sábado, 23 de agosto de 2008

A CASA FANTASMA


A Casa Fantasma Óleo sobre tela 100x100cm

Na minha entrada de 31 de Maio, Farenheit 451, em que mostrei a minha tela “Caldeira do Moinho Pequeno”, escrevi a certa altura:
“O esqueleto da casa, que aparece na parte esquerda do quadro, é onde funcionava o moinho de maré. Da língua de terra, em frente, vêem-se as entradas de água que faziam girar o sistema. Num dos meus passeios pela zona, apercebi-me das possibilidades pictóricas daquela casa e do seu moinho. Depois de estudar o horário das marés, e ver as condições do tempo, porque precisava de um céu sem nuvens para poder tirar o máximo partido dos surpreendentes e espectaculares reflexos dos tijolos na água, consegui realizar uma obra que me deu grande satisfação produzir”.
Essa obra, por um motivo ou por outro, nunca cheguei a mostrá-la. Chegou a altura de cumprir o que prometi.
A perspectiva que utilizei para pintar esta tela foi a da praia junto às casas que se vêem do lado direito do quadro “Caldeira do Moinho Pequeno”.
As entradas de água dos moinhos de maré, estão perfeitamente visíveis, bem como o princípio de degradação das casas. Incrível, foi o pouco tempo que decorreu entre uma casa e um património histórico recuperável, e um monte de entulho que só pode interessar a uma pessoa esquisita, por exemplo, um pintor…

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

POVO QUE LAVAS NO RIO



Centro Náutico - Moita Acrílico sobre tela 40x60cm


A abertura da minha próxima exposição está marcada para 27 de Outubro, na Galeria do Posto de Turismo da Moita. Vai chamar-se: "Povo que lavas no rio".
Pensei mostrar nessa exposição obras que tivessem como tema principal o rio Tejo.
Esta foi a primeira da série que quero fazer no pouco tempo que falta.
Gostava de saber se valerá a pena o esforço para cumprir o objectivo a que me obriguei.
A vossa opinião conta!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

CAVALOS DE TRÓIA


Cavalos de Tróia Óleo sobre tela 65x80cm

Na minha tela do Miradouro do Quebedo, falei da vista magnífica que se tem do estuário do Sado. Nesta, mostro um pouco do que se vê: em primeiro plano, os telhados provocantemente degradados, o porto de abrigo, o rio e, ao fundo, as torres implantadas na bela península de Tróia. Daqueles seis monólitos, dois deles foram polvilhados com 95 quilos de explosivos e o nosso primeiro-ministro, José Sócrates, carregou no gatilho que os implodiu. O espectáculo foi integrado nas festas da cidade e visto em directo na televisão. Àqueles que preferiram a visão no local, para terem a certeza que parte dos monstros tinham desaparecido, foram distribuídos oito mil binóculos.
No meu quadro, as torres ainda estão lá a estragar a linha do horizonte. O seu possuidor, se quiser, pode contactar comigo, que eu faço desaparecer as torres.
Sem explosivos…

terça-feira, 5 de agosto de 2008

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Sé de Lisboa Óleo sobre tela 70x60cm

As palavras usadas para descrever "Ribeira do Porto", servem perfeitamente para esta "Sé de Lisboa".
Para reforçar a textura que procurava, também misturei na tinta de óleo, areia que serviu igualmente para pintar a madeira que eu próprio cortei. Neste caso, em vez de a pintar com uma cor uniforme, transformei-a numa continuação da tela, com as cores mais esbatidas.
É mais uma visão de Lisboa, talvez menos poética, mas mais forte...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

KUDU


Casal de Kudus Óleo sobre tela 60x80cm

Antílope é a designação comum para um grupo variado de mamíferos ruminantes. Estes que retratei, têm riscas verticais brancas, são dos mais raros, raça kudu, ao contrário da impala, a raça com maior população. Têm em comum uma musculatura poderosa nos quartos traseiros, que lhes permite fugir aos predadores e atingir cerca de 70 a 100 km/h. Perguntarão: Então a chita caça facilmente estes animais com os seus quase 200 km/h? Nem sempre. Quando atacados por uma chita, os antílopes para além da velocidade, saltam mais de três metros de altura e cerca de nove metros em comprimento. E, entre cada salto, têm bruscas mudanças de direcção. Então a chita nunca apanha o antílope, dirão. Claro que apanha! A sua longa cauda serve de leme para também mudar de direcção com facilidade. No entanto, o antílope consegue manter esta velocidade e capacidade de salto mais tempo do que a chita. Se não caçar a presa nas primeiras investidas a chita desiste e espera por nova oportunidade.
É uma luta equilibrada: o antílope saudável tem sempre uma boa hipótese de salvação…
E nós?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

BIG FIVE


Casal de Chitas Óleo sobre tela 75x60cm

A expressão Big Five era usada para definir os cinco mamíferos selvagens mais difíceis de serem caçados pelo homem mas a frase continua a ser usada nos safaris de observação, pelos guias locais do Kruger Park. O grupo é constituído pelo leão, elefante africano, búfalo, rinoceronte e leopardo.
Na minha viagem vi todos com excepção do leopardo. Mas tive uma prenda especial.
Perto do Parque Nacional, existem parques mais pequenos em que se garante ver todos os animais numa só viagem. Quando estávamos a decidir se devíamos ou não visitar outro, reparei que havia um parque onde anunciavam uma experiência em curso com as chitas, para ajudar a preservar a espécie que se encontra em perigo de extinção. A promessa era ver esse animal em plena liberdade e, ao mesmo tempo, contribuir para o êxito da missão. A decisão que tomámos foi ver o leopardo caçador, como também é conhecido.
É o animal mais veloz da Terra: quando se lança em direcção à presa atinge 150/200 km/h.
A sua beleza selvagem, o cromatismo da sua pele, as suas linhas aerodinâmicas e a sua anatomia, são um exemplo da perfeição que a Natureza pode conseguir através da evolução.
Não está no big five de triste memória mas, para mim, em beleza, está no top five.

terça-feira, 22 de julho de 2008

NDEBELE (2)



Os pintores nativos fazem os seus murais e a decoração das casas, utilizando desenhos geométricos com cores fortes e contrastantes. Utilizam símbolos, mas muito raramente animais ou figuras. As mulheres têm a possibilidade de poder decorar a sua casa e é, seguramente, uma das poucas prerrogativas que elas têm de se expressar individualmente.








Symmetry Óleo sobre tela 50,5 x 42,5cm
Moldura de madeira, 2,5cm de espessura, pintada a óleo

O meu quadro tem figuras geométricas, que recriei a partir dos originais, utilizando a simetria que está sempre presente em todos os desenhos que tive a oportunidade de ver.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

NDEBELE


Universo Óleo sobre tela 100x75cm
Na viagem que fiz à África do Sul, dois aspectos marcaram-me duma maneira especial: os animais selvagens que tive a oportunidade de ver e as comunidades nativas que sobrevivem, com a sua identidade, até aos nossos dias. Não há qualquer semelhança entre ver os animais em liberdade e no Jardim Zoológico: depois de poder comparar as duas situações, temos a sensação de que os animais do Jardim Zoológico têm vergonha do cativeiro em que se encontram. Com as comunidades nativas, estranhamente, não tive essa sensação: mostram-nos sem pejo as suas casas, os seus trabalhos, a sua actual maneira de viver. O povo Ndebele, cuja história se perde nas brumas do tempo, vive actualmente perto da cidade de Pretória. As pinturas das casas deste povo guerreiro, os utensílios e adornos que as mulheres usam, com o seu significado religioso, místico, talvez até mágico, foram os elementos formais e plásticos que utilizei, na criação desta obra.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

LISBOA IMAGINADA



Lisboa Imaginada Acrílico sobre tela 90x90cm
Nunca vos aconteceu estarem distraídos com um lápis ou uma esferográfica na mão a fazer gatafunhos e, de repente, tomar consciência do que estavam a fazer e gostar do resultado? Pois esta obra foi o resultado de um desses momentos. Estava a pintar uma tela bastante trabalhosa da Lisboa antiga, e tinha-me concedido um pequeno intervalo. Quando me apercebi que estava a desenhar uma espécie de cerca moura, em que não faltavam a alcáçova e a medina, com ruas íngremes e sinuosas, varandas com flores e águas-furtadas com roupa a secar, imaginei os becos e vielas de Alfama, com a roupa pendurada a secar ao generoso Sol de Portugal. Guardei os rabiscos que, com umas pequenas alterações, serviram para executar esta obra.
Imaginem!

domingo, 6 de julho de 2008

SÉRIE - VILAS HISTÓRICAS


Azenhas do Mar Óleo sobre tela 75x90cm

No concelho de Sintra, existe uma povoação, cujas origens se perdem na bruma dos tempos. Os moinhos de água, de origem árabe, deram o nome à povoação: Azenhas do Mar. É um local visitado tanto no Inverno, como no Verão, pela grandiosidade do panorama. Eu prefiro visitá-la no Inverno: menos gente e confusão, o que permite ouvir e ver em toda a sua magnificência o Oceano, a bater inclemente nas arribas que suportam as casas. Tem um interessante conjunto de piscinas escavadas na rocha. Não é um espanto? Por uma vez, a necessidade de conservar a natureza, sem afectar a vivência das populações, com um desenvolvimento integrado, foi conseguido.
Chapeau!

domingo, 29 de junho de 2008

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Convento dos Capuchos - Sintra
Óleo sobre tela 50x70cm

Este convento foi mandado construir por D. Álvaro de Castro, em 1560, num local inóspito, pretendendo confundir-se com a natureza que o rodeava: carvalhos e arbustos, grande profusão de musgos, fetos e trepadeiras, num grande emaranhado vegetal que, conservado até hoje, constitui um testemunho vivo da floresta primitiva da Serra de Sintra.
O formato da tela procura potenciar, desde logo, a demonstração de humildade e pequenez do convento: a entrada situada entre dois grandes rochedos, que se alcança depois de subir íngremes degraus, mais salienta a escala mínima a que foi construído, parecendo improvável a vida de seres humanos no seu interior. Para que o motivo central não se perdesse, dei uma textura forte às suas paredes e à árvore do lado direito, para segurar o olhar do observador. A árdua subida dos degraus far-se-á sem cansaço, devido à suavidade do tapete de folhas, e à frescura das plantas que os limitam.
A obra, quase posso dizê-lo, não foi feita para ser vista, foi mais para ser sentida: sentir a frescura da vegetação exuberante, os cheiros da floresta, o contraste entre a pequenez da obra humana e a exuberância da Natureza em todo o seu esplendor. Áreas como esta tornaram-se mais importantes do que nunca. Tenho a esperança que as minhas obras possam motivar quem as vê a lutar pela conservação desta herança natural.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Miradouro de Quebedo - Setúbal
Óleo sobre tela 100x90cm

SETÚBAL
Sou realmente uma pessoa feliz: posso fazer aquilo que gosto, pensando, pesquisando, e falando com os meus amigos sobre Arte.
Agora, tenho outro interlocutor: Rafael, o meu neto, que já sabe como utilizar os seus pulmões, sempre que algo não lhe agrada. Apesar do requinte do seu nome, os seus gostos, aparentemente, são muito simples: come e dorme. Mas eu não me iludo com aparências: vou falar-lhe das obras que realizei, das que penso realizar e das que vou apresentar no meu blogue. E terei em conta as suas opiniões. Esta foi a primeira e tive o seu apoio!
A história de Setúbal remonta ao Paleolítico, passando pelo período do Bronze e idade do Ferro. A atracção que exerceu sobre diversos povos deve-se á sua localização estratégica junto ao Rio Sado.
O Miradouro do Quebedo tem a seus pés todo o estuário do rio. Utilizei para o representar fotografias e esboços, sobretudo com pormenores dos azulejos.
Como esta obra resultou de uma encomenda, procurei dar um ar monumental ao miradouro, de acordo com a casa e o espaço em que a obra ia ser colocada.
Eu creio que qualquer obra de Arte tem de ser uma revelação, não só para o seu criador, mas também para quem a vê. Neste caso, sendo um local conhecido, procurei dar-lhe uma perspectiva pouco usual, projectando no céu as colunas e as buganvílias, como se tratasse da resposta espiritual a uma visão do quotidiano.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

O QUARTO DEVER DO HOMEM


Rafael

Rafael com a mãe

Dizem que o Homem só completa a sua missão na Terra, quando tem um filho, planta uma árvore e escreve um livro.
Tenho duas filhas, o livro já o escrevi, embora não tenha sido publicado, e plantei algumas árvores. Estes três deveres, todos eles, são imensos e inevitáveis actos de amor.
A partir de hoje, quando citar esta frase, acrescento mais um:
SER AVÔ!
Ontem nasceu o meu primeiro neto! Um belo rapaz com 4,250 quilos, que se encontra de perfeita saúde, assim como a sua mãe, a minha filha caçula, Elsa.
Os seus pais escolheram para ele, na mais completa liberdade, o nome de Rafael, como o arcanjo que foi enviado por Deus para curar em Seu Nome. Se ele se tornar pintor não terei nada a ver com o assunto, como é óbvio...
Tenho para mim que já não é preciso dizer mais nada: quem já é avô, conhece essa emoção; a quem não foi, eu nunca conseguirei transmitir o sentimento de plenitude que se atinge com esta inexplicável sensação...
Por este motivo, hoje não mostro aos meus amigos mais um quadro, mas sim uma obra-prima!
Que os McAfee, os Norton, os Avast, deixem passar este incurável vírus que eu quero espalhar por esta nossa aldeia virtual
O VÍRUS DA FELICIDADE!

domingo, 15 de junho de 2008

O MONTE ALENTEJANO




Monte Alentejano
Óleo sobre tela 65x82cm













Sobreiro (estudo)
Acrílico sobre tela 31x42cm

O Alentejo já foi, em tempos recentes, um sítio por onde se tinha de passar, para se conseguir usufruir as delícias do Algarve. Actualmente, com toda a justiça, diga-se, está na moda.
A região tem um clima mediterrânico, temperado pela influência atlântica, com o Verão muito quente e seco, e Inverno com pouca precipitação.
A paisagem alentejana tem largos horizontes, com manchas de floresta de sobreiro e azinheira. Em termos ambientais é uma das mais preservadas regiões da Europa. O incremento do turismo pode, a curto prazo, alterar esta situação – longe vá o agouro!
O Monte Alentejano é um produto muito procurado, como podem confirmar facilmente, numa consulta ao Google.
Este que eu representei, não é um produto para citadinos fartos da poluição e confusão das grandes metrópoles: vivem lá pessoas!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

DIA DO PINTOR




Largo José Maria dos Santos
Acrílico sobre tela 40x50cm

Feriado Nacional, dia de Camões e do grande festival de encerramento das Festas. Do local da minha exposição, os milhões de Watts do espectáculo de Roberto Leal (o cantor português mais brasileiro, ou vice-versa, dizem!) entram-me pelos ouvidos, não deixando que eu converse com os amigos. Felizmente que o barulho dos morteiros, acabou com a cacofonia, e ainda me trouxe as luzes do fogo-de-artifício como prémio adicional. O ano passado, parou tudo para ouvir Martinho da Villa. Recordam-se do tema “Mulheres”? Comprei no Rio os CD´s que encontrei dele e gravei esse tema até não haver mais espaço. Fiz o mesmo com Brel e Amsterdam. Não calculam como o meu cérebro consegue funcionar bem ao som da música que me agrada, apagando simultaneamente a poluição que alguns teimam em produzir.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Até a minha pobre tela também foi sofrendo mudanças que puderam ser testemunhadas pelos amigos que tiveram a paciência de as acompanhar. A qualidade da fotografia talvez não permita distinguir os retoques finais: Maior definição das árvores e arbustos, reforço das nuances do céu e dos seus reflexos na água, que escureci ligeiramente com tons verdes para dar maior profundidade ao espelho de água. Ao telhado laranja dei umas pinceladas com Burnt Sienna, porque achei que captava o olhar com demasiada agressividade. Tornei mais consistentes os bancos de pedra e defini melhor o pavimento. Outras pequenas coisas, das quais não vos dou relato, podereis descobri-las, por vós próprios.
Camões, depois de perder o olho numa escaramuça, confessa a quem o quer ouvir, que o seu coração está despedaçado com “o desconcerto do Mundo, em que vê sempre os bons passar graves tormentos e os maus nadar em mar de contentamentos”. São as diferenças entre utopia e realidade das quais eu me sinto curado: por pouco esperar, é muito o que recebo...
Graças, meus amigos!

domingo, 8 de junho de 2008

EMOÇÕES


Largo José Maria dos Santos (em construção)
Acrílico sobre tela 40x50cm

É difícil para mim, que já não estou habituado a estas noitadas, manter o estado de espírito com a lucidez suficiente para transmitir as emoções que resultam da execução duma tela com esta responsabilidade acrescida, e do convívio com tanta gente que diz muito ao meu coração.
Vou continuar a tentar fazer bem o meu trabalho, se para tanto me chegar o engenho e arte...
A obra “Castelo de Palmela” já seduziu uma jovem senhora que a pretende para sua casa. Para além da beleza, própria de quem é jovem, tem como característica mais evidente a sua grande alegria e vivacidade. Esta apreciadora de Arte é natural de São Paulo, essa, a maior cidade do Brasil...
A outra, que ficou reservada, apesar de ainda não estar concluída, foi “Largo José Maria dos Santos”, por um amigo, coleccionador das minhas obras sobre Pinhal Novo.
O Largo nesta fase, começou a levar os retoques necessários para poder ser dado como concluído. As flores cuidadas por um jardineiro competente, sem barulhos para não incomodar o pássaro que lá permanece (não é, Suzana?), a relva, os troncos dos plátanos e os pequenos arbustos que permanecem na sombra do fundo, também não foram descuidados, para manter a harmonia com o primeiro plano da obra.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

VERNISSAGE


Largo José Maria dos Santos (em construção)
Acrílico sobre tela 40x50cm

Como estava previsto, ontem às vinte horas, foram inauguradas as Festas Populares de Pinhal Novo. Tive a visita das entidades oficiais, a Governadora Civil de Setúbal, Eurídice Pereira, da Presidente da Câmara de Palmela, Ana Teresa Vicente, e do Presidente da Junta de Freguesia, Álvaro Amaro. O anfitrião foi convidado por mim para me fotografar junto das ilustres senhoras, mas achei por bem não apresentar as fotografias obtidas... Fotografar, não é a qualidade mais marcante do nosso Presidente da Junta... Espero receber a reportagem fotográfica dos profissionais que marcaram presença.


A obra em construção já avançou mais um pouco. Já relvei o terreno e plantei umas flores. As folhas das árvores, começam a reflectir a luz com as nuances que a maior juventude das folhas lhes imprime.
Como sempre, já comecei a reviver momentos da minha juventude recordados pelos amigos que me visitaram.
Até amanhã!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

REGRESSO ÀS ORIGENS (2)


Largo José Maria dos Santos (em construção 2.º dia)
Acrílico sobre tela 40x50cm

A área branca já desapareceu! Toda a parte inferior do lado direito do quadro, onde irão surgir as flores do jardim, foi prenchida com as cores que vão sobrando do desenvolvimento dos plátanos e outras árvores e arbustos que rodeiam a igreja. O tom do céu, também tem o seu reflexo na água do lago. Esta simetria na utilização da cor é a maneira mais fácil de harmonizar uma obra. Podemos utilizar tons com grandes contrastes, sem correr o risco de que a obra fique demasiado agressiva.
Esta obra ficará exposta, como está, no meu cavalete na abertura da Festa. Quando vier para casa, ela virá comigo, para levar mais uns retoques. É isto que farei, diariamente até à sua conclusão.
Estou pressionado com o pouco tempo que tenho para tanta coisa que ainda falta fazer!
Conto com as vossas sugestões e comentários para me ajudar!

terça-feira, 3 de junho de 2008

REGRESSO ÀS ORIGENS


Largo José Maria dos Santos (em construção - 1.º dia)
Acrílico sobre tela 40x50cm

Todos os anos tenho colaborado nas festas da minha terra natal, Pinhal Novo, com a exposição de algumas obras.
Este ano não foge à regra, com a pequena grande alteração que foi a minha entrada no mundo dos blogues. Passei a ser um bloguenígena, conforme o neologismo resultante da criatividade dos meus amigos brasileiros. E este facto foi tão marcante, que resolvi acompanhar a minha exposição em Pinhal Novo, com uma postagem, sempre que se justificar, dando nota de algum pormenor interessante que resulte do meu contacto com amigos que encontro por ocasião das festas, ou da troca de impressões com os visitantes que gostam de falar com o criador das obras expostas.
Assuntos familiares inadiáveis, roubaram-me três ou quatro dias de pintura, que me impediram de fazer os quadros que tinha planeado apresentar. Juntando estes dois acontecimentos, resolvi tirar partido deles e mostrar a evolução do quadro que tenho começado, tanto no pavilhão onde tenho a exposição, como no meu blogue. A tela representa o Largo José Maria dos Santos, em Pinhal Novo, e espero concluí-la antes do final das festas.
Mais uma vez, não terei muito tempo disponível para visitar os meus amigos, conforme merecem. Depois das festas populares, serei eu a fazer a minha festa com as visitas aos bloguenígenas da nossa aldeia virtual.
Ficam todos convidados para a vernissage: quinta-feira, 20 horas.

sábado, 31 de maio de 2008

FARENHEIT 451




Caldeira do Moinho Pequeno
Acrílico sobre tela 80x100cm

Tenho mostrado algumas das muitas telas que pintei em que os Moinhos de Alburrica são a figura central do quadro. Há outros moinhos, os de maré, que funcionavam com os ritmos da subida ou descida das águas.
O esqueleto da casa, que aparece na parte esquerda do quadro, é aquela onde funcionava o moinho de maré. Da língua de terra, em frente, vêem-se as entradas de água que faziam girar o sistema. Num dos meus passeios pela zona, apercebi-me das possibilidades pictóricas daquela casa e do seu moinho. Depois de estudar o horário das marés, e ver as condições do tempo, porque precisava de um céu sem nuvens para poder tirar o máximo partido dos surpreendentes e espectaculares reflexos dos tijolos na água, consegui realizar uma obra que me deu grande satisfação produzir.
O que eu não sabia é que, afinal, a história do moinho ainda não estava completa!
Um dia, fui ver uma exposição na escola Alfredo da Silva, que fica junto ao rio. Naturalmente, olhei para a caldeira e fiquei espantado com o grau de destruição atingido pela casa e moinho, em tão pouco tempo. E fiquei fascinado pelo esqueleto que parecia o resultado de um incêndio que tivesse atingido a construção.
Resolvi perpetuar na tela a destruição daquela casa que, ao contrário da adaptação cinematográfica do livro de Ray Bradbury, dirigida por François Truffaut, não precisou de nenhum bombeiro, Montag ou outro qualquer, para atingir um grau de destruição máximo. Esta obra é o resultado da falta de interesse pelo nosso património, não num futuro distante, não num regime totalitário, mas sim na actualidade e num regime democrático. Só falta, mesmo, dizer que a beleza faz as pessoas infelizes e improdutivas, como nesse livro/filme de culto.
Talvez seja a altura de lá voltar para ver o que aconteceu.
Os pintores consideram interessantes as coisas mais inesperadas, não acham?