sábado, 16 de maio de 2009

A TERCEIRA PONTE


Barcos na Praia - Barreiro Óleo sobre Tela 100x100cm

Tenho escrito tanto a propósito do Barreiro, das suas antigas indústrias, da sua zona ribeirinha, dos seus moinhos de Alburrica, que acho só falta escrever sobre a construção da terceira ponte sobre o Tejo, entre Chelas e Barreiro, que deverá ficar concluída em 2013.
A construção desta ponte vai obrigar à dragagem de lodos fortemente contaminados devido às antigas indústrias do Barreiro, com níveis muito elevados de mercúrio, arsénio, chumbo…
Deixo as doutas considerações sobre os Estudos de Impacto Ambiental e sobre a malha viária da cidade de Lisboa, para as entidades competentes, mas estou preocupado:
Um tabuleiro rodoviário e ferroviário, mais os acessos, vão modificar toda esta paisagem, em nome do progresso, esse deus conhecido em que, ao contrário das personagens do livro de John Steinbeck, A um Deus Desconhecido, o amor pela terra e pela liberdade, já sabemos, nem sempre são salvaguardados.
Em 2014, saberemos se tenho razão nos meus receios.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

PALAFITAS NO SADO


Carrasqueira - Cais Óleo sobre Tela 90x100cm

Quando falei sobre a saga dos avieiros, mencionei que os “ciganos do rio”, como lhes chamou Alves Redol, procuraram o seu sustento no Vale do Tejo e no estuário do Sado.
Há uma aldeia ribeirinha em plena Reserva Natural do Estuário do Sado, que conserva algumas construções de madeira, cobertas de caniço – os palheiros.
Nesta aldeia, continua a ser utilizado um cais construído em estacas de madeira (palafitas), que se prolonga por centenas de metros sobre os esteiros lodosos do rio.
Foi um processo iniciado por dois pescadores que criaram um acesso para chegarem aos seus barcos, sem se enterrarem no lodo, aos quais se foram juntando outros, até se chegar ao emaranhado de estacas que tornaram este local um dos mais visitados do concelho.
Os habitantes desta aldeia continuam a ganhar o seu sustento, conforme as épocas do ano, com a agricultura e a pesca.
Não sei se são agricultores-pescadores ou pescadores-agricultores. O que sei é que o peixe é uma delícia e, não resisto, tenho um pequeno segredo para lhes contar…
Gostam de batata-doce? Eu também!
Aquele lugar é o seu paraíso. Tem um nome: Carrasqueira.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

FESTAS NO TEJO


Regata Óleo sobre Tela 85x120cm

Dentro em breve, todas as vilas da zona ribeirinha do Tejo vão fazer as suas festas populares, com a mesma receita de sempre; já está tão testada que não é preciso inventar nada, para que sejam um êxito!
Os barcos engalanados, cheios de bandeiras coloridas, vão apresentar-se pintados de fresco e lavados, perante a santa padroeira, que os abençoará, depois de levada em procissão até ao cais. Quando era miúdo, sempre achei que era a mesma santa que fazia o passeio, embora cada vila lhe desse um nome diferente...
Neste caso, em Alhos Vedros, o seu nome é Nossa Senhora dos Anjos.
Esta obra foi comprada por um familiar que adora barcos e passeios todo-o-terreno. Pouco tempo depois da aquisição, divorciou-se. Contou-me ele, que um dos pontos mais críticos foi o acordo de partilhas, porque ambos queriam esta tela.
O meu primo não ficou com a mulher, mas ficou com a obra. Valente!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O DIA DO TRABALHADOR


A Sesta ( Segundo Picasso) Óleo sobre Tela 62x98cm


Julgava já ter feito referência à minha mania de copiar quadros dos grandes artistas que retrataram a “Sesta”… Dei uma vista de olhos, pelas minhas postagens e não encontrei. Poderá ter sido para algum artigo de jornal ou entrevista, ou num comentário a alguma postagem do tema. Lembro uma recente, de Anne, no seu Life… Living…
Todos estes quadros foram vendidos. Por ter feito esta série no início da minha vida de pintor, não tenho fotografias da minha interpretação do tema, conforme Van Gogh, Almada Negreiros, Manet… Mas tenho, a partir de um desenho de Picasso, “Camponeses Dormindo”, 1919, Têmpera, aguarela e lápis, 31,1x48,9, The Museum of Modern Art, Nova Iorque.
Por contraste, hoje que é dia do trabalhador, ofereço uma boa proposta de descanso, com a colaboração de um génio do século XX: Pablo Picasso, 1881-1973.
Bom fim-de-semana!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

À PROCURA DE ROBIN DOS BOSQUES


Bosque de Bétulas
Técnica mista sobre tela colada em contraplacado 30x20cm

Comemorou-se recentemente o “Dia Mundial da Árvore”, que teve lugar pela primeira vez no estado norte-americano do Nebraska, em 1872, por iniciativa de John Stirling Morton, que conseguiu convencer toda a população a dedicar um dia no ano à plantação de árvores.
Quando fiz a postagem de “Floresta Maravilhosa”, lembrei-me desse dia e também deste bosque que, até agora, nunca mais cresceu.
No ano em que vi os quadros de paisagens de Klimt, resolvi iniciar uma série com florestas. Antes da sua execução em grande formato, pensei fazer uma experiência sobre um suporte rígido, para evitar o indesejado craclé. Por isso, este quadro foi pintado a óleo sobre tela colada em contraplacado. Para criar diversos tipos de texturas, adicionei areia à tinta e colei pequenos ramos de árvores, para melhorar o efeito tridimensional.
Só falhou um pequeno pormenor: ainda não encontrei o produto certo para fazer crescer este bosque…

sexta-feira, 24 de abril de 2009

DIA DO AMOR


Sérgio Godinho, uma voz de Abril


Dia da Liberdade Acrílico sobre papel Canson 400g
Ilustração publicada no jornal "O Rio"

A Câmara de Santa Comba Dão, terra onde nasceu o ditador António Salazar, cujo regime foi derrubado em 25 de Abril de 1974, inclui nas suas festas de comemoração da data, uma inauguração especial: a do Largo Salazar.
Um autarca, João Lourenço de seu nome, rejeita qualquer ideia de provocação e declarou: "Nunca me passou pela cabeça tal coisa. Só há três dias, alertado por um presidente de junta do PSD, é que me apercebi da coincidência".
Um antifascista, António Vilharigues, disse: "Escolher as celebrações para inaugurar obras num largo que leva o nome do símbolo do regime fascista derrubado pelo 25 de Abril, é a mesma coisa que no dia da discriminação racial alguém se lembrar de fazer uma homenagem a Hitler ou a qualquer comandante dos campos de concentração de Auschwitz ou Treblinka".
Estas duas posições relatadas nos jornais demonstram que a Liberdade é uma conquista já consolidada.
Falta saber o que vamos fazer com ela: 35 anos ainda não chegaram!
Bom fim-de-semana, em Liberdade!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

SERIAL KILLER


Sem Título Acrílico sobre Tela 65x54cm

Já devem ter notado que eu tenho uma infinidade de séries em que nunca faço a última obra e, outras, em que não passo da primeira. Como esta…
Este quadro foi cuidadosamente planeado, para ser a pedra de toque de uma série, que me entusiasmou na sua concepção.
Toda a tela foi coberta com diversas camadas de tinta, até ficar completamente lisa, para receber o desenho final. Em algumas zonas, passei com lixa de água para a sua superfície ficar sem qualquer irregularidade. Utilizei uma paleta muito limitada: Titanium White, Ivory Black, Ultramarine Blue, Winsor Violet e Permanent Rose. Depois de satisfeito com o tom base da pintura, em que foram utilizadas todas as cores que mencionei, operação indispensável para harmonizar o fundo com o desenho, comecei por distribuir a cor escura pela tela. Neste caso, não se pode dizer que comecei a pintar da sombra para a luz, ou do escuro para o claro, porque a cor é uniforme. Não pintei com preto puro: fiz uma ligeira mistura de Permanent Rose, para “aquecer” o Ivory Black. Utilizei seguidamente o Permanent Rose com uma pitada de Titanium White, apenas para reforçar o fraco poder de cobertura do cor-de-rosa.
Francamente gostei do resultado. Não me perguntem por que razão não continuou a série.
Ah! É verdade! Deixei sem título para não condicionar os comentários…

terça-feira, 14 de abril de 2009

A FLORESTA MARAVILHOSA


Floresta Maravilhosa Acrílico sobre Tela 50x70 cm

Não sabia se estava a acordar para o sonho ou para a vida. Aquela escuridão das últimas longas horas (dias?) estava a transformar-se, lentamente, numa vereda de floresta com os tons laranja de um fogo distante que destruía o escuro e deixava adivinhar o caminho da luz. Penosamente, começou a mover-se na sua direcção. Na cabeça (ou na floresta?) ressoavam vozes que o chamavam na direcção oposta, com propósitos que não queria considerar. À medida que tomava consciência de que a luz estava cada vez mais próxima, os seus passos ganhavam maior vigor e sentia, melhor, sabia que o fim das suas provações era uma realidade. Esta certeza deixava-o com um sorriso de felicidade que queria conservar para o resto da sua vida…

Esta obra foi executada numa manhã em que acordei depois de um sonho de que retive esta imagem. Os pormenores da floresta estavam de tal maneira gravados no meu espírito que o pincel e as tintas pareciam ter vida própria…
Este quadro é de 1996. No dia 10 de Junho de 2008, descobri onde existia esta floresta e percorri a vereda representada no meu quadro, para chegar a uma quinta, onde ia comprar um vinho especial. Já estiveram pela primeira vez num local em que ficam com a sensação de o já ter visitado? Já? A mim também me aconteceu, mas nunca como naquele dia!
Aquele local, situado nas faldas da Serra da Arrábida, tem uma beleza impressionante. A pequena queda de água, a ponte e a sua vegetação luxuriante continuam a esperar por mim…
Esta Quinta está cheia de referências ao Marquês de Pombal, à Ordem de Santiago, às navegações e ao culto do Espírito Santo. A sua Capela tem um cruzeiro que apareceu nas praias de Manguellas, hoje Ajuda, vindo não se sabe de onde, com tão ricos lavores que, diz a lenda, só pode ter sido executado por Anjos…
O Cruzeiro pode não ter sido feito por Anjos, mas o resto não sei, não…

quinta-feira, 9 de abril de 2009

PÁSCOA


Páscoa & Pascuas Técnica Mista sobre papel

Este ano é a primeira Páscoa que passo com o meu neto. Apesar da minha idade, espero ter o espírito suficientemente jovem para a gozar com a alegria que qualquer descoberta merece.
A todos os meus amigos desejo que inventem uma razão para encontrar a felicidade. Neste caso, não sejam muito exigentes, porque qualquer pretexto é bom!
A partir de hoje, façam-me o favor de serem felizes!
Eu vou fazer o mesmo!

domingo, 5 de abril de 2009

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Centro Histórico - Faro Óleo sobre Tela 65x90cm


Esta obra é muito semelhante à anterior, em toda a sua génese, por isso, apresento-a já, porque, francamente, não gosto especialmente do resultado que obtive.
Tenho sentido que, quando a história que acompanha a obra é muito interessante, os comentários tendem a centrar-se nas minhas palavras, em detrimento da obra propriamente dita. Não sei se é bom ou mau: é a constatação do evidente.
Esta tela não tem nada de especial a relatar. Foi uma encomenda. Alguém me pediu, por razões que não têm relevância para o caso, uma tela com o centro histórico de Faro, de preferência à noite. Contestei, dizendo que não tinha máquina fotográfica com a capacidade de fotografar esse espaço com a nitidez que necessitava para realizar tal obra. O meu amigo (quem me encomenda um quadro é meu amigo) disse-me que podia ficar alojado, o tempo que fosse necessário, num hotel para realizar a obra no local.
Achei o desafio interessante e o resultado está aqui.
Desta vez, não houve polícias a atrapalhar…
Só pessoas simpáticas…

terça-feira, 31 de março de 2009

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Igreja de Santa Cruz - Barreiro Óleo sobre Tela 70x100cm

Já falei muitas vezes do Barreiro. É uma cidade de contrastes. Foi um importante centro corticeiro, um pólo da indústria química e o principal eixo da ligação Norte-sul, por causa do Caminho de Ferro e da ligação entre as duas margens do Tejo. Em virtude desta ligação, já consumada com duas pontes, a 25 de Abril e a Vasco da Gama, o Barreiro vai continuar a ser notícia porque está para breve a adjudicação duma terceira ponte, que será (?) a verdadeira alternativa à Ponte 25 de Abril. Há muitas vozes discordantes por causa do impacto ambiental e paisagístico.
Por aquilo que tenho escrito, quem não conhece, poderá julgar que todos os locais do Barreiro, com interesse para um pintor ou fotógrafo, têm de incluir o rio Tejo. Esta igreja e este largo, estão aqui para desmentir essa opinião.
Como é minha prática habitual, para finalizar esta obra, passei algumas horas com a parafernália de pintor, no centro do largo, atraindo a natural curiosidade dos passantes pedestres ou motorizados.
Ainda não foi desta vez que aconteceu qualquer acidente rodoviário. Mas houve um acidente: um polícia perguntou-me se eu tinha licença para estar ali…
Fui salvo pelo padre!
Não, não foi o da estátua!

sexta-feira, 27 de março de 2009

PAPOILAS


Quatro Papoilas Óleo sobre Tela 100X80 CM

Este quadro esteve exposto juntamente com o da entrada anterior, com resultados diferentes: este foi vendido e o outro continua em meu poder.
Não sei quem o comprou. Tudo o que resta deste quadro é a sua fotografia.
Para ser franco, nem me lembro muito bem como o realizei. Também não consigo encontrar explicação para a sua venda, por comparação com “Flores Campestres”. Razões que a razão desconhece, ou não?
Alguma sugestão?

segunda-feira, 23 de março de 2009

EQUINÓCIO


Flores Campestres Óleo sobre Tela 60x100 cm

Quando apresentei os meus quadros inspirados em “As Quatro Estações” de Vivaldi, falei um pouco da celebração do ritual de fertilidade que festeja o equinócio da Primavera, o momento em que o dia e noite têm a mesma duração. Simboliza o despertar da vida na terra, depois da hibernação no Inverno. Esta celebração começou por ser um festival pagão, que foi aproveitado pela Igreja para exaltar a ressurreição de Cristo.
Neste quadro, quero mostrar as cores vibrantes das primeiras flores campestres, açoitadas pelo vento e iluminadas pelo tímido Sol, ainda pouco consciente da sua força telúrica.
Para isso, comecei por pintar toda a superfície da tela com o meu pincel de piaçaba carregado de Yellow Ochre e Burnt Sienna, em pinceladas curvas, com diversas direcções*, para servir de base às folhas das plantas e aos caules fustigados pelo fresco vento primaveril. Só depois de estar satisfeito com o movimento sugerido pelas texturas assim criadas, comecei a distribuir as papoilas e os malmequeres pela superfície, que ficou pouco povoada de flores, porque gostei do relevo do terreno em que nasceram…
Este quadro está aqui, pendurado na parede à minha frente, a olhar para mim, enquanto estou a escrever a sua história…
Tenho quase a certeza que uma das papoilas (provocadora!) me está a piscar o olho…

*Clicando sobre a imagem dá para ver a sua textura.

sexta-feira, 20 de março de 2009

COSTA NOVA


Palheiros da Costa Nova Óleo sobre Tela 60x100cm

Se há uma Costa Nova... Por causa da abertura da barra de Aveiro, em 1808, os pescadores de Ílhavo foram obrigados a deslocar-se da “costa velha”, mais para sul, em frente à Gafanha da Gramata, onde continuaram a praticar a arte da xávega. Isto de arte, por ser de xávega, tem direito à abertura de uns parênteses.
Esta arte é um tipo de pesca de arrasto cujas redes têm um cabo preso em terra puxado por bois que, com o progresso tecnológico, paulatinamente, foram sendo substituídos por tractores. Agora, não há bois nem tractores: toda a costa foi conquistada por outras maneiras de pescar… Toda? Não! Uma vila povoada por portugueses irredutíveis resistiu e continua a resistir à inovação: Nazaré, o único local onde ainda se pesca assim.
Estes pescadores, para guardar as alfaias da apanha das algas, redes e todos os apetrechos para a pesca, faziam com tábuas de madeira sobrepostas construções que se chamavam palheiros, por estarem revestidas com caniços. A pouco e pouco, estes palheiros transformaram-se em habitações para as famílias dos pescadores e, mais tarde, começaram a fazer melhoramentos para as alugarem ao crescente número de famílias de Vagos, Ílhavo ou Aveiro que procuravam aquela zona para férias.
Assim nasceram as casas com riscas verticais ou horizontais das mais variadas cores, num cenário improvável de surpreendente colorido.
Este quadro, que mostra o extremo oriental da Costa Nova, esteve exposto breves dias na Galeria. Foi comprado por um jovem casal que passou a sua lua-de-mel na casinha azul às riscas…
Acho que era a cor do pijama que ele despiu nessa noite…

segunda-feira, 16 de março de 2009

ENTENDAM-SE!


Preia-mar na Baía Óleo sobre Tela 80x100cm

No quadro anterior, coloquei um pequeno bote azul, em destaque num imenso areal a ser invadido pela enchente. Agora, a água já subiu o máximo, estamos na preia-mar, e o rio já reclamou o que lhe pertence. O dono do bote já saiu com ele para a faina diária de apanha de peixe e marisco.
É neste local que existe uma história de falta de entendimento que já tem 40 anos.
Seixal e o Barreiro já estiveram ligados. A distância entre os dois concelhos é de quinhentos metros, se for feita uma pequena ponte que atravesse o esteiro de Coina. A ligação rodoviária actual obriga a percorrer, sem necessidade, mais dezassete quilómetros, por estradas com muito trânsito e diversos pontos críticos. É evidente, que esta ligação beneficiava a qualidade de vida, contribuía para melhorar o ambiente e poupava combustível.
O dono do bote faz o percurso a remos entre o Seixal e o Barreiro no tempo que levam a ver esta postagem. Na região vivem trezentas mil pessoas.
Antes que alguém me roube a ideia, vou montar um estaleiro para fazer botes…

sábado, 14 de março de 2009

DESCANSO DO GUERREIRO


Baixa-mar na Baía Óleo sobre Tela 90x105 cm

Já falei do varino “Boa Viagem”, recuperado pela Câmara da Moita para passeios no Tejo. A Câmara do Seixal fez algo de semelhante com o bote-de-fragata “Baía do Seixal”. Este tipo de embarcação, bojuda e pesada, com 20 a 25 metros de comprimento, arma estai e vela grande de carangueja junto ao mastro que tem uma marcada inclinação para a ré. Rebocava um pequeno bote que servia para levar a fragata à força de remos nos momentos em que faltava o vento.
Este quadro mostra a minha fascinação pelas tonalidades subtis da areia molhada (sem os seixos que deram o nome à cidade), e o contraste com a água a deslizar pelos carreiros, reflectindo aqui e ali a luz do sol…

quarta-feira, 11 de março de 2009

CIDADE SONHADA


Fronteira dos Sonhos
Técnica mista sobre cartolina 28,2x34,1cm


Já o tinha afirmado e este desafio serviu apenas para confirmar: tenho resolvida a tarefa de dar títulos às minhas obras! As sugestões foram muitas e de qualidade.
Quase todos identificaram uma cidade junto ao mar, na tela apresentada, mas Xana viu a sua cidade: Lisboa. Ao meu amigo OUTONO, que foi o culpado do desafio, só lhe faltou identificar a cidade.
Mais uma vez, Erik e Anne sugeriram o título que eu vou dar à obra. “Cidade dos Sonhos”, de Anne é um título que eu já utilizei noutra ocasião, por isso, aproveitei “Cidade Sonhada” de Erik.
Ficaram títulos como “Fronteira”, de Jorge, “Tesouro Escondido”, “Desafio” , “Klimt Revisitado”, ou “Mundo Intenso” de She, e muitos outro igualmente apelativos.
Deixo-vos o poema que descreve a tela:

La Ciudad Soñada
La cigüeña cruzó el Óceano,
y esto es lo que vió…
Todos se habían acercado
demasiado al límite de la Tierra...
Habían ido llenando de color
todos los caminos que llevaban al Mar...
Pintores de colores vivos,
Escritores que van del Azúl al Verde...
Dejando los Naranjas
Y Amarillos a los nostálgicos.

A todos, queridos amigos, o meu muito obrigado!

domingo, 8 de março de 2009

DESAFIO


O que é isto?
Acrílico sobre Tela 70x50cm

Numa entrada anterior, pedi aos meus amigos e visitantes, a sugestão do título para uma obra de que eu fazia a descrição, enquadramento e técnica usada. Como seria de esperar, as colaborações foram muitas e de grande qualidade.
Um amigo, OUTONO, deixou-me o seguinte comentário:

Deixo-te um desafio. Correndo apenas o senão...de não ser do teu agrado.

Nem que seja um mero exercício. Apresenta uma tela tua, com título, e sem a descrição ou brilhante narrativa como fazes.
Deixa ser o teu visitante, a descobrir (a interrogar) a sensibilidade da tua criatividade. Depois... BUM! Descoberta do facto.


Pois bem! O desafio foi aceite, mas com um pormenor diferente: o quadro não tem título para não cercear a criatividade a ninguém.
A tela está aí: é toda vossa!

quarta-feira, 4 de março de 2009

TRADIÇÃO


Entrada Óleo sobre Tela 100x100cm

Na minha postagem de 11 de Novembro, apresentei um quadro “Cozinha Alentejana”, que mostra o interior de uma habitação. A entrada para esse local de delícias tem também uma beleza especial, que só as coisas simples conseguem transmitir.
Na execução desta tela, misturei areia na tinta de óleo, para salientar as rugosidades e textura das paredes caiadas. O ponto focal desta pintura é a porta de entrada. Tendo em atenção este princípio, escureci um pouco a porta de madeira de carvalho, para, sem perder força, a distanciar da buganvília e da parede iluminada pelo sol, ganhando profundidade. Do lado direito, coloquei um vaso de sardinheiras que tem a função de atrair o olhar para esse ponto do quadro. Os troncos rústicos dão uma maravilhosa cobertura a todo o conjunto.
A porta deve estar aberta para não afastar o observador. Neste caso, garanto que está apenas encostada!
Podem entrar! Sejam bem-vindos!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Palácio da Vila Óleo sobre Tela 60x100cm

Em 29 de Junho, mostrei o meu quadro que dava uma interpretação do significado do Convento dos Capuchos, em Sintra. Pela sua semelhança, com "Convento da Arrábida", lembrei-me desta obra, “Palácio da Vila”, de 1996.
Sintra é, desde 1995, Património Mundial, no âmbito da categoria Paisagem Cultural da UNESCO. O nome, com contornos místicos, deriva de cynthia, símbolo da lua na mitologia céltica, que fica muito a propósito com a neblina característica da Serra, que envolve os seus diversos monumentos.
Este Palácio, cuja traça original é de autor desconhecido, consiste num conjunto de volumes, aparentemente separados, mas articulados entre si, por corredores e galerias, por escadas e pátios…
É mais um quadro de que perdi o rasto: na altura em que foi comprado, ainda não tinha registos das minhas obras. Ter uma fotografia dele, já é qualquer coisa de especial.
Se o seu possuidor passar por aqui, terei muito prazer em cumprimentá-lo!