Mostrar mensagens com a etiqueta Porto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Porto. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Ribeira - Porto Óleo sobre Tela 90x100cm

Quando mostrei a série de obras que executei depois da minha visita à cidade do Porto, deixei esta por ser bastante diferente das então apresentadas. As diferenças principais baseiam-se na maior suavidade e o quase monocromatismo da interpretação em tons pastel, pontuados pelas cores mais vibrantes dos telhados, em oposição aos contrastes violentos e às texturas das outras obras.
Algo semelhante se passou com a série de trabalhos sobre Lisboa, como por exemplo na entrada de 30 de Outubro, com a obra “Chegada a Lisboa”, que mostra a cidade numa perspectiva tirada de um barco, com as cores rosadas características da Capital.
Pareceu-me uma obra tranquila e poética, inspiradora para o começo do Novo Ano…

segunda-feira, 14 de abril de 2008

AS CIDADES DAS EMOÇÕES - PORTO





Porto Sentido
Óleo sobre Tela 120x70cm

Num comentário ao quadro anterior "Porto - A Casa Amarela", Luis Santos transcreveu o poema "Porto Sentido" de Rui Veloso. Mal sabia o meu bom amigo, que eu tinha feito um quadro com o nome do poema. Como está na linha do anterior, faz todo o sentido que o apresente, juntamente com a canção da dupla Carlos Tê / Rui Veloso.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

SÉRIE - AS CIDADES DAS EMOÇÕES


Porto Casa Amarela
Óleo sobre tela 100x85cm

Não vou repetir aquilo que senti quando descobri, como pintor, o Porto.
Sobre esta tela, um meu amigo, disse-me que gostava de toda a composição, que tinha muita vida, mas que não gostava do destaque da casa amarela: sentia que era demasiado agressiva. Respondi-lhe que era esse exactamente o objectivo que pretendia: a casa estava colocada na zona da tela a que os clássicos chamam de secção de ouro, para favorecer no quadro o seu aspecto tridimensional ou a sua profundidade: há casas que nos parecem mais próximas e outras mais afastadas, embora saibamos da bidimensionalidade da tela.
O azul forte do céu e do rio, contrasta com o quase monocromatismo que utilizei, deliberadamente, para destacar as janelas que povoam todo o conjunto, sugerindo pessoas que apenas se adivinham, se sentem...
Termino com o “pedido de desculpas” do meu amigo. Quando visitou o Porto, passou na Ribeira e viu ao vivo a Casa Amarela: Estava lá, onde eu a tinha pintado e destacava-se de todo o conjunto, pela sua vibrante cor!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

AINDA O PORTO


PORTO – Torre dos Clérigos Óleo sobre tela (56x25)

A Torre dos Clérigos, começada em 1732, é a obra mais antiga do arquitecto toscano Nicolau Nasoni, que marcou fortemente a paisagem urbana do Norte de Portugal, em meados do século XVIII. É considerada o ex-libris da cidade do Porto.
Para pintar esta jóia da arquitectura barroca, simplifiquei os traços da paisagem circundante e fui generoso na intensidade da cor que concedi às casas e aos seus telhados. Com esta opção procurei garantir que a torre seria um elemento indispensável no equilíbrio do conjunto.
Para a pintar utilizei, talvez não pareça na fotografia, a minha paleta de cores na sua totalidade. Baseei-me na teoria da mistura óptica, segundo a qual a mistura de pigmentos na paleta do pintor resulta, no olho do observador, em cores menos puras. Estendi a cor do céu de uma forma simples, com predomínio do branco, para não perturbar a energia da torre, com o seu ruído. O monumento foi pintado com pequeníssimas pinceladas de cor em estado puro, deixando o trabalho da sua mistura, à retina do espectador. A torre parece assim vibrar com a luz que incide sobre ela... Eu vibrei com o resultado.
Espero que os meus amigos usem um pouco da sua imaginação para tentar perceber o que as minhas pobres palavras não conseguem transmitir. A Torre dos Clérigos merece...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

PORTO - RIBEIRA


PORTO – RIBEIRA Muro dos Bacalhoeiros Óleo sobre tela (64x54)

Nesta minha vertigem pela Ribeira do Porto, uma das telas de que mais gosto e que por isso continua em minha casa, é esta que mostra o Muro dos Bacalhoeiros.
É uma obra em que utilizei cores fortes, com as suas complementares bem próximas, para salientar a força que emana daquelas pedras. Não satisfeito com o resultado obtido, procurei reforçar essa sensação com a mistura de areia na tinta, criando o aspecto rude e rústico das rochas, que falam connosco como as castiças gentes do Porto.
Nesta obra, as janelas das casas deixam de ser elementos “apenas” decorativos: estão humanizadas com a sugestão de roupas penduradas e vasos de flores que lembram as pessoas que as habitam.
Sei por experiência própria do mau gosto associado à escolha das molduras para as obras de arte. Não sei se por força da sugestão dos vendedores, que mais do que servir os clientes, querem vender as mais caras, ou por pressão do dono que quer valorizar uma obra que deve valer por si própria. Há casos em que a moldura fica mais cara do que a peça que contém.
Para este quadro fui eu que fiz a moldura: cortei e pintei a madeira com a mesma tinta que utilizei na tela. Utilizei o azul ultramarino (deep), misturado com um pouco de vermelho de cádmio, para o escurecer ao mesmo tempo que o torna menos frio.
É este Porto sentido que eu pretendi retratar. Para mim, sempre que passo por esta obra não resisto a dar-lhe uma nova mirada. E ela retribuiu como uma amante fiel: sempre lhe descubro novos encantos!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

PORTO NÃO É SÓ PAISAGEM

Porto - Ribeira com barco rabelo Óleo sobre tela (120x120)

Antes de começar a pintar, visitei muitas vezes o Porto, uma cidade feia e triste, segundo os lisboetas, a capital do trabalho, segundo os tripeiros.
Há uma certa tendência para considerar a nossa cidade, a nossa terra, a nossa rua como o centro do Universo, o local mais... mais... umbilicus mundi. Eu não era dos que dizia que o melhor do Porto era a auto-estrada para Lisboa mas, para ser sincero, ela não me entusiasmava especialmente.
Até que...
Comecei a pintar e um dia fui ao Porto, para ver uma exposição na Fundação de Serralves. A exposição chamava-se Amadeo Sousa-Cardoso/Piet Mondrian, em que se apresentava o diálogo entre dois pintores que, apesar de nunca se terem conhecido, tiveram um percurso muito semelhante, abandonando o seu país natal para viver em Paris, a cidade onde se concentravam os movimentos vanguardistas da sua época.
Cheguei de manhã, bem cedo e resolvi passar pela Ribeira. Disse Aquilino:
“Este trecho do Porto com fragatas a chocalhar contra o cais, a selva de mastros, o mercado de galinhas, truculências, aleijões, uma mulher que mostra a perna monstruosa com elefantíase, tísicos de tigela à banda, lembra as velhas cidades hanseáticas com todo o seu tropo-galhopo de coisas”.
E depois as casas carregadas de janelas/olhos, cores/lantejoulas, pedras/musgo... e depois o rio Douro... e depois os barcos rabelo... meu Deus, não tinha olhos, ouvidos, nariz, cérebro, rolos de máquina fotográfica, para guardar tudo o que me cercava... mas tudo me ficou agarrado à pele como a tinta indelével duma tatuagem.