitou 74 comentários, o último dos quais, foi assinado por Flavio Ferrari. Dizia:

Esse é um de seus quadros mais lindos (dentre os que já publicou). Não conheço a mulher do seu parente, mas talvez ele tenha mesmo feito um bom negócio.
Mas não venha com ideias para o meu lado que a Ti eu não troco nem por dois quadros...


A este texto, respondi, quatro dias depois:

Só agora, por mero acaso, li o seu comentário na minha postagem, "Festas no Tejo".
Entendi a mensagem!
Há jóias que não têm preço... eu sei...


Está confirmado que no próximo dia 29, eu e Flavio vamos encontrar-nos em Lisboa.
É a primeira vez (há uma primeira vez para tudo!) que me acontece: vou abraçar alguém, que não conheço pessoalmente, mas com quem tenho contactado quase diariamente. Algo que não posso dizer de muito bons amigos…
No abraço que lhe vou dar, estão todos os amigos que me têm culminado de gentilezas, durante estes quase dois anos de convívio com a blogaldeia.
Tenho uma prenda para ele: o estudo que serviu de base ao quadro que ele tanto admirou.
Juro que não é nenhuma prestação ou sinal, para qualquer troca…

sábado, 16 de maio de 2009

A TERCEIRA PONTE


Barcos na Praia - Barreiro Óleo sobre Tela 100x100cm

Tenho escrito tanto a propósito do Barreiro, das suas antigas indústrias, da sua zona ribeirinha, dos seus moinhos de Alburrica, que acho só falta escrever sobre a construção da terceira ponte sobre o Tejo, entre Chelas e Barreiro, que deverá ficar concluída em 2013.
A construção desta ponte vai obrigar à dragagem de lodos fortemente contaminados devido às antigas indústrias do Barreiro, com níveis muito elevados de mercúrio, arsénio, chumbo…
Deixo as doutas considerações sobre os Estudos de Impacto Ambiental e sobre a malha viária da cidade de Lisboa, para as entidades competentes, mas estou preocupado:
Um tabuleiro rodoviário e ferroviário, mais os acessos, vão modificar toda esta paisagem, em nome do progresso, esse deus conhecido em que, ao contrário das personagens do livro de John Steinbeck, A um Deus Desconhecido, o amor pela terra e pela liberdade, já sabemos, nem sempre são salvaguardados.
Em 2014, saberemos se tenho razão nos meus receios.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

PALAFITAS NO SADO


Carrasqueira - Cais Óleo sobre Tela 90x100cm

Quando falei sobre a saga dos avieiros, mencionei que os “ciganos do rio”, como lhes chamou Alves Redol, procuraram o seu sustento no Vale do Tejo e no estuário do Sado.
Há uma aldeia ribeirinha em plena Reserva Natural do Estuário do Sado, que conserva algumas construções de madeira, cobertas de caniço – os palheiros.
Nesta aldeia, continua a ser utilizado um cais construído em estacas de madeira (palafitas), que se prolonga por centenas de metros sobre os esteiros lodosos do rio.
Foi um processo iniciado por dois pescadores que criaram um acesso para chegarem aos seus barcos, sem se enterrarem no lodo, aos quais se foram juntando outros, até se chegar ao emaranhado de estacas que tornaram este local um dos mais visitados do concelho.
Os habitantes desta aldeia continuam a ganhar o seu sustento, conforme as épocas do ano, com a agricultura e a pesca.
Não sei se são agricultores-pescadores ou pescadores-agricultores. O que sei é que o peixe é uma delícia e, não resisto, tenho um pequeno segredo para lhes contar…
Gostam de batata-doce? Eu também!
Aquele lugar é o seu paraíso. Tem um nome: Carrasqueira.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

FESTAS NO TEJO


Regata Óleo sobre Tela 85x120cm

Dentro em breve, todas as vilas da zona ribeirinha do Tejo vão fazer as suas festas populares, com a mesma receita de sempre; já está tão testada que não é preciso inventar nada, para que sejam um êxito!
Os barcos engalanados, cheios de bandeiras coloridas, vão apresentar-se pintados de fresco e lavados, perante a santa padroeira, que os abençoará, depois de levada em procissão até ao cais. Quando era miúdo, sempre achei que era a mesma santa que fazia o passeio, embora cada vila lhe desse um nome diferente...
Neste caso, em Alhos Vedros, o seu nome é Nossa Senhora dos Anjos.
Esta obra foi comprada por um familiar que adora barcos e passeios todo-o-terreno. Pouco tempo depois da aquisição, divorciou-se. Contou-me ele, que um dos pontos mais críticos foi o acordo de partilhas, porque ambos queriam esta tela.
O meu primo não ficou com a mulher, mas ficou com a obra. Valente!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O DIA DO TRABALHADOR


A Sesta ( Segundo Picasso) Óleo sobre Tela 62x98cm


Julgava já ter feito referência à minha mania de copiar quadros dos grandes artistas que retrataram a “Sesta”… Dei uma vista de olhos, pelas minhas postagens e não encontrei. Poderá ter sido para algum artigo de jornal ou entrevista, ou num comentário a alguma postagem do tema. Lembro uma recente, de Anne, no seu Life… Living…
Todos estes quadros foram vendidos. Por ter feito esta série no início da minha vida de pintor, não tenho fotografias da minha interpretação do tema, conforme Van Gogh, Almada Negreiros, Manet… Mas tenho, a partir de um desenho de Picasso, “Camponeses Dormindo”, 1919, Têmpera, aguarela e lápis, 31,1x48,9, The Museum of Modern Art, Nova Iorque.
Por contraste, hoje que é dia do trabalhador, ofereço uma boa proposta de descanso, com a colaboração de um génio do século XX: Pablo Picasso, 1881-1973.
Bom fim-de-semana!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

À PROCURA DE ROBIN DOS BOSQUES


Bosque de Bétulas
Técnica mista sobre tela colada em contraplacado 30x20cm

Comemorou-se recentemente o “Dia Mundial da Árvore”, que teve lugar pela primeira vez no estado norte-americano do Nebraska, em 1872, por iniciativa de John Stirling Morton, que conseguiu convencer toda a população a dedicar um dia no ano à plantação de árvores.
Quando fiz a postagem de “Floresta Maravilhosa”, lembrei-me desse dia e também deste bosque que, até agora, nunca mais cresceu.
No ano em que vi os quadros de paisagens de Klimt, resolvi iniciar uma série com florestas. Antes da sua execução em grande formato, pensei fazer uma experiência sobre um suporte rígido, para evitar o indesejado craclé. Por isso, este quadro foi pintado a óleo sobre tela colada em contraplacado. Para criar diversos tipos de texturas, adicionei areia à tinta e colei pequenos ramos de árvores, para melhorar o efeito tridimensional.
Só falhou um pequeno pormenor: ainda não encontrei o produto certo para fazer crescer este bosque…

sexta-feira, 24 de abril de 2009

DIA DO AMOR


Sérgio Godinho, uma voz de Abril


Dia da Liberdade Acrílico sobre papel Canson 400g
Ilustração publicada no jornal "O Rio"

A Câmara de Santa Comba Dão, terra onde nasceu o ditador António Salazar, cujo regime foi derrubado em 25 de Abril de 1974, inclui nas suas festas de comemoração da data, uma inauguração especial: a do Largo Salazar.
Um autarca, João Lourenço de seu nome, rejeita qualquer ideia de provocação e declarou: "Nunca me passou pela cabeça tal coisa. Só há três dias, alertado por um presidente de junta do PSD, é que me apercebi da coincidência".
Um antifascista, António Vilharigues, disse: "Escolher as celebrações para inaugurar obras num largo que leva o nome do símbolo do regime fascista derrubado pelo 25 de Abril, é a mesma coisa que no dia da discriminação racial alguém se lembrar de fazer uma homenagem a Hitler ou a qualquer comandante dos campos de concentração de Auschwitz ou Treblinka".
Estas duas posições relatadas nos jornais demonstram que a Liberdade é uma conquista já consolidada.
Falta saber o que vamos fazer com ela: 35 anos ainda não chegaram!
Bom fim-de-semana, em Liberdade!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

SERIAL KILLER


Sem Título Acrílico sobre Tela 65x54cm

Já devem ter notado que eu tenho uma infinidade de séries em que nunca faço a última obra e, outras, em que não passo da primeira. Como esta…
Este quadro foi cuidadosamente planeado, para ser a pedra de toque de uma série, que me entusiasmou na sua concepção.
Toda a tela foi coberta com diversas camadas de tinta, até ficar completamente lisa, para receber o desenho final. Em algumas zonas, passei com lixa de água para a sua superfície ficar sem qualquer irregularidade. Utilizei uma paleta muito limitada: Titanium White, Ivory Black, Ultramarine Blue, Winsor Violet e Permanent Rose. Depois de satisfeito com o tom base da pintura, em que foram utilizadas todas as cores que mencionei, operação indispensável para harmonizar o fundo com o desenho, comecei por distribuir a cor escura pela tela. Neste caso, não se pode dizer que comecei a pintar da sombra para a luz, ou do escuro para o claro, porque a cor é uniforme. Não pintei com preto puro: fiz uma ligeira mistura de Permanent Rose, para “aquecer” o Ivory Black. Utilizei seguidamente o Permanent Rose com uma pitada de Titanium White, apenas para reforçar o fraco poder de cobertura do cor-de-rosa.
Francamente gostei do resultado. Não me perguntem por que razão não continuou a série.
Ah! É verdade! Deixei sem título para não condicionar os comentários…

terça-feira, 14 de abril de 2009

A FLORESTA MARAVILHOSA


Floresta Maravilhosa Acrílico sobre Tela 50x70 cm

Não sabia se estava a acordar para o sonho ou para a vida. Aquela escuridão das últimas longas horas (dias?) estava a transformar-se, lentamente, numa vereda de floresta com os tons laranja de um fogo distante que destruía o escuro e deixava adivinhar o caminho da luz. Penosamente, começou a mover-se na sua direcção. Na cabeça (ou na floresta?) ressoavam vozes que o chamavam na direcção oposta, com propósitos que não queria considerar. À medida que tomava consciência de que a luz estava cada vez mais próxima, os seus passos ganhavam maior vigor e sentia, melhor, sabia que o fim das suas provações era uma realidade. Esta certeza deixava-o com um sorriso de felicidade que queria conservar para o resto da sua vida…

Esta obra foi executada numa manhã em que acordei depois de um sonho de que retive esta imagem. Os pormenores da floresta estavam de tal maneira gravados no meu espírito que o pincel e as tintas pareciam ter vida própria…
Este quadro é de 1996. No dia 10 de Junho de 2008, descobri onde existia esta floresta e percorri a vereda representada no meu quadro, para chegar a uma quinta, onde ia comprar um vinho especial. Já estiveram pela primeira vez num local em que ficam com a sensação de o já ter visitado? Já? A mim também me aconteceu, mas nunca como naquele dia!
Aquele local, situado nas faldas da Serra da Arrábida, tem uma beleza impressionante. A pequena queda de água, a ponte e a sua vegetação luxuriante continuam a esperar por mim…
Esta Quinta está cheia de referências ao Marquês de Pombal, à Ordem de Santiago, às navegações e ao culto do Espírito Santo. A sua Capela tem um cruzeiro que apareceu nas praias de Manguellas, hoje Ajuda, vindo não se sabe de onde, com tão ricos lavores que, diz a lenda, só pode ter sido executado por Anjos…
O Cruzeiro pode não ter sido feito por Anjos, mas o resto não sei, não…

quinta-feira, 9 de abril de 2009

PÁSCOA


Páscoa & Pascuas Técnica Mista sobre papel

Este ano é a primeira Páscoa que passo com o meu neto. Apesar da minha idade, espero ter o espírito suficientemente jovem para a gozar com a alegria que qualquer descoberta merece.
A todos os meus amigos desejo que inventem uma razão para encontrar a felicidade. Neste caso, não sejam muito exigentes, porque qualquer pretexto é bom!
A partir de hoje, façam-me o favor de serem felizes!
Eu vou fazer o mesmo!

domingo, 5 de abril de 2009

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Centro Histórico - Faro Óleo sobre Tela 65x90cm


Esta obra é muito semelhante à anterior, em toda a sua génese, por isso, apresento-a já, porque, francamente, não gosto especialmente do resultado que obtive.
Tenho sentido que, quando a história que acompanha a obra é muito interessante, os comentários tendem a centrar-se nas minhas palavras, em detrimento da obra propriamente dita. Não sei se é bom ou mau: é a constatação do evidente.
Esta tela não tem nada de especial a relatar. Foi uma encomenda. Alguém me pediu, por razões que não têm relevância para o caso, uma tela com o centro histórico de Faro, de preferência à noite. Contestei, dizendo que não tinha máquina fotográfica com a capacidade de fotografar esse espaço com a nitidez que necessitava para realizar tal obra. O meu amigo (quem me encomenda um quadro é meu amigo) disse-me que podia ficar alojado, o tempo que fosse necessário, num hotel para realizar a obra no local.
Achei o desafio interessante e o resultado está aqui.
Desta vez, não houve polícias a atrapalhar…
Só pessoas simpáticas…

terça-feira, 31 de março de 2009

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Igreja de Santa Cruz - Barreiro Óleo sobre Tela 70x100cm

Já falei muitas vezes do Barreiro. É uma cidade de contrastes. Foi um importante centro corticeiro, um pólo da indústria química e o principal eixo da ligação Norte-sul, por causa do Caminho de Ferro e da ligação entre as duas margens do Tejo. Em virtude desta ligação, já consumada com duas pontes, a 25 de Abril e a Vasco da Gama, o Barreiro vai continuar a ser notícia porque está para breve a adjudicação duma terceira ponte, que será (?) a verdadeira alternativa à Ponte 25 de Abril. Há muitas vozes discordantes por causa do impacto ambiental e paisagístico.
Por aquilo que tenho escrito, quem não conhece, poderá julgar que todos os locais do Barreiro, com interesse para um pintor ou fotógrafo, têm de incluir o rio Tejo. Esta igreja e este largo, estão aqui para desmentir essa opinião.
Como é minha prática habitual, para finalizar esta obra, passei algumas horas com a parafernália de pintor, no centro do largo, atraindo a natural curiosidade dos passantes pedestres ou motorizados.
Ainda não foi desta vez que aconteceu qualquer acidente rodoviário. Mas houve um acidente: um polícia perguntou-me se eu tinha licença para estar ali…
Fui salvo pelo padre!
Não, não foi o da estátua!

sexta-feira, 27 de março de 2009

PAPOILAS


Quatro Papoilas Óleo sobre Tela 100X80 CM

Este quadro esteve exposto juntamente com o da entrada anterior, com resultados diferentes: este foi vendido e o outro continua em meu poder.
Não sei quem o comprou. Tudo o que resta deste quadro é a sua fotografia.
Para ser franco, nem me lembro muito bem como o realizei. Também não consigo encontrar explicação para a sua venda, por comparação com “Flores Campestres”. Razões que a razão desconhece, ou não?
Alguma sugestão?

segunda-feira, 23 de março de 2009

EQUINÓCIO


Flores Campestres Óleo sobre Tela 60x100 cm

Quando apresentei os meus quadros inspirados em “As Quatro Estações” de Vivaldi, falei um pouco da celebração do ritual de fertilidade que festeja o equinócio da Primavera, o momento em que o dia e noite têm a mesma duração. Simboliza o despertar da vida na terra, depois da hibernação no Inverno. Esta celebração começou por ser um festival pagão, que foi aproveitado pela Igreja para exaltar a ressurreição de Cristo.
Neste quadro, quero mostrar as cores vibrantes das primeiras flores campestres, açoitadas pelo vento e iluminadas pelo tímido Sol, ainda pouco consciente da sua força telúrica.
Para isso, comecei por pintar toda a superfície da tela com o meu pincel de piaçaba carregado de Yellow Ochre e Burnt Sienna, em pinceladas curvas, com diversas direcções*, para servir de base às folhas das plantas e aos caules fustigados pelo fresco vento primaveril. Só depois de estar satisfeito com o movimento sugerido pelas texturas assim criadas, comecei a distribuir as papoilas e os malmequeres pela superfície, que ficou pouco povoada de flores, porque gostei do relevo do terreno em que nasceram…
Este quadro está aqui, pendurado na parede à minha frente, a olhar para mim, enquanto estou a escrever a sua história…
Tenho quase a certeza que uma das papoilas (provocadora!) me está a piscar o olho…

*Clicando sobre a imagem dá para ver a sua textura.

sexta-feira, 20 de março de 2009

COSTA NOVA


Palheiros da Costa Nova Óleo sobre Tela 60x100cm

Se há uma Costa Nova... Por causa da abertura da barra de Aveiro, em 1808, os pescadores de Ílhavo foram obrigados a deslocar-se da “costa velha”, mais para sul, em frente à Gafanha da Gramata, onde continuaram a praticar a arte da xávega. Isto de arte, por ser de xávega, tem direito à abertura de uns parênteses.
Esta arte é um tipo de pesca de arrasto cujas redes têm um cabo preso em terra puxado por bois que, com o progresso tecnológico, paulatinamente, foram sendo substituídos por tractores. Agora, não há bois nem tractores: toda a costa foi conquistada por outras maneiras de pescar… Toda? Não! Uma vila povoada por portugueses irredutíveis resistiu e continua a resistir à inovação: Nazaré, o único local onde ainda se pesca assim.
Estes pescadores, para guardar as alfaias da apanha das algas, redes e todos os apetrechos para a pesca, faziam com tábuas de madeira sobrepostas construções que se chamavam palheiros, por estarem revestidas com caniços. A pouco e pouco, estes palheiros transformaram-se em habitações para as famílias dos pescadores e, mais tarde, começaram a fazer melhoramentos para as alugarem ao crescente número de famílias de Vagos, Ílhavo ou Aveiro que procuravam aquela zona para férias.
Assim nasceram as casas com riscas verticais ou horizontais das mais variadas cores, num cenário improvável de surpreendente colorido.
Este quadro, que mostra o extremo oriental da Costa Nova, esteve exposto breves dias na Galeria. Foi comprado por um jovem casal que passou a sua lua-de-mel na casinha azul às riscas…
Acho que era a cor do pijama que ele despiu nessa noite…

segunda-feira, 16 de março de 2009

ENTENDAM-SE!


Preia-mar na Baía Óleo sobre Tela 80x100cm

No quadro anterior, coloquei um pequeno bote azul, em destaque num imenso areal a ser invadido pela enchente. Agora, a água já subiu o máximo, estamos na preia-mar, e o rio já reclamou o que lhe pertence. O dono do bote já saiu com ele para a faina diária de apanha de peixe e marisco.
É neste local que existe uma história de falta de entendimento que já tem 40 anos.
Seixal e o Barreiro já estiveram ligados. A distância entre os dois concelhos é de quinhentos metros, se for feita uma pequena ponte que atravesse o esteiro de Coina. A ligação rodoviária actual obriga a percorrer, sem necessidade, mais dezassete quilómetros, por estradas com muito trânsito e diversos pontos críticos. É evidente, que esta ligação beneficiava a qualidade de vida, contribuía para melhorar o ambiente e poupava combustível.
O dono do bote faz o percurso a remos entre o Seixal e o Barreiro no tempo que levam a ver esta postagem. Na região vivem trezentas mil pessoas.
Antes que alguém me roube a ideia, vou montar um estaleiro para fazer botes…